logo
rss  Vol. XIX - Nº 328         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 02 de Abril de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

As condecorações banais

Por Osvaldo Cabral

Mais um ano de condecorações e mais uma polémica com o chumbo de personalidades propostas.

As comemorações do Dia dos Açores já se tinham tornado numa coisa banal, porque recheada de discursos políticos, numa romaria de funcionários públicos e de partidos, sem qualquer adesão popular, mesmo aproveitando-se dos festejos do Espírito Santo.

Agora temos mais uma banalidade política a acrescentar ao foguetório: as condecorações a eito cozinhadas nos gabinetes da Assembleia Regional.

A este ritmo, daqui a poucos anos não haverá população suficiente para ser condecorada.

Em vez de uma lista restrita e de elite de condecorados, as insígnias autonómica tornaram-se num compromisso partidário em que todos aceitam um falso consenso em nome de uma extensa lista de pessoas que contenta cada uma das áreas políticas de influência.

Por este mundo fora, as condecorações são uma manifestação de rigor e seriedade e escolhidas por comissões próprias, constituídas por pessoas idóneas e de reconhecido mérito na sociedade, por sua vez escolhidas, geralmente, pelos magistrados da nação, como acontece no nosso país.

A nossa Região deve ser das poucas do mundo onde os partidos políticos é que apresentam listas de condecorados.

Provavelmente um pouco semelhante à Coreia do Norte...

Sem desprimor para os condecorados, os «penduricalhos», como dizia o saudoso Jorge Nascimento Cabral, tornaram-se numa banalidade regional a que já ninguém dá importância.

É como ir à mercearia e comprarmos couves ao preço da uva mijona.

****

COFRES CHEIOS – Há no discurso do governo de Passos Coelho um paradoxo desconcertante e sintomático.

Por um lado quer dar a imagem de que o país já recuperou da crise, de que saímos do fundo do poço e que terminou o ciclo da austeridade, mas logo a seguir anuncia medidas de mais restrições, novos cortes e até já assume que será preciso cortar mais 600 milhões de euros na Segurança Social, comprometendo o futuro de muitos reformados.

Não se percebe este discurso, ufano e arrogante, de um governo que proclama os «cofres cheios», para logo a seguir ficar desvendado que, afinal, trata-se de um governo pobretanas, que continua a gastar à tripa forra e não tem a sabedoria suficiente para reduzir despesas ou aplicar reformas profundas na máquina do Estado, em vez de aplicar cortes e prolongar a agonia dos cidadãos.

Os cortes nos salários, que eram para ser repostos no final da intervenção da troika, afinal só terão a reposição concluída em 2020!

Nas pensões, vem agora propor a eliminação em dois anos da contribuição extraordinária da solidariedade, mas logo a seguir aponta para mais cortes, desta vez no valor de 600 milhões de euros.

No plano fiscal, ao contrário do prometido, também só em 2020 é que os contribuintes deixarão de pagar a sobretaxa do IRS.

Em resumo: este governo falhou nas metas que tinha proposto aos portugueses, apesar do discurso cor-de-rosa que os seus titulares pintam a toda a hora.

Em outubro saberemos como é que os eleitores responderão a este falhanço.

Mas se for como vêm mostrando as sondagens, então é porque a oposição tem um discurso ainda pior, sem convencer ninguém.

De uma coisa parece haver a certeza: durante muitos anos, com políticos destes, Portugal não sairá da cepa torta.

****

VERGONHA – A indiferença da comunidade internacional sobre os milhares de imigrantes que se afogam no Mediterrâneo é uma dor de alma.

Já todos sabíamos que os líderes europeus eram de uma mediocridade a todos os títulos incomparável, mas a indiferença com que agem perante o trágico cemitério em que se tornou o Mediterrâneo é simplesmente inqualificável.

Já não bastava o encolher de ombros das instituições internacionais face aos genocídios e massacres provocados por grupos radicais e fundamentalistas. Agora soma-se a lamúria sobre os naufrágios dos imigrantes e não passa disto.

Como escrevi ainda esta semana, organizações como a ONU, essa instituição onde estão todos os países do mundo responsável, tornaram-se num recanto confortável para diplomatas em fim de carreira, gozando os luxos das avenidas de Nova Iorque.

Era colocá-los num daqueles barcos de papel e deixá-los à deriva no Mediterrâneo, para sentirem na pele o que é uma tragédia que envergonha a humanidade.

Açores
Mais um ano de condecorações e mais uma polémica com o chumbo de personalidades propostas.
As condecoracoes banais.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020