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rss  Vol. XIX - Nº 328         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Abril de 2020
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Final da Liga dos Campeões da CONCACAF

Impacto perde para clube superior

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Na verdade, ninguém esperava que uma equipa que acaba a época em último lugar da sua liga, no caso a MLS (Major League Soccer), seis meses depois possa estar a disputar a prova máxima (Liga dos Campeões) do seu continente, chegando mesmo à etapa derradeira... E não a ganhou, esta é a nossa opinião, por demasiados erros próprios, que adiante iremos esclarecer. Aqui não se tira, como é lógico e evidente, nenhum mérito ao vencedor, o Clube América, o mais rico e poderoso clube de toda a América do Norte, Central e Caraíbas, regiões que formam a CONCACAF...

 

Comecemos pelo princípio

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Nigel Reo-Coker, o capitã.

De 2014 para 2015, há que assumir, o Impacto reforçou-se com alguns jogadores. Bakary Soumare (29 anos, maliano), Laurent Ciman (29 anos, belga), Nigel Reo-Coker (30 anos, inglês), Marco Donadel (32 anos, italiano), Dominic Oduro (29 anos, ganês), os mais conhecidos, e ainda com os jovens americanos Cameron Porter (21 anos) e Donny Toia (22 anos), o argentino Victor Cabrera (22 anos) e o jamaicano Romario William (20 anos). Mesmo se os americanos Eric Alexander (27 anos) e Eric Kronberg (31 anos) foram contratados para esta época, eles não entram nestas contas da Liga dos Campeões visto terem participado nesta mesma prova na fase de grupos, ainda em 2014, ao serviço do Nova Iorque Red Bull e Sporting Kansas City, respetivamente.

Já o avançado americano Kenny Cooper, contratado a todo o vapor e disponível para os dois jogos da final, acabou no banco, sem ser utilizado... No jogo do México percebeu-se, pois acabava de chegar... Mas no jogo de Montreal, quando foi preciso atacar, o que fazia (fez) Kenny Cooper no banco dos suplentes?...

Mas se foi buscar jogadores novos, também é verdade que o Impacto ficou sem algumas peças que a continuarem, em nossa opinião, ainda poderiam ajudar a equipa. Estão neste caso Marco Di Vaio, que foi para a reforma, e Felipe, que ingressou no Nova Iorque Red Bull por troca com dois jogadores (o citado Eric Alexander e Oyongo, internacional senegalense de 23 anos), principalmente.

Isto para dizer que o Impacto tem uma equipa sensivelmente do mesmo calibre que em 2014. Então, dirão alguns, como se percebe este desempenho do Impacto ao chegar à final desta Liga de Campeões?

Muito equilíbrio

A MLS é uma liga onde o equilíbrio prevalece. Para o espetador atento salta logo à vista os resultados apertados, onde as goleadas, que no entanto também aparecem, como é lógico do futebol em qualquer lugar, não são frequentes, além de que ganhar fora tem muito que se lhe diga... É desta maneira que uma equipa tanto pode ser última num determinado momento do ano como, depois, ser campeã de zona ou mesmo da liga. Há casos frequentes do que fica dito. Por exemplo, em 2013 o DC United acabou a temporada em último lugar com apenas três escassas vitórias... O ano passado, o DC United venceu o Campeonato da Zona Este!

Com este exemplo queremos demonstrar porque é que o Impacto apesar de último da tabela classificativa em 2014 acaba de fazer carreira na Liga de Campeões. Porque o nível futebolístico dos países com melhores campeonatos na zona da CONCACAF, Costa Rica, Estados Unidos – onde se inclui, claro, o Impacto – e México são muito equivalentes. De resto, nesta competição, que mudou de nome e de formato a partir dos anos 2000, os seus vencedores são costa-riquenhos (6 troféus), Estados Unidos (2 troféus) e os restantes pertencem todos aos mexicanos. Não esquecer que a Major League Soccer só existe a partir de 1996...

Porquê a derrota?...

Primeiramente porque o Clube América é melhor! Quem tem avançados como Oribe Peralta, titular da seleção mexicana, e o argentino Dario Benedetto, a mais cara transferência do futebol asteca da última época, a juntar ao central Ventura Alvarado, novo internacional dos Estados Unidos, tem condições, como equipa, para se bater contra qualquer adversário, como se verá em dezembro, no Japão, quando se disputar o Mundial de Clubes.

