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rss  Vol. XIX - Nº 329         Montreal, QC, Canadá - sábado, 28 de Março de 2020
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Na Igreja São João Batista

Mais de 800 pessoas contactam com o Fado de Coimbra

Reportagem de Nuno Cansado, estagiário

Foi de facto um grande espetáculo, ninguém tem dúvidas. A convite da Fundação LUSOBEC, três guitarristas portugueses e quatro artistas quebequenses conquistaram certamente todos as pessoas que assistiram ao memorável concerto realizado no passado dia 9 de maio. Depois de uma atuação na «Place des Arts», onde o feedback do público foi também muito positivo, o grupo de artistas formado por Filipe Batista e Cathy Pimentel, nas vozes, do violonista Mário Giroux e da pianista Ingrid Hollerbach, juntamente com os guitarristas que vieram de Coimbra, Rui Pato, Octávio Sérgio e Paulo Alexandre, não desiludiu perante uma casa generosamente composta que se formou no magnífico edifício que é a igreja Saint-Jean-Baptiste, situada na rua Rachel na cidade de Montreal. De salientar, a iluminação da sala e a projeção das imagens alusivas a Portugal que muito contribuíram para o bom ambiente que se viveu naquela noite.

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O organizador da noite, eng. Leonardo Soares, quando prestava declarações à nossa colega da LusaQ TV, Ludmila Aguiar, que por sinal também agiu como apresentadora do espetáculo.
Foto Nuno Cansado - LusoPresse

Naturalmente com a presença de muitos portugueses, havia também muitas pessoas de outras comunidades. Certo é, que o Fado é mundialmente conhecido e isso por si só atrai muita gente. Mas há que dar também os parabéns à organização, que para além de apostar na qualidade dos artistas, esteve também à altura na forma como planeou e concretizou este projeto.

O principal organizador do evento, Leonardo Soares, mostrou-se muito satisfeito no final do espetáculo e foi muito direto e realista nas afirmações que deixou ao nosso jornal.

Como acha que correu o espetáculo esta noite?

– Foi exatamente da forma como organizamos e correu como planeamos. Não queríamos uma sala muito cheia, seria uma desordem. As pessoas que vieram aqui foram pessoas que se inscreveram e reservaram o seu bilhete, ou seja, são pessoas que gostam de ouvir fado. Fizemos o evento e o público respondeu.

Tivemos aqui várias comunidades, a portuguesa, a libanesa, a francesa, etc. Todos eles gostam desta música. Temos que fazer isso mais vezes. Temos que fazer eventos para as outras comunidades, só para a nossa não dá. Quando é só para nós os outros não querem estar envolvidos. Isso foi música internacional e nós vemos que o público também o é, em vez de ser só o português. Fomos buscar 3 artistas de Fado de Portugal, 4 artistas daqui do Quebeque e juntámo-los. Temos que misturar o melhor dos dois países, intercâmbio de artistas também faz parte da missão da LUSOBEC.

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Cathy Pimentel, bela atuação!
Foto Nuno Canasado - LusoPresse

De novo, podemos destacar o facto de ter sido um espetáculo feito na Comunidade Portuguesa mas aberto a todas as outras comunidades, pela sua qualidade e capacidade em alcançar vários públicos. Deste modo, ou seja, criando projetos que envolvam as outras comunidades, será sem dúvida uma mais-valia, não só para o sucesso de eventos futuros como será muito importante na promoção da nossa cultura, neste caso através da música. Para além desta, há certamente outro tipo de atrações em Portugal que podem ser admiradas aqui no Quebeque pelas outras comunidades que não a portuguesa.

É isso o que a comunidade não faz, porque é sempre o «chicharro», «é sempre o coiso», isso não dá para ir mais longe. Tivemos aqui hoje pessoas amigas da comunidade judaica, por exemplo, de que gostaram muito. É importante misturar as culturas.

Será este o primeiro de muitos eventos?

– Para cada projeto temos que ter uma base monetária. O orçamento é que diz o que nós podemos fazer.

A LUSOBEC é uma fundação e vai fazer este tipo de evento mas a sua missão é promover a nossa cultura em vários sentidos. Nós vamos tentar concorrer junto de organismos fora da nossa comunidade com os nossos projetos, e vamos também colaborar com os outros organizadores naquilo que for necessário.

