logo
rss  Vol. XIX - Nº 323         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Provincianismos...

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O pé-de-vento que se desencadeou por estas ilhas fora por causa do plano de revitalização da Terceira é a prova de que vivemos, politicamente, numa Autonomia provinciana.

Alguns exageraram na comparação com as suas ilhas e outros, que se limitaram a criticar o conteúdo do documento, foram logo incluídos na mesma ronha do bairrismo provinciano.

Ora, o plano do governo regional não é imaculado.

Tem propostas que devem ser aproveitadas e aperfeiçoadas na perspetiva do desenvolvimento económico da ilha, mas tem outras que não passam de um ressuscitar de promessas eleitorais falhadas, porque não têm impacto nenhum na geração de riqueza.

Compreende-se e é de louvar a capacidade de resposta do governo, no sentido de sossegar a população terceirense, mas um plano elaborado no silêncio de um gabinete do Palácio da Conceição, sem a participação dos parceiros sociais e políticos, especialmente da ilha Terceira, naturalmente que não é isento da crítica e da correção.

O que a Terceira precisa, neste momento, é de um choque económico, por antítese à perda da Base das Lajes, que gere empregos e valor acrescentado à frágil economia privada da ilha.

Elencar uma série de obras de betão, que não geram riqueza no futuro – pelo contrário, só irão trazer mais encargos, como acontece com elefantes semelhantes em S. Miguel – é uma opção muito facilitista e provinciana.

Há que apostar forte no empreendedorismo jovem e aproveitar esta oportunidade para, em conjunto com as empresas, procurar facilidades de negócios externos, nomeadamente com os EUA e o mercado nacional.

À falta de um verdadeiro mercado regional, que há muito devia existir nos Açores, procure-se vantagens nos mercados do exterior, negociando com os governos da república e americano, e atraindo investimento.

Já aqui foi sugerida a captação de vantagens nas negociações entre a União Europeia e os EUA sobre a abolição de fronteiras aduaneiras nas trocas comerciais, mas também não são de desprezar as negociações para a futura expansão da nossa Zona Económica Exclusiva, de cujo apoio vamos precisar dos EUA.

Aqui sim, o porto da Praia merece ser visto com outros olhos.

É preciso envolver toda a gente nesta nova mobilização solidária.

Mas que seja uma mobilização serena.

Incluindo aqueles que, por preguiça política, só pensam nesta altura em touradas picadas...

                                                   ****

SEM CORAGEM – Esta história das touradas de sorte de varas é reveladora de uma certa casta política que vai fazendo escola por esta Europa fora.

São os que avançam e depois recuam; os que escondem dos eleitores as suas verdadeiras intenções e depois negam-nas; os que prometem o céu e a terra e depois não agem.

Exemplos?

Cá dentro temos os tais que iriam propor, à socapa, a aprovação manhosa do tal artigo 58, mas que agora lhes falta a coragem para irem contra o protesto popular.

No retângulo, temos o cómico Santana Lopes que, desafiando toda a lógica, prometeu que esta era a melhor altura para lançar a candidatura à presidência da república, mas afinal veio agora desdizer-se, porque o melhor é... em outubro.

Na Europa, já tínhamos o intragável François Hollande, o salvador da sua pátria e da dos outros europeus, que deu no que deu. Agora temos um Syriza que, na mesma linha, propôs o Carmo e a Trindade, mas já começa a suavizar o discurso e a recuar nas propostas.

A política provinciana é assim mesmo: deslumbra-se consigo própria.

Já não há políticos com eles no sítio.

Crónica
O pé-de-vento que se desencadeou por estas ilhas fora por causa do plano de revitalização da Terceira é a prova de que vivemos, politicamente, numa Autonomia provinciana.
Provincianismos.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020