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rss  Vol. XIX - Nº 325         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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Camané no Teatro Outremont

Que bela soirée luso-quebequense!

Vitória Faria

Por Vitória Faria

Como o LusoPresse tinha vindo a anunciar, e o jornal La Presse noticiou na «Agenda» do seu caderno Arts et Spectacles de sábado passado, teve lugar na bela sala do Teatro Outremont o espetáculo Fado Camané.

Com a sala completamente cheia, e por cálculo a olho nu por cerca de um terço de quebequenses, foi o diretor do teatro, Raymond Cloutier, que fez a apresentação do espetáculo. Para iniciação ao Fado daqueles que não têm o português como língua materna, Sophie Faucher, grande dama da cena montrealense, não só como atriz mas também como autora e animadora, no teatro como no cinema e na televisão, emprestou a sua voz para dizer em francês cinco dos poemas que Camané cantaria, poemas de alguns dos maiores poetas da nossa língua, como Fernando Pessoa, David Mourão-Ferreira e Pedro Homem de Melo. A tradução dos textos deveu-se ao Prof. Luís de Moura Sobral e Louise Thibaudeau.

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Depois, foi a noite de fado, com a voz potente e melodiosa de Camané, acompanhado à viola por José Manuel Neto, à guitarra por Carlos Manuel Proença e no contrabaixo por Paulo Paz.

Começou com o fado Complicadíssima teia, sobre um poema de António Botto, e continuou com Luz de Lisboa, Ela tinha uma amiga, Mote, Quadras, Ser aquele, e muitos mais. Decerto que os seus admiradores já os conheciam bem, embora um deles, do disco que gravou há uma semana, fosse cantado em cena pela premira vez. Já perto do fim, pedindo desculpa pelo seu francês num francês um pouco hesitante, anunciou que iria cantar uma canção de Charles Trenet, a famosa «Que reste-t-il de nos amours». Seja dito de passagem, que a interpretou com uma dicção impecável.

Numa homenagem ao grande fadista que foi Alfredo Marceneiro, cantou um dos seus fados. Voluntariamente alongou o número de fados anunciados e, dados os aplausos delirantes da assistência, cantou mais dois. Ainda lá estaríamos a escutá-lo de bom grado, e por diversas razões: a qualidade dos poemas, da música, dos acompanhantes e, finalmente, da magnífica voz do fadista. Não admira que seja considerado a melhor voz masculina do Fado.

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Antes do espetáculo Camané aceitou dar uma entrevista à LusaQ TV e ao nosso jornal.

Na véspera tinha atuado em Toronto, vindo diretamente de Nova Iorque onde se deslocou para algumas entrevistas. O artista tinha iniciado a sua tournée norte-americana com um concerto em New Bedford e estava previsto que o seguinte fosse em Washington mas uma terrível tempestade de neve obrigaram-no a adiá-lo para o próximo ano.

Quando lhe perguntaram que diferença achava entre a reação dos portugueses deste lado do oceano e os de Portugal, a resposta foi clara. Os daqui reagem com mais saudade, pois muitos estão afastados do país há muito tempo, e nem sempre por vontade própria. Quanto à reação daqueles que não partilham a nossa língua, a sua conclusão é que o fado ultrapassa a barreira da língua e seduz pela sua melodia. O fado fala do quotidiano, do amor, da tristeza, da alegria e sempre fez parte da vida dos portugueses, nas fases boas como nas más.

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Camané, no fim do espetáculo, quando falava para a LusaQ TV.
Foto  - LusoPresse

Quando era jovem Camané ouvia fado enquanto os outros jovens da sua idade escutavam rock. Começou a cantar com 17 anos e nessa altura todos os seus colegas tinham mais de 50 anos. Confessa que foi só a partir do segundo disco que a sua carreira descolou pois foi então que ficou claro que ele se demarcava do fado mais tradicional, com letras de grandes poetas. Ele foi o precursor da nova classe de fadistas, onde se inscreve Mariza e outros jovens.

Estava muito contente com a participação de Sophie Faucher. Conheceram-se por um acaso. Ela fazia uma tournée em Espanha com uma peça que ela escreveu sobre a pintora Frida Kahlo «La Casa Azul», encenada por Robert Lepage, quando alguém a levou a escutar o fado, cantado por Camané. E a atriz apaixonou-se, não só pela nossa canção nacional, como pela voz potente e suave do fadista. Daí que ela quisesse participar neste espetáculo, pondo em realce a beleza dos textos que canta Camané.

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Sophie Faucher.
Fotógrafo  - LusoPresse

Depois do concerto, o fadista voltou ao hall do teatro para conviver com aqueles que o tinham vindo escutar, para grande alegria dos admiradores, e sobretudo das admiradoras, que desejavam fazer-se fotografar a seu lado. Foi esse o momento que Emanuel Linhares escolheu para vir agradecer a colaboração da Caixa Portuguesa para a realização deste espetáculo e anunciar que seria servido um Porto de honra aos presentes. Que bela maneira de acabar a nossa soirée portuguesa!

Destaque
Como o LusoPresse tinha vindo a anunciar, e o jornal La Presse noticiou na «Agenda» do seu caderno Arts et Spectacles de sábado passado, teve lugar na bela sala do Teatro Outremont o espetáculo Fado Camané.
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