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rss  Vol. XIX - Nº 322         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Julho de 2020
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Rodeados de aldrabões!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Não sei a quem Ricardo Salgado se referia, mas certamente saberá do que fala.

Quem tem seguido, nestes últimos meses, com mais ou menos atenção, as audições da comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, ficará com um sentimento aterrador da promiscuidade entre banqueiros, empresários e políticos.

Quanto mais desce a cortina da escatologia do caso BES, mais nos convencemos de que o país político e financeiro está recheado de um tipo de gente que come da mesma pia... mas não se lembra de nada.

Bem dizia um conhecido milionário que, «quando a maré baixa é que se vê quem anda a nadar nu».

Ocultação de prejuízos? Ninguém sabe de nada.

Contas viciadas? Ninguém sabe de nada.

Luvas para gestores? Ninguém sabe de nada.

Operações financeiras desastradas? Ninguém sabe de nada.

Favores a amigos? Ninguém sabe de nada.

Fraude fiscal e branqueamento de capitais? Ninguém sabe de nada.

Quem são os responsáveis? Ninguém sabe de nada.

À maneira que tanta gente implicada vai passando o rabo pela sala da comissão de inquérito, mais nos convencemos que são quase todos zombies.

De que é feita esta raça de gente?

Com o maior desplante diz-se que os 27 milhões de euros nos negócios que envolveram a ESCOM na compra dos submarinos foram parar aos bolsos dos respetivos administradores, para um assessor e para a família Espírito Santo.

Cresceram uns trocos para a empresa...

A cambada tratou de arrumar o dinheiro em «offshores», para fugir ao fisco e, mais tarde, pediram que fosse criada uma amnistia fiscal.

Os deputados amigalhaços lá aprovaram a proposta da governança e fizeram a vontade ao «dono disto tudo», que aproveitou a «oportunidade legislativa» para trazer o dinheiro escondido, pagando uma bagatela em impostos, enquanto nós, cidadãos comuns, vamos gemendo com o «brutal aumento de impostos».

No meio desta casta de amizades estranhas, lá vêm mais 14 milhões oferecidos pelo amigo José Guilherme, uma prática de doação que, vimos agora com Sócrates, não é nada original entre gente que trata com milhões como nós tratamos os cêntimos.

Neste país há amigos fantásticos que dão milhões a outros amigos com a mesma facilidade com que o fisco assalta os nossos rendimentos.

O pior é que o historial destes últimos anos é um «conto de crianças» no setor financeiro e político.

João Rendeiro e outros administradores foram considerados culpados pela insolvência do BPP, mas acham que tudo não passou de uma história da carochinha.

O BPN foi outro conto de fadas e apenas Oliveira e Costa foi dentro. Hoje o Estado só conseguiu recuperar 13% dos 4,2 mil milhões de ativos tóxicos.

Jardim Gonçalves e outros administradores foram condenados a dois anos de pena suspensa, no caso BCP, mas andam por aí a convencer toda a gente que não tiveram nada a ver com isso.

O inefável Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efetiva por tráfico de influências, no caso «Face Oculta», e sentiu-se «muito chocado».

A PT foi a maior escandaleira deste último ano, mas os seus responsáveis ainda são indemnizados e os grandes acionistas hão de ser coroados com mais dividendos.

Esta imensa podridão é apenas uma parte da linha da frente que grassa na sociedade.

E – atenção – não é exclusiva da república.

Por cá, também já vamos assistindo a acordos e concessões de contratos a gente gordinha e anafada, mas que antes não tinha onde cair moribunda.

Não é só Ricardo Salgado.

Somos todos nós, cidadãos pagantes, que estamos rodeados de aldrabões.

Crónica
Não sei a quem Ricardo Salgado se referia, mas certamente saberá do que fala.
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