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rss  Vol. XIX - Nº 322         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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Devolver a tradição ao povo açoriano

Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou

Adelaide Vilela

Textos e fotos de Adelaide Vilela

Caros leitores, partimos do princípio que entraram com o pé direito. A ideia é que tudo lhes corra bem neste ano de 2015, que ainda é jovem ao ponto de aprender connosco a dar os primeiros passos de janeiro.

E como podem ver, pelo título deste artigo, alguns começaram o ano no respeito das suas tradições ao pretender unir os emigrantes que neste lado do mar labutam por melhores dias. E é assim que se reafirmam os laços socioculturais – no seio da grande família portuguesa – em terras de Montreal. Digamos que às vezes parece que a necessidade obriga a que se volte ao passado para que sejam devolvidas ao povo as valiosas tradições. Desta vez realizou-se a festa da matança do porco à moda de S. Miguel, Açores.

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Sempre muito populares as matanças de porco no Centro Comunitário de Anjou.

Apesar destes momentos trazerem fartura e alegria, para mim são uma tortura… enchem-me de tristeza, quando recordo as matanças em casa dos meus pais. Ai Senhor, quando chegavam os quatro homens corpulentos, latagões, com cara de brutos, eu e os meus irmãos mais novos fugíamos, a sete pés, para trás da casa. Era lá do alto que observávamos todo aquele frenesim à volta do morto.

– Afinal o bichinho foi criado com tanto amor para depois ser levado à chacina, pensava lá para com os seus botões a menina de tenra idade.

Mas tarde chegavam as minhas tias e as vizinhas com alguidares, uns para aparar o sangue e outros para encher de tripas, depois do reco ser aberto, chamuscado e desmanchado. As tripas eram lavadas na ribeira com água corrente. Com aqueles metros de intestino do bacorote faziam buchos, chouriças, paios e outras peças de fumeiro. A festa durava dias inteiros e havia boa comida para todos.

Há tanto que contar sobre as matanças de outrora, com tendência a desaparecer, que até nos faz pena que não haja mais tempo e espaço para contar mais histórias. Ali no Centro Comunitário o ritual tomou outro rumo, o marrano já estava morto, por isso permaneceu em cima do banco alguns minutos, o tempo de ser cortado a meio e vendido. Não vimos presunto nem chouriças mas que serviram um jantar delicioso, à base de carne de porco, batatas, inhames e legumes, lá isso é verdade. A autora destas linhas, por motivo de indisposição e fatiga, chegou tarde à festa, mas ainda nos ofertaram uma sopa caseira e legumes.

Foram momentos inesquecíveis, apesar das lembranças de antigamente. O grupo do Jorge Pimentel com o Manuel de Fátima fizeram um papelão: ouviu-se cantar ao desafio cujas rimas passavam com grande facilidade da Terceira a S. Miguel indo mesmo até ao Continente. A Sras. Maria Vital e Fernanda também deram o seu jeitinho rimando a preceito, jeito e com respeito. A sala lotou e a voz da artista que tão bem canta o fado esmerou-se. Se gostamos do Fado mais admiramos Jordelina Benfeito que canta com voz de querubim. Cada vez tem a garganta mais apurada a nossa artista.

E não podemos concluir sem mandar um abraço ao roqueiro de Anjou e arredores, ao Jimmy Farias, canta cada vez melhor. Estivemos atentos para reportar com carinho e paixão esta festa em que se devolve o fazer antigo ao povo luso, para que não caia em desuso. Parabéns!

ANO NOVO DECORADO A OURO

Rigor, beleza, alegria e serenidade foi o que sentimos na noite do 31 de dezembro neste prestigiado Centro Comunitário.

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Juventude e beleza na festa de fim de ano do Centro Comunitário de Anjou.

Ao palco subiram alguns membros da direção para dar as boas vindas ao povo e ao Novo Ano.

De seguida iniciou-se o jantar, daquela casa açoriana que se dá ao luxo de receber gentes do Norte ao Sul de Portugal e também das outras ilhas.

Entre pratos e petiscos variados, o repasto foi tão delicioso que um profissional em gastronomia internacional não faria melhor. Estava tudo muito bom. O Zé Nunes e a Luísa não deixaram os convivas de mãos livres, a cada passo traziam petiscos diferentes e saborosos.

Houve comida em abundância, e tudo foi rapidamente servido pelo Carlos Almeida e pela sua equipa de apoio, são excelentes!

Neste dizer adeus ao ano velho, amigos e convidados foram presenteados pelos sabores do bom tacho mas os olhos ficaram mais surpreendidos com a decoração. Aquelas flores douradas, feitas artesanalmente para o dia, enquadradas na parede, fizeram da sala de festas um cantinho de realeza, com amor. Ninguém ficou indiferente ao ler cada uma daquelas palavras: Amor, Paz, Serenidade e outras mais desfilavam na parede para quem quisesse refletir no ano que entrava lentamente mas feliz. Esperamos que todos os que ali se encontravam tivessem lido e posto em prática aquelas frases bonitas, que não eram nada mais que boas sugestões para o ano que entrava em dia gelado.

A noite musical foi também barulhenta. E a música tocou no coração da Lurdes Froias que fez anos nesse mesmo dia. Ora, desta vez os «Charlitos» estão todos desculpados, sem ruído não se chama o ANO NOVO, à grande. E que o diga o nosso habituado artista que sobe ao palco e atrai os convivas e os amigos de maneira singular e bela, através da sua singeleza e amizade pura. Certo, o Jimmy não deixou ninguém em paz cantou e dançou, como o melhor roqueiro de 2014, até ao limiar do ano seguinte.

Como nota de roda pé, felicitamos o Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou por nos ter proporcionado uma festa inédita e cheia de fogo em louvor da amizade.

Marcamos encontro para despedir 2015. Até lá sejam felizes.

Reportagem
Caros leitores, partimos do princípio que entraram com o pé direito. A ideia é que tudo lhes corra bem neste ano de 2015, que ainda é jovem ao ponto de aprender connosco a dar os primeiros passos de janeiro.
Matanca do porco.doc
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