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rss  Vol. XIX - Nº 327         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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O complexo de Édipo

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Conta a mitologia grega que numa tarde cinzenta e invernosa, em pleno cenário bucólico – provavelmente semelhante à pacatez natural de uma ilha açoriana – Laio, Rei de Tebas, terá sido abordado por um Oráculo, que o alertou para o seu futuro inesperado: «vais ser assassinado pelo teu próprio filho!».

Incrédulo, Laio jamais pensaria que o filho, de seu nome Édipo, fosse capaz de tal traição, ele que demonstrava tanto amor ao pai e à mãe.

Um mito é um mito e a história diz que ele se confirmou.

O ato de Édipo foi estudado, muitos anos depois, por um senhor psicanalista chamado Sigmund Freud.

No livro «A interpretação dos sonhos», publicado em 1899, Freud explica o porquê deste fenómeno como conjunto de desígnios amorosos e hostis que uma criança experimenta em relação aos pais, dando-lhe o nome de «complexo de Édipo».

Para o psicanalista, o desejo edipiano – disputa entre a criança e o progenitor – é um fenómeno universal psicológico inato dos seres humanos e a causa de culpa inconsciente.

Recordo esta história por uma razão muito simples: olhe-se para o que o PSD dos Açores se prepara para fazer a Mota Amaral.

O complexo de Édipo acaba mal.

Depois de matar o pai, Édipo automutilou-se...

****

OUTROS COMPLEXOS – Os Açores sofrem de uma patologia crónica a que eu chamei, numa nota de há alguns meses, o fenómeno do «há-de-se ver».

Vem aí tempestade?

Vêm aí as low-cost?

Vêm aí as quotas leiteiras?

Pois há-de-se ver...

Atente-se a isto: dez dias depois da entrada em vigor do novo modelo de transportes aéreos é que a SATA criou um site na internet para facilitar a vida aos passageiros que pretendem encaminhamentos.

Onze dias depois foi a vez do Secretário Regional de Turismo anunciar uma linha telefónica de apoio aos passageiros para quaisquer esclarecimentos sobre o novo modelo.

Uma semana depois é que os taxistas vieram avisar que irão colocar placas informativas com os tarifários da bandeirada.

Quase quinze dias depois da operação é que «descobriram» que a TAP tinha abandonado as rotas do Faial e Pico, que isso era «competência da República» e que, afinal, havia «um acordo entre a TAP e SATA» para estas rotas.

Três dias depois é que também descobriram que os CTT, afinal, não estavam preparados para pagar os re-embolsos.

Mesmo em cima do início do novo modelo é que o Secretário Regional fez romaria pelas ilhas, em sessões de esclarecimento promovidas pelo partido, para explicar a nova operação, enquanto os comerciantes e o município de Ponta Delgada, por seu lado, reuniam-se na Câmara de Comércio para debater o impacto do novo cenário.

Tudo em cima do joelho.

A patologia não tem cura.

****

FESTIVAIS – Outra doença regional é aquela em que o que é de fora é que é bom.

As nossas autarquias são pródigas nesta aposta dos de fora para cabeças de cartaz, enquanto os de cá de dentro vão minguando por uma oportunidade para mostrarem as suas qualidades.

Não é só na área artística e festivaleira.

A parada já vai em ilustres personalidades desconhecidas promovidas a celebridades.

Quem é Sampaio da Nóvoa?

Qual a sua ligação aos Açores?

Desde quando um candidato a candidato presidencial é condição para ser orador numa festa comemorativa de elevação de vila a cidade?

Apenas por afinidade partidária?

Há gente que se deslumbra com o dinheiro dos contribuintes.

Crónica
Conta a mitologia grega que numa tarde cinzenta e invernosa, em pleno cenário bucólico – provavelmente semelhante à pacatez natural de uma ilha açoriana – Laio, Rei de Tebas, terá sido abordado por um Oráculo, que o alertou para o seu futuro inesperado: «vais ser assassinado pelo teu próprio filho!».
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O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

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