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rss  Vol. XIX - Nº 331         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
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Comunidade de Montreal pede mais atenção dos Açores para ligaçöes aéreas

No âmbito do Dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o jornal micaelense «Diário dos Açores», pela voz do seu diretor e nosso colaborador Osvaldo Cabral, pediu ao nosso chefe de redação, Norberto Aguiar, um trabalho na comunidade. O resultado foi este:

A comunidade açoriana do Quebeque, especialmente na cidade de Montreal, queixa-se neste Dia das Comunidades, da falta de ligação entre Portugal e o Canadá, especialmente na área dos investimentos e da promoção, nomeadamente da parte dos Açores. O caso das ligações aéreas é o que merece mais críticas, neste inquérito a algumas pessoas da comunidade açoriana, com a colaboração do jornalista Norberto Aguiar e de Jules Nadeau (fotos), num serviço exclusivo do jornal «LusoPresse» para o «Diário dos Açores». Numa primeira questão é perguntado se a comunidade sente o apoio dos governos português e açoriano e, na segunda, se a SATA deveria fazer mais ligações para Montreal.

Emanuel Marques, 56 anos

Natural de Porto Formoso

Casado, pai de um filho

Há 35 anos no Quebeque (vive em Laval, cidade geminada com a Ribeira Grande)

Empresário de distribuição

Última vez que esteve nos Açores: 2014

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Emanuel Marques

«A nossa comunidade é muito maltratada pelos governantes portugueses. Estou cá há 35 anos e não vejo evolução. Pelo menos deviam estabelecer maior intercâmbio connosco. Primeiro foi a TAP que nos abandonou para ir para outras rotas, como as do Brasil, o que até nem admira, pois o presidente da companhia é brasileiro...».

«Depois, como é que podemos investir nos Açores se não há projetos concretos? Com a divulgação e promoção que se faz dos Açores aqui, é certo e sabido que nunca poderemos ter um fluxo de investidores para lá investir, e muito menos turistas para visitar uma linda terra como a nossa.»

«Apesar de tudo, a comunidade também é culpada porque não influencia o suficiente. Onde está a Casa dos Açores para nos representar junto das entidades competentes?»

«Bem sei que há crise em Portugal. Mas acho que os governos português e açoriano deviam fazer mais pela nossa comunidade. Não é só pedir remessas...»

«A SATA está virada para o Ontário. O Quebeque pouco conta. Fala-se que não há passageiros suficientes para que a SATA venha durante o ano todo a Montreal... Eu não sei. O que posso dizer é que o período em que ela vem cá é muito curto. De fins de junho à primeira semana de setembro é muito pouco tempo... Nem sequer vem cá pelas festas do Senhor Santo Cristo...»

«Mas já houve tempo que os quebequenses quase enchiam os aviões da TAP. Daí para cá esse espaço foi abandonado e deixou de haver turistas. É normal porque no Quebeque só se fala dos Açores em caso de catástrofes. Façam promoções nos órgãos de Informação comunitários e canadianos e depois verão que os turistas vão aparecer.»

Glenn Castanheira, 28 anos

Natural de Montreal, onde vive (é filho de mãe ribeiragrandense e pai continental)

Solteiro

(Tem cidadania portuguesa)

É conselheiro político na Câmara Municipal de Montreal

Última vez que visitou os Açores: 2014

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Glen Castanheira

«Eu acho que neste momento há vontade das entidades colaborarem com a Comunidade Portuguesa. Isto tem-se visto ultimamente com as promoções do 10 de junho. Pessoalmente estou em contacto com o cônsul e sou testemunha dessa nova abertura. Acho que essa colaboração é para continuar. E nem estou pensando em dinheiro porque há muitas formas de colaborar. Se assim for, todos vão beneficiar.»

«Acompanhei a recente visita (fim do ano passado) do presidente do governo dos Açores, Vasco Cordeiro, a Montreal, e acho que é um bom princípio para quem, como eu, tem intenções de investir nos Açores.»