É nesta perspetiva que se aceita perfeitamente que o Clube América seja o novo campeão da CONCACAF, rendendo o seu rival Cruz Azul. Por ser melhor que os seus antagonistas canadianos; por ter mais experiência nestas andanças – igualou em títulos, seis, o Cruz Azul – e por ter beneficiado de alguns erros primários cometidos pelo Impacto...

Falta de condição física!...

Quanto a nós, foram três as condições que levaram o Impacto à derrota numa final de que nem nos seus melhores sonhos pensou que seria possível.

Tudo começou na arbitragem que, no jogo do México privou o conjunto canadiano de fazer um possível segundo golo, que tudo poderia ter mudado, para mais com a expulsão, mais do que merecida e não concretizada, do faltoso defesa mexicano. Não expulsou o mexicano em flagrante delito, mas mostrou um amarelo ao guarda-redes azul e preto que o fez não poder alinhar na segunda-mão da final... Porque sabia que Evan Bush não jogaria em Montreal se levasse um cartão amarelo, soube-o da própria boca do guardião americano do Impacto, o árbitro hondurenho não se livra da especulação. Errou de novo o árbitro, pois que a haver cartão amarelo era para o avançado Peralta, agressivo no final do jogo, quando a todo o custo queria retirar a bola das mãos de Bush...

Sem guarda-redes credível – o reforço para o posto de guarda-redes, Eric Kronberg, não pôde ser utilizado por já ter alinhado nesta prova no fim da época passada –, o Impacto virou-se então para um guardião alemão de 34 anos, Kristian Nicht, a jogar no Indy Eleven, da Segunda Divisão americana, para alinhar no jogo decisivo... Mesmo se jogou na Primeira Divisão alemã (no Estugarda), Kristian Nicht não esteve à altura do papel que foi chamado a desempenhar... E isto desde os primeiros minutos da partida, em que várias vezes esteve perdido no meio da sua área, valendo-lhe a prontidão com que os seus companheiros puseram cobro aos problemas. Na segunda parte, quando se sabia que o América tudo ia tentar para mudar o rumo das coisas, pois perdido por um, perdido por mil, logo na primeira dificuldade que teve, Kristian Nicht, falhou... Não que o remate de Benedetto não tivesse sido espetacular, numa tesoura a fazer lembrar os grandes golos de Artur Jorge ao serviço do Benfica e de Portugal em tempos idos, mas porque a bola lhe fez a «barba», ao entrar entre o seu corpo e o poste do lado direito.

Com a igualdade na eliminatória, o Impacto ainda tentou resistir, indo para o ataque já sem... ataque. Ao abrir-se na procura do milagroso tento que lhe voltasse a dar a dianteira na eliminatória, cá está mais um frango do gigante alemão, que não conseguiu prever onde a bola ia cair, numa mudança de trajetória da bola, a um metro da baliza, que foi aproveitada agora por Peralta. Tudo fácil. Diga-se, no entanto, que outros jogadores falharam, a começar por Nigel Reo-Coker, adaptado a lateral direito, numa má decisão do seu treinador. Miller, que jogou no México na segunda parte em substituição de Camara, que fazia no banco de suplentes?

A partir do segundo golo deu pena ver os jogadores do Impacto a arrastarem-se pelo campo... Percebe-se a descrença, mas o que ficou evidente foi a falta de pernas dos seus jogadores. Então uma equipa que está em início de época, que beneficia das benesses da sua liga, que adia três jogos do campeonato para que ela se concentre na final, e essa equipa demonstra que um dos seus maiores problemas é precisamente a condição física, como aliás reconheceu o seu próprio treinador? Ao invés do Impacto, o Clube América disputou todos os seus jogos, um deles no domingo anterior e decisivo para a disputa do primeiro lugar da Liga Mexicana; viajou na segunda-feira e ainda teve de se adaptar ao piso sintético, desconhecido da maioria dos seus atletas...

Portanto, resumindo e concluindo, má arbitragem, guarda-redes fraco para as necessidades e condição física periclitante fizeram com que a bela aventura do Impacto na Liga dos Campeões 2014/15 terminasse em derrota dolorosa. Ainda se os resultados tivessem sido feitos ao contrário (derrota lá e empate cá)... Se assim fosse, a derrota era muito mais «comestível...».

Desporto
Na verdade, ninguém esperava que uma equipa que acaba a época em último lugar da sua liga, no caso a MLS (Major League Soccer), seis meses depois possa estar a disputar a prova máxima (Liga dos Campeões) do seu continente, chegando mesmo à etapa derradeira... E não a ganhou, esta é a nossa opinião, por demasiados erros próprios, que adiante iremos esclarecer.
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