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rss  Vol. XIX - Nº 327         Montreal, QC, Canadá - domingo, 05 de Julho de 2020
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Décimo quinto Dia da Mulher do LusoPresse

Breves dados sobre as 15 homenageadas

Depois de aqui se ter relatado o que foi a Festa do 15° Dia da Mulher do LusoPresse, este ano com dois dias de promoções, hoje queremos apresentar, para ficar para a História Comunitária, um breve resumo do que são ou fizeram as 15 Mulheres escolhidas pelo LusoPresse, nomeadamente, no decorrer da sua atividade profissional.

Com o slogan de «15 anos, 15 Mulheres», o LusoPresse, em mais uma inédita iniciativa, conseguiu reunir um leque de Mulheres de grande valor, de todos os quadrantes da comunidade, e de todos os domínios de atividade, do Desporto ao Jornalismo; da Dança à Educação; da Política à Gastronomia e por aí adiante.

Pena é que o LusoPresse não tenha decidido escolher, neste 15° aniversário – uma eternidade para este tipo de iniciativa – o dobro de Mulheres, pois que nomes com capacidade para isso não faltariam... Mas regras são regras e por isso ficaram de fora Mulheres com tanta capacidade como as que agora foram escolhidas.

Mas haverá mais Dias da Mulher organizados pelo LusoPresse no futuro, estamos certos. E com eles, outras iniciativas serão levadas a efeito sempre com a intenção de valorizar a Mulher Portuguesa desta comunidade.

Posto isto, cá ficamos à espera de março do próximo ano.

Norberto Aguiar

 

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Luísa Querido

Chegou ao Canadá em 1970. Em 1972 começou a trabalhar no projeto Perspective Jeunesse, o primeiro de suporte aos imigrantes portugueses, o qual consistia na ajuda do preenchimento dos formulários para o desemprego, a emigração, o socorro social, etc. Depois de vários projetos sempre de ajuda aos imigrantes, trabalhou também em projetos de verão com as crianças da comunidade.

Tendo organizado encontros da comunidade portuguesa com representantes do governo do Quebeque, aí surgiu o convite para um programa de televisão em português, o qual começaria em fins de 1973, sob a direção de Carlos Querido, a TV Comunitária. Profissionalmente trabalhou em contabilidade, em bancos, no Turismo de Portugal.

Depois da morte do marido, continuou o programa de televisão comunitária com o filho, Pedro Querido, o qual viria a acabar em 1997. Em 2001 voltou a animar uma nova emissão televisiva em português até à sua aposentação.

 

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Odete Cláudio

Chegou ao Canadá em 1972, com o marido, cinco filhas e dez anos de experiência como professora primária. Depois de pequenos empregos e a opinião do oficial da emigração de que nunca poderia trabalhar na sua profissão, acabou por ser convidada pela Luísa Querido para um projeto junto dos imigrantes. Foi assim que acabou como professora na escola da Missão Santa Cruz. Resolveu voltar aos estudos e começou na Universidade Concordia um programa de Psicologia, tendo mudado para a UQAM para um Bac de ensino do Francês em escolas inglesas. Foi neste ensino que fez carreira desde 1976 até à sua aposentação, em 2002. Paralelamente, ensinou na escola portuguesa o nível secundário, organizou programas de ensino, encontros de professores, elaborou cadernos de exercícios, participou no programa PELO, e foi professora de português dos netos. Só terminou esta atividade em 2012 por razões de saúde. Publicou livros de histórias para crianças em português e para adultos em francês e inglês sobre espiritualidade.

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Adelaide Vilela

Chegou ao Canadá em 1978, vinda de Angola, após o fim da guerra colonial. Depois de alguns pequenos empregos e ajudar mesmo o marido no trabalho de limpezas, começou a trabalhar no Hospital Royal Victoria, onde recebeu a formação de enfermeira auxiliar como então se fazia, e aí continuou durante 14 anos. Entretanto voltou aos estudos para estudar jornalismo. Trabalhou no Emigrante, na Voz de Portugal e é colaboradora do LusoPresse desde há anos. Também ensinou, mas a sua principal atividade tem sido a escrita. Publicou até agora oito livros de poesia, tendo alguns sido traduzidos em espanhol. É presidente de duas associações de artes na Venezuela e membro de outras na América Latina, como a Casa do Poeta. Orgulha-se que a filha aqui nascida fale português e que a neta, cujo pai é marroquino, também fale a nossa língua. Insiste muito para que as famílias leiam às crianças para perpetuar a nossa língua e conta publicar em breve um livro de histórias para elas.