«Outra das iniciativas que se deve implementar para uma maior aproximação governos comunidades são as missões económicas que possam abrir canais de investimento. Não queremos dinheiro. Queremos é uma aproximação facilitadora que possa terminar numa problemática de desenvolvimento económico para ambas as partes. Se assim for, há na comunidade grandes empresários interessados em investir nos Açores.»

«Absolutamente! E há que reforçar essas ligações porque o potencial existe. O Quebeque e as províncias marítimas podem ser um bom manancial turístico. Apesar de não ser um grande conhecedor em matéria de viagens, acho que há gente que não conhece os Açores mas que no dia que souber que eles existem, pois vão querer lá ir. De resto, sei que dos que lá têm ido, todos ficam com vontade de voltar. O que é preciso fazer é um estudo de mercado, investir em marketing e só depois saber se é viável haver um voo semanal Montreal/Açores e vice-versa que sirva a nossa comunidade. Como está é que não está bem.»

«Seja como for. A verdade é que as coisas não podem melhorar enquanto não houver pressão económica. Esta a que é a grande verdade.»

Leonardo Soares, 56 anos

Natural de Rosário, Lagoa

Casado e pai de 1 filho

Há 50 anos no Quebeque (vive em Montreal)

Engenheiro civil

Última vez que visitou os Açores: 2014

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Leonardo Soares

«Não há dúvidas que os governos de Portugal e dos Açores têm que apoiar mais a comunidade. Até agora tem havido altos e baixos. Neste momento há apoios para o 10 de junho, uma novidade recente. Mas o que se está a fazer é pouco por ser virado para a própria comunidade. São só os portugueses que participam. Há que envolver as outras comunidades. Podemos e devemos fazer isso. Penso que isso passará por um colóquio com representantes da Comunidade Portuguesa, dos jovens aos dirigentes de clubes, empresários e outros agentes. E o apoio, assim, poderá vir de todos. Nada de esmolas dos governos... Brevemente vai haver uma manifestação importante em Montreal com a oferta de parte do acervo de Sisa Vieira ao Centro Canadiano de Arquitetura. E quem vai colaborar nessa promoção? Eu, que convidei o cônsul e mais uns amigos. Nem o governo português nem da comunidade há mais participação. É aqui que os governos têm de se implicar porque está em jogo o nosso prestígio. Impliquei-me porque trabalhei como engenheiro na feitura do edifício e porque senti e sinto que os portugueses têm que marcar uma presença.»

«Queremos fazer a diferença e apenas temos de contar connosco. Os governos nacionais não nos tratem da melhor forma. Veja-se o governo açoriano que ainda há pouco passou por cá com muitas promessas e que desapareceu... Eles (governo) querem pessoas para investir. Mas investir em quê? Onde estão os projetos? Quem vai investir sem conhecer onde se vai meter? Possibilidades no ar, apenas.»

 

«Eu acho que a SATA e os seus responsáveis fazem apenas cálculos sobre a Comunidade Portuguesa do Quebeque para monitorar a frequência dos voos para Montreal. Nenhum estudo foi feito de maneira a saber se há ou não viabilidade para que Montreal tenha mais ligações com os Açores. Por exemplo, não se conta com a aderência de outras comunidades interessadas nos Açores e mesmo no Continente. Esquece-se, a esse nível, que o Quebeque até tem uma camada de população muito interessada no turismo de natureza. E onde o poder económico não está em causa...».

«Na minha opinião a solução é encontrar uma alternativa para este problema que já leva tempo demais nas mesas de discussão. Não há outra saída. De resto, quem quer viajar para os Açores, que ficam a pouco mais de quatro horas de Montreal e que terminada a época (curta) de verão, querem passar um dia inteiro até chagarem aos Açores?»

José Teixeira, 66 anos

Natural de S. Braz, Ribeira Grande

Casado e pai de 2 filhos

Há 43 anos no Quebeque (vive em Laval, cidade geminada com Ribeira Grande)

Reformado

Última vez que visitou os Açores: 1988

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José Teixeira

«Os políticos portugueses têm pouca apetência pelo que se passa na Comunidade Portuguesa. De vez em quando um ou outro dá um salto cá. Depois, por longos períodos, esquecem-se de novo. Nem mesmo agora, que há o 10 de junho e com as eleições à porta, se eles veem cá para nos ouvir, para que possamos questionar sobre o que têm para nos oferecer... As exceções são raríssimas».

