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Um Turista na China de Cravo Vermelho na Lapela!

Introdução ao Reino dos Imperadores – Primeira Parte

Fernando Pires

Por Fernando Pires

A China é uma civilização milenária que data de cerca de 4000 anos de existência, antes de Cristo, e que teve a sua unificação nacional em 221 AC.

Teve três dinastias entre 2100 AC e 221 AC. Três reinos dinásticos que vão de 220 a 581. Depois foi o reino do Imperador Huidi de 1399 a 1403, tendo Chengzu reinado de 1403 a 1424, seguido de Shizong de 1522 a 1526. O reino dos Ming foi dos mais longos, de 1368 a 1644. Houve a seguir a Dinastia dos King, 1644-1911, que finalizou com a morte do imperador Puyi em 1962.

Foi durante a dinastia Ming, 1366-1644, que o embaixador português Tomé Pires teria sido enviado à China durante o reino dos imperadores Chengzu e Shizong, pelo rei D. Manuel, e que Lopo Soares teria designado Tomé Pires como embaixador para se encontrar com o imperador Chengzu. Isto no início de 1516 segundo o Livro das Descobertas. O barco teria saído de Cochim, sendo Tomé Pires preso e que, segundo a história, por lá ficou morrendo na prisão, «tendo casado e aí nascido uma filha».

A estimativa do recenseamento da população em 2010 era de 1 338 612 968 habitantes. Farei agora um resumo sumário do nosso percurso turístico de duas semanas neste país, que é o que aqui mais pode interessar os leitores.

Contudo, antes de mais devo dizer que foi numa outra vida que este vosso escriba se interessou na altura, apenas como apologista da Revolução Chinesa do período doutrinário de 1966-1973, sem que tenha enveredado por qualquer dogma, mas que em tal contexto talvez tivesse sido o remédio necessário para conscientizar as massas dos trabalhadores chineses e especificamente os camponeses, a quem Mao Tse-tung dedicou a sua vida. Mesmo Durão Barroso, um ex-maoista, oportunista, aderiu à cartilha do livro vermelho. No que me toca foram especificamente conceitos filosóficos sobre os quais me debrucei como autodidata, procurando outras leituras para além da cartilha do livro vermelho de Mao Tse-tung, que ainda hoje guardo, apenas como relíquia.

Será que a Revolução Cultural dos anos 1966-1967 não teria contribuído como um empurrão para a libertação das mulheres na China? Deixo aqui ao leitor para reflexão esta pergunta. No entanto, o que mais me convenceu como princípio foi a filosofia de outros escritos do grande timoneiro Mao. Pelo que conheço do outro Mao, foram livros sobre a Literatura, a Arte, e evidentemente a Filosofia, de Hegel, Marx, Confúcio, Darwin, Montesquieu e Rousseau que teriam sido os filósofos de quem se inspirou, levando por diante o programa do partido comunista. O fenómeno da China de hoje foi um corte numa sociedade feudal à qual Mao pôs fim, no sonho dos seus poemas de juventude com uma visão de uma nova sociedade transformada profundamente.

Assim, a China atual situa-se no prolongamento desse corte com a implantação da Revolução de 1 Outubro de 1949.

Mao Tsé-tung de origem camponesa média, depois de estudante, foi adjunto da Universidade de Pequim, atravessando mais tarde as montanhas da China de Norte a Sul, com uma armada de camponeses para defender a Nação do regime corrupto de Chiang Kai-shek que mantinha o povo na miséria.

Durante esta visita dei-me conta, como observador turístico durante duas semanas, o que implicou a deslocação para três cidades de avião, quatro dias e quatro noites passadas num grande barco de cinco andares e duas grandes deslocações em autocarro, um percurso de 700 km através do segundo maior rio do mundo, depois do Rio Amazonas. Em Pequim visitamos as Muralhas, com 6 700 km, a Cidade Proibida (antigo Palácio dos Ming), o Templo do Céu, um mais belos monumentos históricos da Dinastia Ming e Qing, sepulturas Ming onde estão enterrados treze imperadores, e a Praça Tiananmen, terminando o dia com um jantar do tradicional pato laqueado de Pequim.

No dia seguinte viajamos de avião para a cidade de Xian, visitando aí o Palácio de Verão da Dinastia Tang e passeando pela antiga cidade. Foi nesta cidade que foram encontradas as ossadas e as incríveis estátuas dos soldados de terracota, assim como uma carroça de bronze com o imperador sentado.

Paragem na vila de Jingzhou, antigo centro de transporte e de distribuição de mercadorias. Depois de uma noite passada no hotel tomamos outro voo para Wuhan, com uma paragem de visita à cidade de Jingzhou antes da transferência para uma estadia num barco e depois, finalmente, o momento de aí nos instalarmos. Foram quatro noites e quatro dias num barco hotel, com cabines individuais, navegando ao longo do Rio Yangtzé, que atravessa o país, com paragens em cidades e vilas. A estadia nas cidades, foi em hotéis de cinco estrelas com todo o luxo habitual desses hotéis.

A navegação do grande rio Yangtsé deu-nos a oportunidade de conhecer cidades, de visitar a maior barragem do mundo, onde se encontram as chamadas «Três Gargantas», ou seja, Xiling, Wu e Qutang. Ao mesmo tempo, durante este percurso tivemos oportunidade de ver na outra margem do rio pequenas vilas durante os 700 km navegados, visto que a velocidade do navio não ultrapassaria os 30 km. Na confluência dos rios das Três Gargantas foi construída a grande barragem com vários açudes. Uma obra que é de admirar, com enormes espaços exteriores de verdura para proteção do meio ambiente, incluindo uma plantação de árvores. Foi aí que vi pela primeira vez, num espaço da barragem, oh surpresa minha, uma plantação de nespereiras!

(A continuar...)

Crónica
A China é uma civilização milenária que data de cerca de 4000 anos de existência, antes de Cristo, e que teve a sua unificação nacional em 221 AC.
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