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rss  Vol. XIX - Nº 329         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 02 de Junho de 2020
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Sr. Presidente, imponha-se!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Não era preciso uma comissão de inquérito para todos sabermos que a gestão da SATA, nestes últimos anos, foi um descalabro.

Mas os primeiros dois dias de inquérito parlamentar tiveram, pelo menos, a vantagem de comprovar que existiram e existe uma enorme irresponsabilidade e incompetência na gestão da nossa transportadora aérea.

Como é possível inventarem-se rotas deficitárias no valor de 6 milhões de euros com continuados prejuízos para a companhia?

Que argumento ridículo é este de dizer que essas rotas eram em defesa do turismo, quando está à vista de toda agente que, nos últimos anos, fomos a pior região do país nesta atividade?

Como é possível manter-se por tanto tempo estratégias completamente falhadas, desastradas e suicidas?

O que andam a fazer os responsáveis da empresa, que anunciam resultados com prejuízos de 21,9 milhões de euros e três meses depois desmentem-se a si próprios com os 35 milhões?!

Que contas é que se fazem na SATA, e que os auditores dizem uma coisa e o responsável que os contratou diz outra?

Como é possível estarmos a pagar – nós contribuintes açorianos – a consultoras externas para fazerem o trabalho de casa que os administradores deviam fazer, pagas a preço de ouro e com dinheiro que nem fica na Região?

É só fazer as contas: só para uma consultora a SATA pagou 52 mil euros para auditar as contas, mais 42 mil para assessorar a elaboração do plano de negócios e mais 11 mil para assessorar o controlo orçamental trimestral...

E que luxo é este em que se contrata outra consultora por 330 mil euros para elaborar um plano de negócios, que depois diz-se que não serve à empresa, e vai para o caixote de lixo?

Como se permite este outro escândalo que é continuar a pagar a especialistas brasileiros pela montagem da rota de S. Salvador, que começou em setembro de 2012 e acabou em outubro de 2013?!

Como é que uma empresa com a longa experiência de «handling» faz uma proposta às companhias low-cost aplicando o triplo do custo que pratica, perdendo assim uma oportunidade de negócio e permitindo que outras concorrentes viessem de Lisboa?

Como é que uma empresa vai reduzir quase 300 trabalhadores «sem recorrer a despedimentos»? É um eufemismo para pressionar trabalhadores a reformarem-se antecipadamente, à não renovação de contratos e a pagarem pelos erros de uma gestão inqualificável.

Como é que uma empresa desta dimensão, criada com tanto orgulho por açorianos com grande visão, não consegue detetar situações «não corretas» e desadequadas «das melhores práticas» nas suas contas?

Como é que uma empresa não sabe que tem que incluir nas suas contas os juros da sua dívida financeira, que só em 2013, em termos consolidados, já rondavam os 6,4 milhões de euros?

Como é que se compram aviões desadequados para a função e apenas com base em cotações do mercado, ainda por cima transmitidas pelo fornecedor, sem nenhuma participação de peritos e avaliadores?

Toda esta trapalhada regional configura uma espécie de gestão danosa, que tem um nome: crime!

Mesmo que as conclusões da comissão de inquérito sejam enviadas ao Ministério Público e não haja crime jurídico, uma coisa é certa: do crime político muita gente não se safa.

Só por isso é percetível o discurso desresponsabilizador dos deputados do Partido Socialista, numa tentativa inglória de mudar o curso da história, para não chamuscar muita gente da sua área envolvida neste caos de gestão pública até ao pescoço.

Este tipo de discurso já nós conhecemos e desconfia-se que seja o prenúncio das conclusões: ninguém vai ser responsabilizado.

É a sina desta Região e deste país, onde se faz tudo impunemente.

De que se está à espera para nomear uma administração com peritos em aviação, como se faz em todas as companhias aéreas por este mundo fora?

De que se está à espera para nomear uma administração com gente talentosa para fazer contas, com uma visão de negócios à nossa dimensão e com autoridade suficiente para recusar a permanente intromissão política e partidária na gestão da SATA?

Para que serve uma governação e uma Autonomia Regional que nem sabe usar os instrumentos que possuem para solucionar os seus próprios problemas?

Sr. Presidente: saia da zona das «cartas de conforto» e ponha cobro a tanta irresponsabilidade a que assistimos todos os dias em empresas públicas regionais.

Imponha-se, pelo amor de Deus.

Crónica
Não era preciso uma comissão de inquérito para todos sabermos que a gestão da SATA, nestes últimos anos, foi um descalabro.
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