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rss  Vol. XIX - Nº 322         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 01 de Abril de 2020
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Os Açores do «há de se ver...»

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Já todos percebemos que nos Açores fazem-se muitos Planos à última da hora e age-se pouco.

É mais o estilo «tudo ao molhe e fé em Deus».

Devido a esta incapacidade proativa, somos sempre apanhados com alguns descalabros.

Os americanos, mais dia, menos dia, vão abandonar as Lajes?

Pois há de se ver...

A SATA, tal como está, não vai durar muito?

Há de se ver...

As quotas leiteiras vão acabar já em março?

Chegando lá, há de se ver...

Aos anos que tantas vozes desta terra vêm alertando para tanta coisa previsível e óbvia, mas que os poderes políticos não enxergam.

Além de chegarem tarde e a más horas aos problemas, geralmente apresentam soluções atamancadas e sem nenhuma correspondência com a realidade.

Temos agora mais um.

O Plano Estratégico da SATA é, antes de mais, uma confissão perfeita do falhanço da sua gestão nos últimos anos e um reconhecimento inapelável das negligências da sua tutela política.

O descalabro da SATA tem uma data: começou no dia em que Carlos César mandou embora o Eng. Manuel António Cansado.

A SATA é um caso sério de prepotência política e não é este Plano, todo ele irrealista, que a vai salvar dos inúmeros erros cometidos nestes anos.

Andaram a empurrar com a barriga um desastre anunciado, com operações falhadas, estratégias erradas, aquisições duvidosas, nomeações incompreensíveis e gestão impreparada.

Para além das trapalhadas, escondeu-se a dívida brutal e ainda nem sabemos as contas de 2014, o tal ano em que a empresa recorreu, num só mês, por 18 vezes, ao aluguer de aviões, inventou novas rotas, aumentou o seu potencial laboral e até fez crescer o número de administradores!

Num abrir e fechar de olhos perdeu cerca de 200 mil passageiros, endividou-se em vários dezenas de milhões e teimou em manter uma política de tarifas desenquadrada da realidade.

De uma empresa acarinhada por todos, tornou-se, rapidamente, numa coisa mal-amada, sobretudo pelos açorianos espoliados da diáspora.

Se em regime de monopólio é este o retrato, como é que em regime de concorrência, a partir deste verão IATA, a SATA vai recuperar, como sugere o Plano?

Quem será o santo milagreiro que desenhou o documento?

Em junho de 2007, numa discussão sobre transportes aéreos no parlamento regional, o Secretário da Economia de então vaticinava que a liberalização dos transportes aéreos para os Açores seria «um verdadeiro caos».

Hoje, a cartilha política é outra.

São estas desorientações – e falta de visão – que fazem com que, todos os anos, o orçamento regional gaste mais de 100 milhões de euros só para o setor dos transportes, sem que nós, cidadãos, sintamos alívio nos nossos bolsos quando viajamos.

Este novo Plano não faz nenhuma referência a um outro que nasceu vai fazer agora 1 ano: o famoso PIT (Plano Integrado de Transportes), um calhamaço de 103 páginas que já trazia montes de milagres para o setor.

E já outro Plano tinha sido elaborado em 2010, para os transportes marítimos de passageiros, outro cartapácio com 174 páginas cheio de soluções e que nem chegou a ver a luz do dia.

Com tantos Planos e tantos estudos, vai chegar o dia em que tudo será gerido com mais competência, profissionalismo e sem politiquice?

Pois há de se ver...

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