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rss  Vol. XIX - Nº 331         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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Acordar Portugal!

Ruben Pacheco Correia

Hoje é Dia de Portugal e das Comunidades.

Assinalamos as quatro centenas de anos sobre a morte de Luís Vaz de Camões.

Decidi refletir um pouco sobre o presente do nosso país, quer da parcela geográfica ao Ocidente do Continente Europeu, quer do território da saudade espalhado por todo o globo.

Portugal foi um país de conquistadores. Demos novos mundos ao mundo e crescemos à custa do nosso esforço.

A Presidência da República assinala sempre esta data conferindo condecorações ao mais alto nível aos portugueses que se distinguiram nos mais diversos setores da vida pública nacional. Escritores, escultores, investigadores e artistas plásticos, músicos ou atores, arquitetos ou artífices, os portugueses deixam a sua marca por onde passam.

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Não somos muitos, mas somos muito bons. Nem todos aqueles que fazem bem residem em Portugal, mas são conhecidos e acarinhados nos países de acolhimento pelas suas qualidades, por este ADN de se ser português, este destino coletivo que nos diferencia dos outros povos.

A nossa cultura ancestral, tudo o que bebemos da miscigenação cultural permanente a que nos sujeitamos por força desta nossa vontade de ir mais além, produziram o bom resultado que conhecemos.

Nem tudo são rosas num país integrado numa Europa diferente no estilo e na atitude. Mas, enquanto povo, não podemos sucumbir a exigências vindas de fora que, muitas das vezes, nos ferem o orgulho, enquanto nação. Temos, pois, que traçar um caminho para Portugal, que não exija do seu povo a submissão perante os credores. É certo que temos uma dívida sem precedentes, que só sabe aumentar! É certo que temos que continuar a respeitar os acórdãos, anteriormente assinados por Governos sufragados por nós, cidadãos portugueses. Mas não é correto sacrificarmos todo um povo, toda uma geração (da qual faço parte) e todo um futuro que tudo tinha para ser promissor, devido aos erros do passado.

Todos nós, cidadãos, temos o dever de contribuir para o sucesso do País que nos viu nascer. Temos que nos empenhar na recuperação de Portugal, incentivando o crescimento das indústrias, apostando no aumento da produtividade, do investimento, criando, portanto, valor para o País e emprego para os Portugueses.

Mas também temos que nos adaptar aos dias de hoje, apostando nos bens transacionáveis e na economia global. Temos todas as condições para que isso aconteça. Estamos integrados na União Europeia (UE), fazemos parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e temos, por todo o mundo, comunidades emigrantes que tanto nos orgulham.

Portugal foi o criador da globalização. Foram os Portugueses quem «por mares nunca dantes navegados» se aventuraram à busca de novos horizontes. Fomos nós que apresentamos o mundo ao mundo. O contacto com as outras civilizações é, portanto, em nós, inato. Algo está a falhar para não nos termos, ainda, adaptado ao mundo global do nosso tempo. Todos nós ganhamos se o país entrar no rumo certo. Temos é que ter políticas concretas, que devolvam a esperança aos Portugueses e que nos tragam crescimento e inovação. Mas não é com cortes salariais e nas pensões que motivaremos os Portugueses a investirem, produzirem e consumirem. Temos que entrar numa dieta orçamental. Não é cortando no pão e aumentando no açúcar que iremos encontrar o equilíbrio desejado. Temos que exigir maior rigor na gestão dos dinheiros públicos, superiorizando as receitas às despesas e cortando nos desperdícios do Estado, a todos os níveis, que são incalculáveis, e incentivando ao aumento da produtividade do setor privado. Só assim teremos uma economia sustentável: não tirando dinheiro às famílias, para que elas possam contribuir para o normal funcionamento da economia e para que, daí, o Estado possa tirar os seus dividendos.

Camões também dizia que «o fraco rei faz fraca a forte gente». Não nos podemos deixar enfraquecer. Temos que construir o nosso futuro em cima, chamando até nós todos aqueles que, contrariando a sua vontade, saíram do seu País. Todos são insubstituíveis nesta caminhada.

Portugal é um País de futuro, basta os Portugueses acreditarem!

É urgente devolver o orgulho ao Povo que, de acordo com Camões, no passado, teve aos seus pés todos os Deuses da Antiguidade Clássica.

* Escritor 

Nota : este texto foi escrito no passado dia 10 de junho.

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