logo
rss  Vol. XIX - Nº 324         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Abril de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Um governo trapalhão

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Vasco Cordeiro tornou-se nestes dias num bombeiro cheio de pesadelos.

Não sabe para onde se virar para apagar tantos fogos, graças às inúmeras trapalhadas de alguns dos seus principais secretários.

O Presidente do Governo, de repente, vai a todas, aparece em todo o lado, e o que dá em fartura não corresponde, por vezes, a boa cozedura...

Os casos nos transportes e turismo sucedem-se com uma regularidade estonteante, mais parecendo um ritmo padrão que tem tanto de firmeza como as ondas onde navega a Atlânticoline.

O anterior presidente da SATA bateu com a porta, o da Atlânticoline segue-lhe o rasto e não tarda nada o vírus hemorrágico pega nas restantes empresas públicas periclitantes.

Só não pega – claro – nas cabeças responsáveis pelo cabeço do Pico...

A Saúde tornou-se noutro setor onde todos já percebemos que também navega em mar grego.

O debate no «Grande Plano», da RTP-A, foi a confirmação de que temos um secretário regional sério – é certo – mas politicamente inexperiente e sem mão no setor.

Rui San-Bento ministrou-lhe uma injeção tão paralisante que até Vasco Cordeiro vai requisitar, aposto, o respetivo genérico para aplicar nalguns cronistas...

Os resultados em tantas áreas deste governo têm sido muito pobres e não admira a série de vozes de alguns socialistas a manifestarem-se incomodados com tanta trapalhada.

A remodelação do governo a meio do mandato revelou-se pouco eficaz e, a esta hora, o respetivo líder deve estar arrependido de não ter envolvido mais alguns no mesmo embrulho.

Contrapor estes sinais não é fácil e os conselheiros do Palácio de Santana nem sempre acertam.

A ânsia de querer mostrar resultados positivos, em contraponto com estas trapalhadas, resulta às vezes em espetáculos desagradáveis.

Foi o caso do anúncio dos subsídios para os desempregados de longa duração.

Quem seguiu pelas imagens o nível de estrelato a que alcançou a classe desempregada da nossa região, deve ter ficado com a noção do destino que aguarda esta nova geração autonómica.

Reunir centenas de desempregados numa sala de espetáculos e prometer-lhes a luz que ilumina as trevas, nem nas «50 sombras de Grey»...

O comício açórico parecia uma antecipação dos enredos dos bailinhos terceirenses.

Para que é que um empresário açoriano se há de preocupar em procurar mão-de-obra no mercado de trabalho, se tem à perna um governo que resolve fazer-lhe concorrência e distribuir salários pelos desempregados de longa duração, com funções certas em organismos públicos?

E para que é que um desempregado se há de aplicar na procura de trabalho, habilitar-se à formação profissional ou empreendedorismo e sair da sua zona de conforto, se tem todos os meses um pecúlio de mão beijada sem mexer uma palha?

Em troca só tem de comparecer num auditório pejado de outros na mesma situação, expor-se à chamada para assinar o ponto, mostrar às televisões e aos fotógrafos a sua condição de cidadão escolhido para a bem-aventurança e, no final, ouvir profeticamente a boa nova discursiva, seguida de aplausos mais ou menos contidos e apertos de mão submissos.

De ora em diante deixaremos de ouvir falar em «flagelo social», em «exclusão», em «custos de contexto», em «estágios», em «contratações a termo certo», a «majorações», «isenções» e contribuições».

O futuro é garantido neste quadro de esplendor social, escrito no desígnio das carteiras escolares: «Quando fores grande, hás de ser desempregado de longa duração!».

****

DESAPROVEITADOS – José Medeiros Ferreira foi desaproveitado pelo país, é verdade, mas também pela região.

Tal e qual os ex-presidentes dos Governos Regionais dos Açores, que não são aproveitados pela região depois de tantos anos de experiência política e governativa.

Deviam ser investidos em funções de representação regional em fóruns internacionais ou nos órgãos institucionais das ilhas ultraperiféricas, numa espécie de diplomacia paralela.

Mas nos Açores somos assim, em quase tudo.

Cada um à sua sorte...

Crónica
Vasco Cordeiro tornou-se nestes dias num bombeiro cheio de pesadelos.
Um governo trapalhao.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020