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rss  Vol. XIX - Nº 324         Montreal, QC, Canadá - domingo, 16 de Fevereiro de 2020
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Em quem votar?

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

À medida que nos aproximamos de outubro parece evidente que vai havendo muita gente dividida entre um PSD seriamente fragilizado pela governação de Passos Coelho e um PS ainda a digerir o fantasma da era socrática.

O empate técnico revelado pelas sondagens é uma boa notícia para a coligação, a quem se previa um resultado penalizador pelos quatro anos de forte austeridade imposta aos cidadãos, e uma má notícia para os socialistas, que nesta altura do campeonato já deveriam ter descolado, ainda por cima com novo líder.

Também comungo da opinião de que o mérito desses resultados não está na coligação, mas no demérito de António Costa, ao não cuidar melhor nas propostas alternativas a este governo.

O líder socialista teve, até agora, um discurso de permanente protesto contra a austeridade, contra o corte de pensões, contra o corte de salários, contra as medidas na Justiça (que ele conhece bem) e contra o descalabro na Educação, mas ainda não apresentou um modelo alternativo que se visse com credibilidade.

Passos Coelho é o rosto de uma política austera e cansada, é certo, mas António Costa, se quer ganhar as eleições, terá que dizer a todos nós como é que vai fazer diferente.

A «chinesice» tão badalada nos últimos dias só vem provar que o discurso do líder do PS ainda não tem consistência e anda muito ao sabor das correntes.

Falta apenas pouco mais de um semestre para as eleições e não é crível que, até lá, alguma força política consiga a maioria absoluta.

Os pequenos partidos vão arrebanhando algumas franjas de descontentes à esquerda, enquanto o novo partido de Marinho Pinto deverá fazer alguma mossa à direita, com um discurso populista muito à semelhança da campanha para as europeias.

O mais certo é o PS e a coligação terem de se entender após as eleições, o que não é nada agradável para um país já dominado pela máquina do centrão e onde está provado que nem todos têm a mesma estratégia face à política europeia e às reformas necessárias internamente.

Já aqui tinha escrito e agora parece mais claro: a atual classe dirigente, saída da formação das jotas, é muito medíocre e não tem a experiência de vida do cidadão comum.

Vivem à base dos partidos e do poder repartido pelos seus interesses pessoais e de grupos influentes.

É só ver o que aconteceu nestes últimos tempos.

Um «esqueceu-se» que tinha cinco anos de segurança social para pagar e o outro quer isentar fiscalmente o maior clube português.

Não há dúvida que, até outubro, vamos ouvir muita gente a perguntar: mas votar em quem?

                                                 ****

TROFÉUS – O pior que pode existir em política e com os políticos é exibirem publicamente a desgraça dos outros em proveito pessoal e mediático.

Critiquei a semana passada o facto de Vasco Cordeiro não ter resistido à tentação de juntar centenas de desempregados de longa duração num auditório, para anunciar novas medidas de apoio, perante toda a comunicação social.

É um conjunto de gente fragilizada, que sofre os problemas tormentosos do desemprego, com consequências familiares e sociais, e ainda por cima têm que mostrar a cara a toda a região.

Agora foi Ricardo Rodrigues, Presidente da Câmara de Vila Franca, que seguiu o exemplo, numa moda pouco edificante para políticos com a experiência de ambos.

Os autarcas vila-franquenses reuniram mais de duas centenas de desempregados que integram os programas de Ocupação, no Pavilhão Açor Arena, e ainda puseram-nos em pose de fotografia, numa escadaria, como se exibissem um troféu à semelhança de outros espetáculos de pavilhão.

Pelo amor de Deus, não percam tempo com fotos e dediquem-se mais a resolver os problemas das milhares de famílias desempregadas e dos tais que estão nos programas de Ocupação, que já vão em mais de cinco mil, com um peso enorme na ilha de S. Miguel.

Isto sim, é a política que todos os açorianos sonham, desde os primórdios da primeira Autonomia, que perfaz agora exatamente 120 anos.

Não deem cabo do sonho.

Crónica
À medida que nos aproximamos de outubro parece evidente que vai havendo muita gente dividida entre um PSD seriamente fragilizado pela governação de Passos Coelho e um PS ainda a digerir o fantasma da era socrática.
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