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Os sete músicos que impressionaram no sábado, no espetáculo do Fado de Coimbra. Da esquerda para a direita, Ingrid Hollerbach, Mario Giroux, Rui Pato, Octávio Sérgio, Filipe Batista, Cathy Pimentel e Paulo Alexandre.

A LUSOBEC foi lançada porque não houve o apoio dos organismos dentro da Comunidade Portuguesa. Depois comecei a apresentar o projeto fora da nossa comunidade e houve quem me apoiasse.

É um bocadinho óbvio, mas diga. Como surgiu o nome LUSOBEC?

– «LUSO» é tudo o que é português. Lusófono, lusitanos, lusófilos, e «BEC» porque sai do Québec. Nasceu aqui e daqui vamos longe.

Para a nossa comunidade evoluir temos que nos abrir às outras comunidades e outras culturas.

Filipe Batista e Cathy Pimentel

Logo após o concerto, os dois artistas que deram voz ao espetáculo também falaram com o LusoPresse.

Filipe Batista sentia-se visivelmente satisfeito e referiu o seguinte: «Pelo facto de fazermos este concerto, tínhamos a provar aqui a toda a comunidade, particularmente à de acolhimento, porque os portugueses em princípio, digamos não de uma maneira muito convincente, a mesma coisa acontece em Portugal, o fado de Coimbra sempre ficou um bocadinho atrás do fado de Lisboa. Por ser de estudantes, ser mais elitista e intelectual entre aspas, até certo ponto. Mas até não é o caso. A prova está que nós vimos que mulheres extraordinárias, como esta mulher aqui, são capazes de o traduzir de forma convincente. E foi dentro desta perspetiva que eu apostei nesta capacidade. Eu quis provar, nós quisemos provar, a toda a comunidade de acolhimento, antes de mais, daquilo que somos capazes de fazer com qualidade. Profissionalmente falando, fomos buscar artistas de primeiríssimo plano, e estes guitarristas são grandes virtuosos da guitarra portuguesa. Quando vão ao Japão, por exemplo, os bilhetes em 3 meses esgotam-se todos.»

Cathy Pimentel, para além de estar mais habituada ao fado de Lisboa, não se fez rogar e mostrou mais uma vez a sua bonita voz perante várias centenas de pessoas. «Não conhecia muito o fado de Coimbra, foi o Filipe Batista que me falou do projeto com o Leonardo em dezembro passado. O fado de Coimbra é lindíssimo, é um tipo mais clássico, por isso a maneira de cantar também é diferente. E neste sítio encantador, cantar com o Filipe e com estes guitarristas excecionais foi muito bom. Cantar o fado de Coimbra foi maravilhoso para mim.»

Como acham que o público presente recebeu o vosso concerto?

– Muito bem. Foram admiravelmente recetivos a este tipo de manifestação da alma coimbrã, e é de certo modo um desafio, até mesmo em Portugal há um certo pedantismo, aqueles tipos que são muito arrogante que vêm tudo sempre de uma maneira muito crítica, e estão sempre a criticar aquilo que se faz. Provamos uma coisa, os eventos culturais que se fazem fora do País têm qualidade, alma, e tudo o que é necessário para singrar. A prova está que fomos à «Place des Arts» e a maior parte dos quebequenses adorou.

Não sei. Mas uma coisa é certa. Se este nosso grupo fosse lá íamos matar muita peneirice lá em Portugal, íamos dar cabo de muita peneirice.

Mais algum concerto este ano?

– Vontade não falta. Penso que a semente foi lançada agora é uma questão de tempo.

Cathy Pimentel

– Jamais 2 sans 3. Se houver mais oportunidades com o Fado de Coimbra estarei disponível. Continuo com o fado de Lisboa mas também com o meu Manager estamos a trabalhar noutros projetos aqui na América com Boleros e discos de fado.

Filipe Batista

– Eu tenho muitos projetos, com harpa, violoncelo, etc. Vou por mãos à obra para o próximo concerto.

Destaque
Foi de facto um grande espetáculo, ninguém tem dúvidas. A convite da Fundação LUSOBEC, três guitarristas portugueses e quatro artistas quebequenses conquistaram certamente todos as pessoas que assistiram ao memorável concerto realizado no passado dia 9 de maio.
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