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Jacinta Amâncio

Nascida numa pequena aldeia, estudou em Angola, deu um salto a Lisboa para continuar os estudos mas acabou por voltar para Angola, onde se formou em História. Depois da chegada ao Canadá ensinou na escola portuguesa, dando aulas de português e de história. Começou quase imediatamente a trabalhar na Caixa Desjardins Portuguesa, onde subiu todos os escalões até chegar ao posto de diretora. Adora o trabalho que faz, não só porque gosta de números, mas pelo contacto com os clientes e o clima de confiança que a Caixa estabeleceu com eles. A Caixa Portuguesa tem uma bela aura na rede das Caixas Desjardins e é conhecida pela inovação, os produtos oferecidos à clientela e a qualidade do seu serviço.

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Paula de Vasconcelos

Chegou ao Canadá com 4 anos, numa família que nunca opôs barreiras à sua vocação. Como muitas meninas estudou ballet, mas cedo descobriu que, sendo tímida, preferia ser coreógrafa a dançar. Estudou teatro na Concordia onde conheceu o marido, com quem fundou a companhia Pigeons International em 1987, de que é a diretora artística. Tem criado vários espetáculos de teatro-dança, de grande beleza, sempre saudados elogiosamente pela crítica. Desde a Trilogia da Terra, «Kill Bill» e em 2014 «Grâce à Dieu, ton corps». Para além desses espetáculos, inovadores, com dançarinos de todos os horizontes, neles têm participado artistas de teatro de grande prestígio, como Sylvie Moreau e Pascale Montpetit. Tem apresentado os seus espetáculos em Portugal e através do mundo, além de ensinar em diversas universidades do Canadá e ser membro de júris na área das artes em comités canadianos. Sempre viveu na comunidade portuguesa, o seu atelier de dança é na avenida do Parc, e assim é natural que alguns dos seus espetáculos tenham raízes portuguesas, como um dos últimos, «Boa Goa», sobre a viagem de Vasco da Gama à Índia e o seu impacto nessa sociedade.

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Alexandra Mendes

Chegada ao Canadá em 1978, com 15 anos de idade, nunca viveu na comunidade portuguesa e tem pouco contacto com ela, pois sempre habitou Brossard. Foi educada pela mãe na língua francesa enquanto viveram em Portugal mas o português impôs-se quando aqui desembarcaram. Viveu o 25 de Abril em Portugal e foi aí que se apaixonou pela política. Trabalhou durante 15 anos na Maison International, um organismo comunitário, de ação política não partidária. Aos 38 anos decidiu entrar na política ativa e fê-lo como assessora do deputado do seu distrito eleitoral. Quando o deputado se retirou aceitou ser candidata do Partido Liberal do Canadá por Brossard em 2008, e ganhou as eleições depois de uma recontagem de votos. Foi presidente do Partido Liberal e será de novo candidata nas eleições federais no fim deste ano. Confessou neste momento viver a mais extraordinária experiência da sua vida, a de ser avó a tempo inteiro, de um bebé de poucos meses de idade.

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Maria Fernanda Oliveira

Chegou ao Canadá em 1960, vinda do Faial, depois da erupção do vulcão dos Capelinhos. O marido já tinha sido proprietário de um restaurante e acabou abrindo dois restaurantes em Montreal. Ela dedicou-se à família e implicou-se como benévola na comunidade. Em 1979, quando o deputado liberal fez pressão para que os portugueses se naturalizassem, ela iniciou uma grande ação junto dos compatriotas e, nas vésperas do referendo de 1980, tinha conseguido que 1 500 se tivessem tornado cidadãos canadianos e, assim, tivessem adquirido o direito de voto. Fez campanha abertamente pelo «Não», o que nem sempre lhe trouxe simpatias, tendo chegado a ser insultada e mesmo agredida, mas conseguiu obter que os portugueses tivessem o direito de se exprimir, sem passar pelas mesmas dificuldades que teve à sua chegada aqui. Recebeu diversas homenagens do governo canadiano e em 1986 foi nomeada presidente da comunidade portuguesa do Quebeque. Ainda hoje, depois de mais de meio século de trabalho benévolo, continua de serviço, certas pessoas chegam a contactá-la pelo telefone, indo mesmo bater-lhe à porta. Foi a primeira mulher portuguesa a ter-se candidatado a um posto político, ao nível municipal.

