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rss  Vol. XIX - Nº 326         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Homens e mulheres

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

O marido de uma das mulheres que intervieram no sábado passado na mesa-redonda que o LusoPresse organizou para homenagear 15 mulheres da nossa comunidade, fez mais ou menos esta reflexão – «Penso que se quiséssemos reunir 15 homens da comunidade com um valor semelhante aos das mulheres que aqui estão, ia ser difícil».

Esta é uma constatação que há longo tempo se verifica no mundo da emigração, e não só com a comunidade portuguesa. Regra geral, as mulheres imigrantes integram-se muito mais facilmente e muito mais profundamente na sociedade de acolhimento que os homens.

Uma grande maioria dos homens, sobretudo os continentais, emigram com a ideia de um dia poder voltar. Vivem cá, mas com um certo desconforto. Sentem-se como alguém que se encontra sentado entre duas cadeiras. Nem estão cá, nem estão lá. Há-os mesmo que se passeiam entre os dois países. Quando estão lá em baixo, enervam-se com o modo como se continua a viver no velho país. Quando estão cá, morrem de saudades pela terra que os viu crescer.

Já com as mulheres, em geral, ou se adaptam e adotam o novo país ou nunca se adaptam e voltam sem hesitar. São uma minoria as que se encontram nesta categoria, mas há-as.

Compreende-se facilmente que a maioria goste de cá estar. Para muitas a nova vida é uma promoção social aos seus próprios olhos. Em Portugal, muitas vezes não passavam de donas de casas e mães de filhos. Existiam nos olhos do marido e da sociedade como mulheres casadas. As que tinham um emprego, geralmente era subalterno. Como operárias ou camponesas tinham uma vida duplamente carregada. Ao trabalho fora de casa vinha juntar-se a responsabilidade das lides caseiras e da criação dos filhos.

Mesmo se os tempos mudaram, ainda não é raro ver em Portugal a mulher com um filho ao colo, outro pela mão, na outra mão um saco de compras, enquanto o marido vai à frente de mãos nos bolsos ou a fumar um cigarro.

Pode ser uma caricatura mas é a realidade de muitas mulheres.

Aqui, na nova sociedade, mesmo a trabalharem nas funções mais humildes, como mulheres-a-dias ou nas oficinas de confeções, sentem que a mulher canadiana e particularmente a quebequense, tem um estatuto de independência e autossuficiência que a mulher imigrante rapidamente reclama para si mesma.

É frequente, em certas casas, que o homem pense mais em por os filhos a trabalhar do que a estudar. E mesmo neste caso, são muitas vezes as mulheres que tomam a defesa dos filhos e os incitam a irem mais longe, académica e profissionalmente, do que foram os pais.

Esta deve ser uma das razões principais que levaram as mulheres homenageadas pelo LusoPresse no âmbito da celebração do 15º aniversário do Dia da Mulher, a tomarem uma parte tão ativa como a que tomaram, não só em relação à própria comunidade linguística como, e muito principalmente, à nova sociedade de acolhimento.

Quer tenha sido no mundo das artes, do teatro ao ballet, passando pela literatura, que seja no campo da política ou do desporto, no campo da economia e da gastronomia, do ensino, das comunicações ou da ação social, ou tão simplesmente como profissionais ou operárias, qualquer que seja o ramo, as nossas mulheres têm dado um contributo extraordinário, várias vezes sublinhado pela imprensa do país de acolhimento, que nos dão um justificado orgulho.

A reportagem deste evento que publicamos neste número, é a prova do que avançamos.

Parabéns a todas as homenageadas.

Bem hajam!

Editorial
O marido de uma das mulheres que intervieram no sábado passado na mesa-redonda que o LusoPresse organizou para homenagear 15 mulheres da nossa comunidade, fez mais ou menos esta reflexão – «Penso que se quiséssemos reunir 15 homens da comunidade com um valor semelhante aos das mulheres que aqui estão, ia ser difícil».
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