«Todos os anos, pelo Natal, apercebo-me que nem nos mandam a mensagem de boas festas. Isso demonstra a consideração dos nossos dirigentes para com a nossa comunidade. Sabemos, no entanto, que há algumas comunidades privilegiadas. Mas, enfim, fiquemo-nos por aqui.»

«A Casa dos Açores, neste aspeto e relativamente aos Açores devia ter uma palavra a dizer. Mas não tem. Porque é mais um clube como tantos outros que existem na comunidade. Mas não devia ser assim. E porquê? Por falta de dirigentes. Em minha opinião, a Casa dos Açores devia ser um género de representação oficial que defendesse os interesses dos açorianos no Quebeque. Mas não é. Os políticos regionais deviam aparecer com frequência para falarem aos nossos luso-descendentes sobre o que são os Açores hoje em dia. Falar da Geografia, da História, mesmo da gastronomia... Mas falta muito querer.»

«Eu direi que 75% da comunidade tem vontade de visitar os Açores. Mas muitos hesitam porque as passagens são caras e outros porque só podendo tirar férias no outono ou inverno não querem ter o inconveniente de passar horas de um lado para o outro. Eu próprio vou muitas vezes para o sul, para descobrir mas também porque tudo é mais facilitado. E não vendo maneira de melhorias, provavelmente que vou continuar a viajar para o sul.»

Merecíamos melhor sorte, é verdade. Estou a lembrar-me de que há muito que ver nos Açores para além da paisagem. Há as touradas, as Sanjoaninas, o Senhor Santo Cristo, mas tudo se torna difícil pelo preço dos bilhetes e o inconveniente de se perder muito tempo para chegar aos aeroportos dos Açores. Enquanto não houver melhorias nestes aspetos, vamos continuar a ter poucos passageiros com interesse de visitar a nossa terra».

Cipriano Tavares, 51 anos

Natural de Achadinha, Nordeste

Solteiro

Há 40 anos no Quebeque (vive em Montreal)

Assistente técnico (Consulado de Portugal)

Última vez que esteve nos Açores: 2014

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Cipriano Tavares

«Do ponto de vista de cá, certamente que é visto como insuficiente. Mas do ponto de vista dos dirigentes portugueses, eles devem pensar que fazem o que está ao seu alcance. Mas, sim. Sou de opinião que poderiam marcar uma presença mais frequente. Sobretudo por esta altura. É. Até agora limitam-se a fazer as tais visitas de cortesia e pronto. A Comunidade é que faz o 10 de junho. É a comunidade que acaba por promover Portugal. Antigamente ainda apareciam por cá representações turísticas e comerciais... Isso pelos vistos acabou. É a própria comunidade que hoje em dia tem de saber o que é que quer e querendo como é que deve fazer. Não estejam à espera que venham coisas de Lisboa ou Ponta Delgada... A diáspora, cada vez mais, é que tem que contar consigo.»

«Claro que merecia. Mas há mercado para isso? Esta a que é a pergunta a fazer... Claro que no verão não faltam passageiros. O problema é depois, a partir de outubro/novembro. Que não há promoção? Não, não há. No entanto e em minha opinião a melhor publicidade é aquela que é feita de pessoa para pessoa, daquelas que visitam os Açores e veem de lá convencidas pela beleza da paisagem, etc. Se preferia que houvesse publicidade institucional? Obviamente que sim. Mas estão os nossos dirigentes virados para o Quebeque turístico? Pode ser que a prioridade esteja voltada para outros mercados, quem sabe?»

Comunidade
No âmbito do Dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o jornal micaelense «Diário dos Açores», pela voz do seu diretor e nosso colaborador Osvaldo Cabral, pediu ao nosso chefe de redação, Norberto Aguiar, um trabalho na comunidade. O resultado foi este:
Diario dos Acores1.doc
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