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rss  Vol. XIX - Nº 325         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 26 de Maio de 2020
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Não há políticos perfeitos

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

É confrangedor assistir a um debate político nesta santa terra.

Não há ideias nem pujança argumentativa consistente.

O que há são acusações, tiradas indecorosas, preconceitos pessoais, moralismos serôdios, muita linguagem barroca e uma permanente desculpa com o passado.

Passos Coelho vive agora esse fantasma.

Não é um cidadão perfeito e está longe de ser um líder perfeito.

Se houvesse perfeição na política, a respetiva classe estaria hoje a discutir como é possível a máquina trituradora do Estado ter tratamento benévolo para cidadãos que tentam escapar aos seus compromissos fiscais.

Estaríamos a discutir reformas que não se fizeram e não se fazem, em vez do eleitoralismo do costume.

Teríamos um primeiro-ministro e um líder da oposição a trabalharem em conjunto pela melhoria das condições sociais daqueles que não podem pagar ao Estado, porque o Estado e a respetiva máquina rapina lhes levaram tudo.

Em vez de nos concentrarmos na substância, gastamos as forças nas quezílias pessoais.

Estamos a meia dúzia de meses das eleições e já percebemos que tudo vai descambar, mais uma vez, para o confronto populista do caráter de cada um.

A exigência do mérito e a qualidade das ideias são fenómenos imperfeitos na política.

Discutem-se os cargos, a repartição de sinecuras para calar os críticos internos, a atribuição de bênçãos aos que bajulam a corte e a vigilância atenta dos que ousam pensar pela sua cabeça sem a ilusão de frequentarem os corredores palacianos.

A mediocridade destes tempos políticos é transversal por esta Europa fora.

Não há líderes de gabarito, mas gente curvada e sem estaleca para coisa nenhuma.

Cá dentro, até o Chefe da Nação dá mostras inequívocas de que já ultrapassou o prazo de validade.

Noutro plano, entre nós, os momentos políticos também não são exaltantes.

O desvario partidário que se apoderou de tudo o que é público, transformou a comunidade açórica numa romaria de pensamento egoísta e cada vez mais isolada.

O debate sobre o plano de revitalização da ilha Terceira foi esclarecedor desta forma indigna de se discutir, seriamente, o presente e o futuro de uma comunidade.

O dinheiro, a inveja, o ciúme, as acusações, as divisões, o caciquismo, as capelinhas políticas, os bairrismos doentios, veio tudo ao de cima como uma panela solta num buraco das caldeiras.

Tudo se tem resumido a uma trágica discussão do que não é essencial, porque a política tornou-se nisso mesmo: uma escola vulgar de eleitoralismo barato, sem compaixão para com as pessoas e os mais carenciados.

A verdade, dura, é esta: os Açores, no que toca a coesão, estão completamente retalhados.

De resto, à imagem e semelhança do país político. Dividido, desacreditado e desorientado.

Quando a política não é perfeita, é impossível haver políticos perfeitos.

****

MAIS MEIA DOSE – Aí está mais um exemplo da incompetência política no nosso reino.

Só agora é que descobriram que o diploma sobre a redução de impostos, afinal, não pode ser discutido no plenário deste mês porque tem que baixar a uma comissão qualquer e ainda serem ouvidos os Conselhos de Ilha!

É assim que se faz política para os cidadãos.

Já levávamos apenas com meia dose do que nos foi retirado dos impostos antes de 2013, agora vão aprovando as reduções às meias doses parlamentares...

E foi para isto que se fez a Autonomia?

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