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Sílvia Garcia

Nasceu em Lisboa e era pequena quando os pais emigraram para a cidade de Quebeque. Aí frequentou a escola inglesa, e depois fez estudos de arquitetura e de engenharia. Com 16 anos começou a militar no Partido Liberal do Quebeque e em 1994 apresentou-se num distrito eleitoral considerado como seguro. Não ganhou as eleições por uma razão circunstancial. Entretanto trabalhou durante vários anos nas suas duas carreiras, ora como arquiteta, ora como engenheira, e ainda hoje é membro das duas ordens. Foi em seguida conselheira do Primeiro-Ministro Jean Charest durante 4 anos, e depois das ministras da Cultura Christine St-Pierre e da Justiça Kathleen Weil. Em 1999 veio viver para Montreal, cidade que para ela tinha uma aura de festa, pois era aqui que os pais vinham ao Soares & Filhos abastecer-se de produtos portugueses, além de que o pai foi o arquiteto da igreja portuguesa. O marido, um canadiano francês, não só fala bem o português, também cozinha à portuguesa. Os filhos falam e escrevem bem a nossa língua e até puderam beneficiar do ensino da história portuguesa que ela não teve. Hoje é Chefe de Gabinete Adjunta do presidente da Câmara Municipal de Montreal, Denis Coderre.

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Ana Maria Rodrigues

Chegou ao Canadá com 3 anos de idade. Nessa altura ainda não havia escola portuguesa em Montreal e foi em casa com os pais que aprendeu a ler e escrever o português. Foi uma das primeiras da sua geração a fazer estudos universitários. Tendo estudado linguística, deu aulas numa escola inglesa mas isso não a satisfez pois não gostava dos programas que não tinha qualquer possibilidade de mudar. Cedo tinha descoberto que havia muitas injustiças na sociedade e também falta de apoio aos imigrantes. Começou então a trabalhar no Centro de Referência e de Promoção Social, e em 1996 começou a desenvolver o programa de luta contra a pobreza e de apoio aos recém-chegados. Analfabetos puderam aprender a ler e a escrever, e crianças catalogadas como pouco inteligentes puderam completar os seus estudos. Entre elas, existe alguém que foi até um pós-doutoramento.

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Isabel dos Santos

Natural de Faro, chegou ao Canadá nos anos 90. Depois de estudar em Lisboa no Conservatório, trabalhou como atriz, nos anos pós 25 de Abril, em que o teatro tinha tudo a inventar. A máxima «Torna-te no que tu és» guiou-a e fundou a primeira companhia de teatro do Algarve. Pediu então uma bolsa para vir ao Quebeque ver o que aqui se fazia e, apesar da feminista que era, procedeu ao contrário, tomando marido e país nesta terra. Hoje o marido não só fala português como possui também o passaporte português. A primeira oportunidade foi-lhe dada por Michelle Roussignol no Théâtre d´Aujourd´hui. Trabalhou em vários projetos, no teatro, no cinema, na televisão e também em política municipal. Na sua passagem pela Câmara Municipal de Montreal realizou o projeto dos bancos portugueses do Boulevard St-Laurent e só lamenta não ter tido tempo para os fazer classificar como arte pública e não simples mobiliário urbano. Tendo deixado a política, voltou à sua antiga paixão e estará este verão no Teatro Prospero numa tragédia grega.

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Julie Pereira

É filha de imigrantes, pertence à segunda geração, e é profissional de carreira. Apesar dos açorianos em geral não incitarem os filhos a prosseguirem os estudos para além da escola secundária, ela completou uma formação em contabilidade e finanças e é Comptable Agréé. Depois de ter atingido o topo na empresa em que trabalhava como revisora oficial de contas, como não queria associar-se mudou para outra empresa como fiscalista onde é presentemente diretora-geral. O marido também é um luso-descendente e os dois filhos falam português. Depois de ter estudado ballet, aos 16 anos integrou um grupo de dança folclórica, onde hoje ensina e a filha e ela própria dançam. Utiliza esse ensino dentro do rancho folclórico como uma forma de privilegiar o uso do português entre os jovens. Tem pena que a nossa comunidade tenha ainda hoje uma das mais baixas taxas de diplomação universitária.

