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rss  Vol. XIX - Nº 331         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Os profissionais do croquete...

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Há figuras nos Açores que custa a perceber para que servem.

O Representante da República é uma delas – sempre foi –, mas há muitas outras, que representam instituições nacionais, empresas e organismos do Estado.

Há uns com elevada patente e outros que são ilustres desconhecidos, mas têm em comum o facto de passarem todo o santíssimo tempo nos salões dos croquetes, nas receções oficiais, nos inúmeros «cocktails» do poder regional, e com tal profissionalismo que até alguns já levam na algibeira utensílios próprios para segurar o prato e copo, a fim de facilitar a circulação nos corredores bafientos da alta sociedade falida.

De vez em quando ressuscitam publicamente.

O caso dos Ministros da República, que vieram desembocar em Representante, sempre foi o mais gritante, pela evidente inutilidade do cargo.

Alguns deles – poucos – aperceberam-se do papel ridículo que faziam e, no final do mandato, tiveram a coragem de concordar que a «excrescência constitucional» devia ser eliminada.

Eram os mais pragmáticos e mais visionários.

O atual Representante da República, provavelmente por ser mais conservador e diplomata, habituado a estes tipos de corredores cheios de folhados, acha que nós, açorianos, precisamos de figuras como ele, gente em fim de carreira, mandada para cá em comissão de resto de serviço, para que a nossa Autonomia fie mais fino...

Depois de quase todos os partidos o dispensarem, depois de ser praticamente consensual na sociedade açoriana que é um cargo perfeitamente dispensável, vir agora vitaminar a figura com o argumento de que é preferível mantê-la do que passar os poderes para assessores e gabinetes em Lisboa, não convence ninguém.

Se o Representante da República é tão importante e influente, então que resolvesse o problema da cadeia de Ponta Delgada, dos tribunais e edifícios do Estado a caírem de podre, dos prédios nacionais que estão entregues aos ratos, do problema da RTP-Açores, da Universidade dos Açores e por aí fora.

O balanço do mandato do Representante da República é claro: não serviu para nada e ninguém deu por ele.

Será menos um para os croquetes.

*****

SEM SAUDADES – Cavaco Silva está no fim do seu ciclo. Sairá pela porta pequena. Mas antes quis deixar mais uma marca da sua presidência insalubre: 47 condecorados, onde há de tudo, desde o responsável pelo guarda-roupa até ao ministro das Finanças que nos conduziu à bancarrota.

Ser-se condecorado, neste país, é tão banal como esfregar as mãos à parede...

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