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rss  Vol. XIX - Nº 325         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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O amadorismo da SATA

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A SATA é, definitivamente, um caso perdido.

E tal como ela, há muitas outras empresas do setor empresarial público regional que estão metidas num buraco descomunal, numa agonia dorida ano após ano.

A carta que a administração da SATA enviou a semana passada aos seus fornecedores é uma espécie da encomenda das almas, envolta numa liturgia exequial de uma empresa que parece gerida por amadores.

Se a administração da SATA queria descarregar a consciência junto de centenas de fornecedores, a quem não paga a tempo e horas, devia ter pegado no telefone e apresentava as suas justificações num contacto direto e mais afetivo.

Escrever uma missiva, mal redigida, e enviá-la a toda a gente, inclusive a quem não fornece serviços à SATA, é revelador do desespero e desorientação que reina na transportadora regional.

Mais grave ainda é enviar a carta por email contendo os endereços eletrónicos de todos os fornecedores, alguns deles confidenciais.

Toda a gente ficou a conhecer quem são os fornecedores da SATA e todos eles ficaram a conhecer os endereços de email uns dos outros!

Ao que parece o governo não gostou – com razão – e a administração lá se viu na obrigação de, no dia seguinte, emitir um «esclarecimento», que é pior a emenda que o soneto, pois ninguém acredita que no espaço de um dia houvesse fornecedores a perdoar qualquer calote.

Ao que chegou a Autonomia Regional: nunca se viu uma empresa, que tem como único acionista o governo da nossa região, escrever uma carta aos fornecedores a pedir «compreensão»...

O caso é tão caricato que alguns dos fornecedores, também com dificuldades de tesouraria, têm vindo a ser pressionados por departamentos do governo para cumprirem com as suas obrigações fiscais.

Ou seja, o acionista da SATA, que não paga o que deve à transportadora, para esta cumprir com as suas obrigações junto dos fornecedores, é o mesmo que depois vai pressionar os fornecedores para cumprirem com as suas!

Se isto não fosse tão sério e tão grave, até dava para rir.

O descalabro que vai na SATA (e nas sucessivas tutelas) e que se vai agravar quando forem reveladas as contas de 2014 («um desastre», diz quem já as conhece) pode ter muitos culpados, mas há um que não escapa ao julgamento final sobre a maneira como a empresa foi gerida nestes últimos anos: o acionista.

Já aqui escrevi e volto a sublinhar: o descalabro da SATA começou no dia em que Carlos César mandou embora o Eng. Manuel António Cansado.

Daí para cá, a política sobrepôs-se à gestão profissional da empresa, como está a acontecer noutras, com resultados semelhantes.

Agora estamos a pagar por isso.

E o pior é que todos nós, contribuintes, é que vamos pagar a fatura.

Sem podermos escrever cartas a fornecedores e prevaricadores...

                                                     ****

PARLAMENTO – Se há carta que todos os açorianos certamente gostariam de enviar a um fornecedor, reclamando por um produto que não vale 10 milhões de euros por ano, é ao parlamento regional.

A vergonha a que temos assistido nos últimos plenários, com uma série de episódios inqualificáveis, fazem jus ao nivelamento por baixo quando suas excelências escolheram a presidente que têm.

O desdém com que a população olha para os deputados e parlamento é fruto dos «tristes espetáculos» a que se refere, com carradas de razão, o Prof. Avelino Meneses.

Aqui está mais uma empresa em que os acionistas sabem que os seus administradores não valem o que ganham.

É mais uma carta fora do baralho.

Crónica
A SATA é, definitivamente, um caso perdido.
O amadorismo da SATA.doc
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