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rss  Vol. XIX - Nº 332         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 01 de Abril de 2020
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Um turista na China de Cravo Vermelho na lapela!

Introdução ao reino dos Imperadores – continuação e fim

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Depois desta viagem, abandonamos o barco para darmos um passeio breve pela cidade de Chongqing, que conta mais de 30 milhões de habitantes. Daqui seguimos para a cidade de Suzhou, a chamada «Veneza Chinesa», onde visitamos um ateliê da rota da fabricação da seda. Esta cidade de 4 milhões de habitantes, é atravessada por um grande canal, com o famoso jardim Liu, cheio de árvores de várias espécies e flores.

A visita a esta cidade terminou com um jantar aqui, e depois voltamos para o hotel Radisson. No dia seguinte, toca a levantar cedo para seguirmos de autocarro para Xangai. Xangai é uma cidade de 23,5 milhões de habitantes onde os Europeus se fixaram e marcaram presença entre o século XIX e XX.

Aqui o dia começou passeando pelo chamado Bund – uma palavra anglo-urdu que significa «cais aterrado»–, ao longo da Grande Avenida e do rio Huangpu. Do outro lado, em frente do rio vê-se o Pudong moderno construído depois da Revolução. Do lado de cá, acha-se uma arquitetura colonial, que foi restaurada já depois da Revolução. A Avenida mantém uma fila de 52 grandes edifícios, Bancos, Hotel da Paz, Banco da Inglaterra HSBC, Embaixadas, etc. Do outro lado da margem do rio Yangtsé fica a parte moderna da China depois da Revolução de 1949, com edifícios tais como as Comunicações, a Bolsa, o Banco da China, o Centro Financeiro Chinês, etc.

Depois, tivemos um passeio livre, sem guia, ao longo da célebre rua Nankin, o equivalente à Santa Catarina de Montreal, mas que não tem nada que se pareça com esta. Esta rua é um mar de gente na azáfama do consumo de um comércio da moda e qualidade, à atração nas montras com manequins do Ocidente.

O dia terminou com um jantar num hotel de Xangai, acompanhado de um espetáculo de música e dançarinas. Acabado o jantar, fomos assistir a um outro espetáculo de acrobacia entre as 8h e as 10. No dia seguinte é o momento de fazer as malas de partida para o aeroporto de Xangai. Não posso deixar de dizer que a China é um formigueiro de construção de arranha-céus, tanto em cidades e vilas, como também em pequenos aglomerados. Por onde passamos não havia terras e locais onde não se avistassem gruas no ar. Durante os quatro dias que durou o trajeto de barco eram centenas de grandes barcos, no espaço de uma distância de 300 metros, uns atrás dos outros, com carregamentos de materiais para a construção de edifícios em série, de depósito de materiais já preparados ao longo do rio para serem carregados. Esses barcos alojam a própria família do barqueiro, visto que carga e descarga se fazem mecanicamente, em vários locais, com a família do barqueiro a bordo sem problemas de tráfico ao longo do rio Yangtsé que serve de autoestrada.

Depois que os Europeus se instalaram nas concessões Chineses entre os séculos XIX e XX, Ingleses, Franceses, Alemães, Belgas, Americanos, e até Italianos, começou assim a corrupção do tráfico de droga, da prostituição, do gangsterismo na cidade de Xangai, ligado à colonização destes países. Segundo a opinião da escritora Han Suyin e outros historiadores, foi em Xangai que os colonizadores Europeus ligados ao crime com os bancos fizeram fortunas. Para Han Suyin, o nível da corrupção teria sido pior do que o gangsterismo de Al Capone em Chicago. Xangai era o porto de mar ideal de entrada do Ocidente ligado aos «mercadores» ocidentais. Mercadores sim, como muito bem lhe chama a escritora.

Quanto à minha opinião, penso que um turista bem informado, depois de visitar a rota da seda, da origem das pérolas e dos diamantes, mesmo não sendo obrigado, deve ter conhecimento do trajeto histórico da fome e miséria que este povo sofreu na pele.

Alguns dados: em 1903 foi a abertura da Universidade de Pequim. Durante a ocupação Japonesa, o Governo do Koumintang foi obrigado a se fixar duas vezes fora de Pequim. Por isso houve dois governos, um em Nanking, outro em Wou-han. Faremos aqui um curto apanhado histórico de algumas datas que levaram Mao Tse-tung a fazer a revolução contra o governo de direita de Chiang Kai-shek que, de conivência com o Japão, sofreu as consequências climáticas e de ocupação. Foi em outubro de 1911, que o último imperador PuYi abdicou, mas o pensamento de Confúcio foi julgado como conservador extremo e o povo revoltou-se sem que obtenha quaisquer melhorias de condições de vida, seguindo-se até ao período Maoista. Em 1917 o Governo conclui uma aliança com os Estados Unidos, precisando estes da sua Marinha, para se defender do Japão, que na altura estava aliado aos Alemães. Em 4 maio de 1919 houve um levantamento político de três mil estudantes que investiram a Praça Tiananmen gritando «Jiu Guo»! Em 1921 realizou-se o primeiro Congresso para a unificação da China pelo Partido do Koumintang. Todas as revoluções, levantamentos políticos e revoltas contra os japoneses falharam, tornando-se depois em guerras civis contra a invasão e a ocupação pelos japoneses. Estes tinham ocupado a Manchúria e outras províncias da China do Norte, forçando o Governo do Koumintang dos camisas azuis de Chiang Kai-shek a se mudar para Nanking, assim como a oposição se mudou para Wou-han. Foi assim que o Imperador Puyi se refugiou no Japão com a cumplicidade de Chiang Kai-shek. Com ele aí refugiado, os japoneses enterraram soldados vivos entre 1937-1945, havendo entre 1927-1937 um massacre de 3 milhões de comunistas, antes do 1 de outubro de 1949. Sei de antemão que este tipo de crónica não agrada a muita gente. Paciência!

Ref.: Simone de Beauvoir (A longa Marcha), Gallimard, edição de 1957.

Antonietta Macciocchi De la Chine (Maria), edição do Seuil de 1971.

Nora Wang (Nascimento de Um Destino), Edição Autrement, 1999.

Han Suyn (Uma Flor Mortal), Edição Encontro, Lausanne, Vol, N-1-2.

Yu Dan (A felicidade segundo Confúcio), Belfond, Paris, 2009.

Mao Tse-tung (Textos Escolhidos), Edições Línguas Estrangeiras, Vol N-1,Quatro Ensaios filosóficos.

Sobre a Literatura e a Arte, Revistas de 1972, Literatura Chinesa N-1-2-3-4.

Crónica
Depois desta viagem, abandonamos o barco para darmos um passeio breve pela cidade de Chongqing, que conta mais de 30 milhões de habitantes. Daqui seguimos para a cidade de Suzhou, a chamada «Veneza Chinesa», onde visitamos um ateliê da rota da fabricação da seda. Esta cidade de 4 milhões de habitantes, é atravessada por um grande canal, com o famoso jardim Liu, cheio de árvores de várias espécies e flores.
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