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rss  Vol. XIX - Nº 329         Montreal, QC, Canadá - sábado, 22 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Arrebentar com o abcesso

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Pronto. O que todos sabíamos que ia acontecer, aconteceu. Pierre Karl Péladeau foi eleito chefe das tropas independentistas do Parti Québécois.

Embora tudo na sua pessoa e na sua ideologia esteja nas antípodas das tradições pequistas, a verdade é que a grande maioria dos militantes do PQ veem nele o último messias. O único salvador que os vai arrebatar do naufrágio anunciado.

PKP não tem o cariz dum líder. Nunca soube dirigir tropas senão aos berros e aos murros. Não tem o estofo dum «batisseur». O seu empório mediático herdou-o do pai e uma boa parte da sua fortuna foi feita à custa da Caisse de Dépôt du Québec, o mesmo é dizer à custa dos nossos impostos. Fez investimentos ruinosos para a sua empresa e para os seus acionários. É um dos piores patrões anti-sindicalistas que o Quebeque já teve. Para um partido que sempre contou com o apoio dos sindicatos e se orgulhava das suas tradições sociais-democratas, escolher um capitão de empresa deste calibre, revela bem quanto aquele partido está pronto a vender a alma ao diabo, na vã esperança da realização duma utopia do passado.

No entanto, dum ponto de vista federalista, isto foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao Quebeque. Toda a argumentação do novo chefe se reduz a um slogan – fazer a independência custe o que custar. Sabendo como sabemos qual é o estado de espírito da grande maioria dos quebequenses nesta matéria, já reafirmado em dois referendos e mais que corroborado pelas últimas eleições provinciais, sabemos que se trata duma missão impossível.

Mas é preciso que de uma vez por todas este abcesso da separação do Quebeque passe ao bisturi. Era preciso que alguém fosse capaz de por a escolha claramente aos quebequenses – a independência ou a federação para depois passarmos a outra coisa. Presentemente, qualquer que seja o assunto em discussão, tudo anda à volta de antagonismos entre federalistas e independentistas. Ora, é preciso que os problemas sejam discutidos à luz doutras opções como acontece com os debates políticos nas democracias normais, ou seja entre as tendências comunitárias e individualistas, ou seja entre esquerda e direita, para simplificarmos.

A verdade é que mesmo com o peso de todo o seu império mediático por detrás dele, temos a convicção de que não haverá outro referendo, o mesmo é dizer que a espada de Dâmocles vai continuar a pender em cima das nossas cabeças, pelo menos durante a nossa geração. Mas o facto de que o último timoneiro porventura capaz de levar o barco ao porto final acabe por dar à costa em frangalhos vai ser um bálsamo para os que querem fazer do Quebeque um estado moderno, investindo as suas energias para o bem da sua população e não das quimeras do estado-nação, resquício romântico do século passado.

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