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rss  Vol. XIX - Nº 327         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 30 de Março de 2020
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Editorial

Um cravo no caixão

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Depois de vermos as tristes cenas que nos ofereceram alguns professores da Université du Québec à Montréal (UQAM), e em particular as declarações da presidente do sindicato dos «eméritos» docentes daquela instituição aos microfones da Radio-Canada, em relação ao vandalismo e aos atos de sabotagem dos estudantes mascarados, que dizer senão, parafraseando Churchill, que se aos 18 anos não és revolucionário, és um jovem sem ideais, mas se continuas nessa vereda aos 50 és um grandessíssimo asno!

Sim, só duma turma de burros – que se intitulam professores – é que se podia esperar que fossem ao ponto de se interporem entre a polícia e os malfeitores – ditos «estudantes» – em nome da «sacrossanta» universidade que lhes paga o salário e de acusarem depois o próprio reitor de ser o responsável. Foram ao ponto de pedir a demissão dele, imagine-se!

O que eles, os professores, acabam de fazer é pregar a última cavilha no caixão que os vai levar à cova.

Qual é o pai que vai pagar para um filho que queira ir para aquela universidade?

Qual é o aluno que vai querer ter um diploma da UQAM, quando já, muito antes destes tristes acontecimentos, os diplomas daquela universidade eram considerados como de segunda ordem? Agora, para além da desvalorização do canudo, vão também ter que enfrentar a fama de que são alunos arruaceiros, anarquistas, comunistas, revolucionários que poucas empresas terão a coragem de aceitar nos seus quadros.

Foi nesta galera que a direção do sindicato dos professores da UQAM resolveu embarcar, mal sabendo que quando os alunos começarem a escassear vai ser o posto de trabalho deles que vai para o ar. Linda solidariedade asinina.

Felizmente que nem todos os professores bebem daquela água. E no início desta semana quase duas centenas de professores daquela instituição enviaram uma carta aos mídia a denunciarem o seu próprio sindicato. Entre os signatários estava o ex-líder estudantil, antigo dirigente do Parti Québécois e antigo primeiro-ministro, Bernard Landry.

Diga-se que esta reação, um pouco tardia para não dizer pusilânime, surgiu no seguimento das declarações da atual presidente do Conselho de Administração daquela Universidade, Lise Bissonnette que, corajosamente, ousou defender frontalmente o reitor da UQAM e oferecer-lhe a sua solidariedade. Convém dizer que Madame Bissonnette é uma figura intelectual que tem merecido o respeito de todo o Quebeque, desde os tempos em que dirigiu o jornal Le Devoir, passando pela sua aclamada ação com principal obreira da nova Biblioteca Nacional do Quebeque. Convém respigar aqui, algumas passagens da sua declaração:

«Si sanctuaire il y a à l'université, c'est celui de la pensée, poursuit-elle. Une pensée qui n'est pas unanime, qui se construit sur une constante mise à l'épreuve des connaissances, échange et choc des idées qui, sauf si elles expriment haine, menace et censure, ne devraient pas connaître d'entraves.»

«Ce qui a heurté cette liberté à l'UQAM, ce n'est pas l'intervention policière, mais l'irruption dans une partie du campus de bandes organisées, substituant le hurlement à la parole, décrétant que l'enseignement, donc le libre cours des idées, y était hors d'ordre.»

O que é duma tristeza infinita, no meio de tudo isto é que são os próprios estudantes, futuros contribuintes, que vão ter de pagar a fatura. Vão começar por arrecadar todos os prejuízos que estão a causar a si próprios, protelando o fim dos estudos. Vão continuar por sofrer depois a falta de verbas que a universidade devia consagrar ao ensino e que vão ser desviados para reparar os estragos e aumentar a segurança, isto sem contar com a mencionada desvalorização do curriculum académico perante os futuros empregadores.

Por este andar é o próprio movimento estudantil que vai ir por água abaixo.

Editorial
Depois de vermos as tristes cenas que nos ofereceram alguns professores da Université du Québec à Montréal (UQAM), e em particular as declarações da presidente do sindicato dos «eméritos» docentes daquela instituição aos microfones da Radio-Canada, em relação ao vandalismo e aos atos de sabotagem dos estudantes mascarados, que dizer senão, parafraseando Churchill, que se aos 18 anos não és revolucionário, és um jovem sem ideais, mas se continuas nessa vereda aos 50 és um grandessíssimo asno!
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