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rss  Vol. XIX - Nº 329         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 02 de Junho de 2020
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A política do «amiguismo»

Por Osvaldo Cabral

A Cultura sempre foi o parente pobre dos governos e dos políticos.

Ela é gerida ao nível da terceira linha das estruturas políticas, por gente, quase sempre, escolhida no fundo do baú dos partidos.

Sendo um pote pouco avençado nos orçamentos de cada ano, resta aos seus responsáveis repartir as migalhas pelos amigos mais chegados ao poder.

Critérios de mérito e justiça é mentira. Isto são coisas para figurar, apenas, nos discursos inflamados das campanhas eleitorais.

Há poucos dias um escritor de renome nacional, a residir na ilha Terceira, foi alvo de uma «press-trip» pouco habitual no nosso meio regional.

A sua editora trouxe uma comitiva de jornalistas para o entrevistar e conhecer o meio ambiente do autor, a propósito do seu novo romance, a ser lançado na próxima semana a nível nacional.

A editora pediu apoio à Direção Regional da Cultura e a outras instituições regionais.

Todas responderam afirmativamente, incluindo a Direção Regional.

Só que, no dia antes da viagem, a editora recebeu a espantosa informação da Direção Regional açoriana de que o despacho... não tinha sido aprovado!

Ou seja: um escritor açoriano no mercado nacional? Um romance que é um hino às ilhas? Jornalistas que se deslocam propositadamente à ilha para conhecerem o ambiente insular do escritor?

Coisa pouca. Isto não são critérios suficientes.

Ou será porque o escritor é o coordenador do gabinete de estudos de um partido da oposição?

Coincidência, não é?

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TIROS NOS PÉS – O PSD-Açores perdeu o norte na estratégia política.

Depois do incrível processo da escolha dos candidatos à Assembleia da República, resolveu arranjar, repentinamente, uma treta formal para interromper as audições na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Grupo SATA, quando a coisa até lhe estava a correr de feição.

Provavelmente para retirar do palco regional a polémica deste inquérito e voltar a por na ordem do dia a polémica que lhe está a chamuscar a militância interna sobre o tal processo dos candidatos à Assembleia da República.

Há cada mistério...

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EU PAGO, COM UMA CONDIÇÃO – O Dia dos Açores, na próxima segunda-feira, vai ser celebrado nas Lajes das Flores.

Para fazer a cobertura da cerimónia oficial, o Governo Regional fez saber aos órgãos de comunicação social que apoia a deslocação de todos àquela ilha, ao abrigo de um decreto-lei de 2013, mas com uma condição...

Percebe-se que, face às dificuldades da comunicação social açoriana, seja de interesse público apoiá-la neste tipo de deslocações, com custos que nem todos podem suportar.

Só que no convite aos Média, o Governo Regional diz que o requerente deve fazer o pedido «acompanhado de uma breve nota justificativa sobre o relevante interesse público na cobertura das comemorações do Dia da Região».

Mas desde quando é que a comunicação social tem que justificar previamente ao governo o que é ou não do interesse público?

Onde é que está escrito, no edifício legislativo que regula a imprensa neste país, que os jornalistas têm que escrever «notas justificativas» sobre se os acontecimentos que o governo promove são de interesse público?

E quem é que no governo avalia esta justificação?

Com que critérios?

E se a justificação não for aceite?

E se os órgãos de comunicação social se recusarem a justificar, o que é que acontece?

São riscados, com lápis azul, da lista?

Estou em crer que este episódio não passa de um deslize, por «excesso de zelo», do tradicional funcionalismo público regional controleiro e burocrático.

Mas antes que ele se espalhe, aqui fica a denúncia para que se corte o mal pela raiz.

Açores
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O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

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