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Helena Loureiro

Chegou ao Canadá em 1988 e foi exatamente Maria Fernanda Oliveira, uma das homenageadas deste ano, quem lhe forneceu o primeiro contrato de trabalho. Começou a trabalhar numa creche mas inscreveu-se imediatamente no Instituto de Hotelaria, pois queria aprender a cozinhar «com manteiga», visto que já sabia fazê-lo «com azeite». Depois da experiência duma caldeirada com cenouras num clube português, qualquer coisa de insólito para ela, e da cozinheira da creche ter ficado doente, nunca mais deixou de cozinhar, tanto no dito clube como na creche. Em 2010, porque os filhos já estavam mais crescidos, abriu o primeiro restaurante, o Portus Calle. Diga-se como um parênteses, que ele foi classificado entre os 10 melhores restaurantes de Montreal e há poucos dias entre os 100 melhores do Canadá. Em 2012 abriu o segundo restaurante, o Helena, e em 2014 o Cantinho de Lisboa. Tem uma surpresa para este ano mas não avançou mais. O livro de cozinha «Helena: 100 recettes portugaises», que escreveu para os canadianos, vendeu 8 000 exemplares, um imenso sucesso. Começou a preparar um novo livro de receitas, ainda para o meio canadiano. Mesmo se os dias na restauração são muito longos, adora o que faz, pois «vende prazer todos os dias».

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Clementina Santos

Chegou ao Canadá em 1977, no mês de janeiro, e no dia seguinte houve uma das maiores tempestades do século passado, com autocarros que não circulavam, escolas fechadas e tudo o resto. A partir daí, o tempo nunca mais a assustou. Embora tivesse uma formação de educadora infantil que exercia em Portugal com muito sucesso, como no centro da emigração lhe disseram não ter qualquer hipótese nesse ramo, pôs a ideia de lado. Começou a trabalhar no Centro Comunitário St-Louis, onde participou num teatro inovador para a época, com Carlos Querido, e num projeto de alfabetização. Havia na comunidade muitos analfabetos, alguns assumidos mas muitos que o escondiam. No Centro havia também um jornal em 5 línguas e uma rádio comunitária, que é hoje a Radio Centre-Ville. Esteve ausente durante a infância da filha, mas mais tarde voltou ao mundo do trabalho colaborando na Télé-Québec e na Radio Centre-Ville, onde ainda continua, como uma das grandes promotoras deste meio de comunicação comunitário. Presentemente é a Conselheira das Comunidades Portuguesas do Canadá pelo Quebeque.

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Cristina Paulino

Nascida no Canadá, é proprietária duma escola de ballet. Formou-se em Direito pois queria seguir jornalismo e completou um mestrado em Ciências da Comunicação. Como também gostava muito da dança que praticava desde criança, foi para a frente com o projeto do negócio de abrir uma escola. Contudo, depressa compreendeu que as duas coisas não eram possíveis. E escolheu a dança, procurando criar na sua escola um ambiente calmo, propício ao desenvolvimento das crianças, e de acompanhar a formação dos professores. Através da escola, situada no boul. St-Laurent, aproximou-se da comunidade portuguesa. Foi criada no meio de portugueses, os amigos dos pais eram portugueses, sempre frequentou os restaurantes portugueses e tem muito orgulho de pertencer a esta comunidade.

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Meghan Benfeito

Por estar em competição na Itália não pode estar presente. Nascida em Montreal em 1989, é uma atleta em saltos para a água, individualmente e em duo com Roseline Filion. A primeira medalha ganhou-a aos 16 anos, no Campeonato Mundial da Fina em Montreal. As duas atletas ganharam a medalha de bronze em 2005, na sua cidade. No ano seguinte voltaram a ganhar o bronze nos Jogos do Commonwealth em Melbourne. Meghan ganhou ainda nesse ano uma medalha de bronze em competição individual na China. Nos primeiros Jogos Olímpicos onde participaram, em Pequim, classificaram-se em 7º lugar. O ano de 2010 foi um de grandes sucessos para ela e no ano seguinte ganhou a medalha de prata no Campeonato Mundial da Fina. Nos Jogos Olímpicos seguintes, os de Londres em 2012, ganhou a medalha de bronze com Roseline Filion. A lista de todas as medalhas ganhas, em duo ou em solo, é longa. Este pequeno enunciado é apenas para dar uma ideia da atleta excecional que ela é.

Por Vitória Faria e Nuno Cansado

Comunidades
Depois de aqui se ter relatado o que foi a Festa do 15° Dia da Mulher do LusoPresse, este ano com dois dias de promoções, hoje queremos apresentar, para ficar para a História Comunitária, um breve resumo do que são ou fizeram as 15 Mulheres escolhidas pelo LusoPresse, nomeadamente, no decorrer da sua atividade profissional.
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