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rss  Vol. XIX - Nº 325         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Homens sem qualidade

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Ao longo da sua história, raramente Portugal teve homens a governá-lo com tão pouco valor como os que têm estado à frente do país nos últimos anos.

A série negra começou com um socialista e agora continua com um social-democrata, como que para provar que a mediocridade não tem cor política.

Primeiro foi José Sócrates que «comprou» o diploma de «Engenheiro» numa universidade de vão de escada, a «Independente», que tinha tanto de académica como qualquer site Internet que vive da venda de títulos académicos e que por isso mesmo foi obrigada a fechar. Entre outros alunos famosos aquela «universidade» teve também Armando Vara, outro socialista, que concluiu o Curso de Relações Internacionais, três dias antes da sua nomeação para a Administração da Caixa Geral de Depósitos, cargo que deixou de exercer para assumir a presidência do Banco Comercial Português. Amadeu Lima de Carvalho, acionista maioritário da SIDES, empresa detentora da extinta Universidade Independente, está acusado de mais de 40 crimes, incluindo branqueamento de capitais, burla qualificada, corrupção e fraude fiscal.

José Sócrates procurou depois criar uma certa virgindade académica quando foi tirar um mestrado em Ciência Política na Escola Doutoral do Instituto de Estudos Políticos de Paris, mas nem isso lhe valeu contra a prisão preventiva em que se encontra devido às acusações por suspeita de crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais que pesam sobre a sua pessoa. É fartar vilanagem!

Agora temos o senhor Passos Coelho que começou a sua carreira política na Juventude Social-Democrata, e que como tarimbeiro subiu por aí acima até chegar a primeiro-ministro sem a menor bagagem académica digna desse nome. Não se pode dizer que o diploma de licenciatura da Faculdade de Economia da Universidade Lusíada, tirado em 2001, com 37 anos de idade abone muito a favor do seu titular que levou mais de vinte anos para tirar um tal diploma!

Mas, se por um lado não foi bom aluno, foi um ótimo oportunista quando se pôs a trabalhar como consultor independente junto de gente fortunada que o ajudaram a preparar o caminho para chegar aonde chegou. Só que durante esse período de tempo esqueceu-se das suas obrigações fiscais e Portugal tem hoje um primeiro-ministro com cadastro nas finanças.

Claro que não faltará gente para defender que os diplomas não são imprescindíveis para dirigir o país. Mas quando vemos o estado lastimável a que chegaram os portugueses, é caso para nos interrogarmos sobre a competência ou incompetência dos seus dirigentes.

Se no final do mandato de José Sócrates a situação económica já deixava muito a desejar, o que se pode dizer do mandato do atual primeiro-ministro é que as coisas atingiram dimensões jamais imaginadas.

Desde que Passos Coelho passou a dirigir o governo o número de pobres passou de 2 milhões para 3 milhões, um aumento de 50 porcento. O número de desempregados passou de 700 mil para um milhão e 400 mil, um aumento de cem porcento. O número de esgotamentos duplicou. Um quinto da população sofre de problemas de ordem psíquica diagnosticada.

Toda a gente fala de crise económica, mas a maior crise em Portugal não é de ordem financeira, é de ordem moral. Não se pode dizer que não há recursos, que não há dinheiro. O que não há é justa repartição desses recursos. Nunca Portugal teve tantos e tão ricos milionários como hoje.

Só nos dois últimos anos, segundo os cálculos do Crédit Suisse, o número de milionários portugueses aumentou de 28 porcento. Neste momento, 10 porcento dos mais ricos são detentores de 60 porcento da riqueza total do país. Só em 2014, Portugal contava com mais 10 700 milionários que no ano anterior. Em seis casos, o património líquido deles está avaliado entre 500 milhões e mil milhões de dólares americanos.

O que é isto senão o resultado duma política deliberada para favorecer as classes altas em detrimento do resto da população?

Só no final da monarquia se tinha assistido a uma tal debandada dos princípios mais elementares da gestão pública do estado. Todos sabemos como ela acabou. O que quer dizer que o país está pronto para um novo 25 de abril.

 

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Ao longo da sua história, raramente Portugal teve homens a governá-lo com tão pouco valor como os que têm estado à frente do país nos últimos anos.
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