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rss  Vol. XIX - Nº 332         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Quem certificou a ATA?

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O jornal «The Independent» é um dos Média mais conceituados do Reino Unido, com uma tiragem que ronda os cem mil exemplares.

É um jornal de grande influência, sobretudo junto dos intelectuais de esquerda, mas descomplexado quanto a questões de economia de mercado e sem preconceitos partidários.

Os seus editores decidiram enviar um dos jornalistas aos Açores, porque está na moda e, sobretudo, porque a «Ryanair» está a operar entre Ponta Delgada e o aeroporto de Stansted, uma pequena cidade da Grande Londres.

O jornalista Simon Calder explica que já tinha tentado viajar pela SATA, através do aeroporto de Gatwick, mas a transportadora açoriana pedia-lhe mais de 300 libras (mais de 400 euros...).

"Por essa quantia, queria algo mais do que um voo de quatro horas», escreve no artigo que publicou naquele jornal e que intitulou: «São Miguel, Azores: now as affordable as a trip to the Mediterranean» (São Miguel, Açores: agora tão acessível como uma viagem ao Mediterrâneo).

A comparação tem a ver com o preço, porque agora, na operadora low-cost, paga-se menos de metade do que pedia a SATA (de 80 a 110 libras).

O pior vem a seguir.

O jornalista não entende como é que os Açores não estão a fazer promoção desta rota, para atrair mais turistas ingleses.

Descobriu mesmo que há uma empresa de relações públicas britânica, a KBC, contratada provavelmente pela ATA (Associação de Turismo dos Açores) para promover a nossa Região naquele país.

Foi ter com a empresa inglesa e teve como resposta que o contrato abrange apenas a promoção dos Açores a par com o voo da SATA a partir de Gatwick...

Ou seja, tal como já tínhamos desconfiado numa crónica anterior, a ATA não quer saber da promoção no Reino Unido quando se trata das companhias low-cost, privilegiando somente a SATA porque, provavelmente, um dos administradores da ATA é também... administrador da SATA!

São estes conflitos de interesse que não se percebem em organismos públicos, que ainda por cima funcionam mal e provam que são uma inutilidade absoluta.

O caso da ATA é tão gravoso, porque gasta milhões em promoções e os resultados foram os que se viram até à chegada das low-cost: um desastre.

Isto para não falar nas despesas internas deste organismo, que aumentam todos os anos e ainda engrossam o quadro de colaboradores.

Fica aqui um quadro resumido das contas da ATA onde, entre outras coisas escandalosas, se pode constatar o aumento dos gastos com pessoal, de 163 mil euros em 2010 para esta coisa impensável que são 716 mil euros em 2014!

 



CONTAS ATA

2010

2011

2012

2013

2014

 
             

RECEITAS

11.027.353,00 €

10.329.285,00 €

10.927.036,00 €

12.531.298,00 €

10.270.853,00 €

 

Subcontratos c operadores

10.615.727,00 €

8.723.073,00 €

9.391.877,00 €

10.440.191,00 €

8.524.005,00 €

 

Gastos c pessoal

163.101,00 €

280.941,00 €

292.774,00 €

499.536,00 €

716.949,00 €

 

Juros bancários

16.460,00 €

228.343,00 €

215.458,00 €

464.870,00 €

509.567,00 €

 
             

Dívidas a fornecedores

2.598.327,00 €

4.311.599,00 €

4.494.816,00 €

6.565.366,00 €

4.116.160,00 €

 

Dívidas a Bancos

3.500.000,00 €

2.200.000,00 €

4.100.000,00 €

5.700.000,00 €

9.120.697,00 €

 

Subtotal do Passivo

6.098.327,00 €

6.511.599,00 €

8.594.816,00 €

12.265.366,00 €

13.236.857,00 €

 
             

Dormidas

1.099.226

1.089.612

954.740

1.054.112

1.063.887

 

Receitas Hotelaria

50.389.171,00 €

46.852.107,00 €

41.984.795,00 €

43.290.522,00 €

44.646.062,00 €

 

 

 A seguir às contas, vejam bem os resultados do trabalho efetuado...

A ATA serve então para quê?

Completamente desacreditada no mercado, interno e externo, a ATA anda agora a autopromover-se, em documentos internos, com a «Marca Açores», como se fosse um produto de prestígio ou de qualidade recomendável...

Acores MARCA.JPG

Mas quem é que a certificou?

A «Marca Açores» é para andar assim tão banalizada?

Qualquer organização pode carimbar a sua imagem com esta certificação sem mais nem menos?

Nesta Região assistimos a tudo, porque tudo é permitido e tudo é feito às três pancadas.

É a verdadeira marca Açores!

                                                       *****

CALL CENTER DA SATA – Desde que as low cost chegaram a S. Miguel, a SATA não aprendeu a lição.

Enfia o cabo das tormentas aos passageiros que pretendem encaminhamentos, dirigindo-os para dois ou três aeroportos antes de chegarem ao destino.

E o «call center» é a pouca vergonha da empresa. Não atende ninguém (pelo menos 25 minutos depois) e vai debitando disparates como «tarifas baixas e competitivas» para os EUA e Canadá, quando todos sabemos que é pagar couro e cabelo e em regime de monopólio.

Para além da irritação que é ligar para esse «call center», ainda nos massacram, até aos 25 minutos, que «a sua chamada vai ser atendida dentro de instantes».

Outra componente: avisam que se pode deixar identificação e número de contacto, porque depois ligam, no máximo, dentro de 48 horas.

Já se passaram quase 24 e ainda estou à espera.

Se fosse uma emergência, já estava morto.

Pelo amor de Deus, fechem a loja e voltem a abrir coisa nova, com gente mais competente.

Crónica
O jornal «The Independent» é um dos Média mais conceituados do Reino Unido, com uma tiragem que ronda os cem mil exemplares.
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