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rss  Vol. XIX - Nº 326         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 09 de Julho de 2020
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A Arte

Contemporânea do esbanjamento

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A política, segundo dizem, é a arte de administrar.

Na minha terra, os populares dizem que é a arte de irem aos nossos bolsos e fazerem o que querem dos nossos impostos.

Saber administrar o Estado não é o mesmo que gerir uma mercearia, mas o conceito de prioridades políticas que vamos vendo por aí é mais rudimentar que as antigas mercearias nas esquinas da nossa localidade.

Os 13 milhões investidos no Centro de Arte Contemporâneas é um bom exemplo da megalomania política que se apoderou de quem usa e abusa dos dinheiros públicos para contentar clientelas que sobrevivem à custa do erário público.

Gastar 1 milhão de euros por ano só para manter as portas abertas do mastodonte é outra provocação às centenas de famílias que, ali ao lado, passam por enormes dificuldades sociais e a quem são negados os benefícios para as necessidades mais básicas, com o argumento das «dificuldades orçamentais».

O município de Ponta Delgada ainda acordou a tempo, mas não se livrou de pagar o pecado de gula ao gabinete de Oscar Niemeyer.

Mas estamos a sair de uma... e o governo já anuncia outra.

Agora é a Casa da Autonomia, outro sorvedouro de milhões públicos, sem pés nem cabeça nesta conjuntura, mas que tem de andar com ou sem muletas porque é um capricho de famílias políticas habituadas a gerir o dinheiro dos outros.

O que é que há de pensar um fornecedor da SATA quando recebe aquela carta a pedir «compreensão» e «revisão» do calote?

O único acionista da transportadora não tem dinheiro para manter a empresa a sobreviver sem mendigar, mas tem para gastar a rodos nas coisas mais improdutivas e sem qualquer alcance social e económico para a grande maioria dos cidadãos.

Fecham-se unidades de saúde, não se criam empregos, não se gere riqueza, mas brinca-se às fábricas da cultura de elite política.

Esta cultura do gasto à tripa forra, para contentar apenas uns poucos, já faz escola em muitos organismos públicos e, ao que parece, sem nenhum reparo das altas cabeças do organograma político regional.

O caso (mais um caso) da Associação de Turismo dos Açores é outra exemplaridade original desta paródia gastadora.

Se olharmos para a atividade da ATA – cuja função é promover o turismo dos Açores – a única coisa que cresceu naquele organismo, nos últimos anos, foram as dívidas aos bancos e os gastos com o seu pessoal!

Reparem bem nesta história da carochinha: o turismo nos Açores veio sempre a cair aos trambolhões por aí abaixo, mas os gastos com pessoal da ATA vão no sentido inverso, 163 mil euros em 2010; 280 mil em 2011; 292 mil em 2012; 499 mil em 2013; e no ano da pior crise, 2014, já vai nos 716 mil!

Os juros bancários passaram de 16 mil euros em 2010, para meio milhão em 2014!

As dívidas bancárias passaram de 3 milhões e meio em 2010, para mais de 9 milhões em 2014!

As dívidas a fornecedores duplicaram no mesmo período!

E foi preciso chegar a este ponto – a vinda das low cost – para que o turismo seja agora encarado com mais otimismo do que os números da entidade promotora governamental.

Só é pena que as low cost não resolvam tudo, especialmente trazer aos magotes a «vernissage» internacional para apreciar o rococó das Artes Contemporâneas e tomar um chá das cinco nas Casas da Autonomia desta terra cada vez menos autonomizada...

                                                    ****

O EXEMPLO DA MADEIRA – Mais umas eleições e mais bons ventos de cidadania. Desta vez foi na Madeira, mesmo aqui ao lado, com o movimento de cidadãos «Juntos pelo Povo» a conquistar cinco lugares no parlamento e a posicionar-se como a quarta força política do arquipélago.

Já as eleições em Andaluzia tinham trazido, também, boas notícias sobre a intervenção de grupos de cidadãos na política.

Se os partidos tradicionais, aqui nos Açores, se prepararem para este embate – que há de chegar – como se prepararam para a chegada das low cost, estão bem amanhados...

Crónica
A política, segundo dizem, é a arte de administrar.
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