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rss  Vol. XIX - Nº 322         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
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E a América aqui tão perto...

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A questão da Base das Lajes, como muitos outros imbróglios açorianos, está a ser tratada de forma imprudente.

Nisto de relações diplomáticas há que ser realista: o poder negocial é o segredo de todas as soluções.

Tratar de assuntos desta natureza na praça pública não é atitude conselheira. Muito menos aproveitar a tragédia anunciada para confronto político entre governos de cor diferente.

Eu não percebo porque vão esperar pela comissão bilateral em fevereiro.

Porque não se sentam todos à mesma mesa para elaborar uma estratégia conjunta?

Querem transformar a ilha Terceira numa espécie de ilha das Flores quando saíram de lá os franceses?

A própria Comissão Europeia deveria ser envolvida neste processo, pela simples razão de que está a negociar com os EUA uma revolução de mercado livre que também nos vai afetar.

É estranho o silêncio dos nossos políticos sobre o Acordo de Parceria Transatlântica sobre Comércio e Investimento (TTIP), que se desenrola nos bastidores diplomáticos e que vai alterar muita coisa entre a União Europeia e os EUA.

Será uma das iniciativas que mais impacto económico vai gerar em 2015, caso cheguem a bom porto as negociações.

Com este acordo será criada a maior zona de comércio livre do mundo, podendo os produtos dos países europeus e americano circularem entre si sem barreiras alfandegárias.

Ou seja, já não precisaremos de pagar taxas alfandegárias sempre que importarmos os tradicionais barris da América e poderemos enviar tudo o que é açoriano para o mercado da saudade, sem pagarmos mais por isso.

Esta é uma forma simplista de explicar o novo acordo, mas o que estará em jogo é, basicamente, isso mesmo, um mercado livre, sem entraves das alfândegas, e um mundo de possibilidades para investir, importar e exportar.

O último estudo do governo português aponta para um resultado de benefício imediato para o nosso país de 1 100 milhões de euros ao ano e a criação de 40 mil novos postos de trabalho.

Nos Açores parece haver um mistério absoluto sobre este novo cenário.

Ora, aqui é que deveria entrar a questão da Base das Lajes.

No âmbito das negociações sobre o TTIP deveria ser negociado com os EUA e a União Europeia um tratamento excecional para a ilha Terceira, sabendo-se que a porta de entrada comercial na Europa, por parte dos EUA, será através do nosso arquipélago.

É neste sentido que o porto da Praia da Vitória ganha nova centralidade com este tratado.

A nossa região não é apenas a porta de entrada ou saída mais perto dos EUA. É, também, a que possui, historicamente, as melhores relações e os melhores contactos com aquele país.

É com base nestas raízes que deveríamos reclamar aos EUA e à União Europeia estudos concretos das oportunidades de investimento e do impacto deste tratado atlântico, com os respetivos benefícios que poderemos retirar deste vasto mercado.

Os agentes económicos do continente já se estão a posicionar para esta oportunidade, sobretudo as empresas que trabalham com o mercado da exportação.

O embaixador dos EUA em Lisboa já se apercebeu disso e tem-se lançado pelo país em contactos com empresas, empresários, políticos, autarcas e outras instituições.

É imperioso trazê-lo aos Açores, sobretudo agora que os EUA ficarão em dívida – moral e não só – para com os açorianos, especialmente na ilha Terceira.

Robert Sherman vai apalpando o pulso à economia continental e não se cansa de dizer que as pequenas e médias empresas terão acesso a um mercado de 350 milhões de consumidores.

O diplomata está ansioso para que os americanos provem, por exemplo, a vasta gama de vinhos e queijos do nosso país.

A ilha Terceira tem muito disso e mais produtos que os americanos já conhecem e não dispensam na Base.

Então de que estamos à espera?

Claro que temos um manancial de potencialidades para negociar.

O que não temos, como de costume, é a capacidade de nos prepararmos atempadamente para as tempestades anunciadas.

Cheira-me, mais uma vez, que vai ser tudo em cima do joelho.

Crónica
A questão da Base das Lajes, como muitos outros imbróglios açorianos, está a ser tratada de forma imprudente.
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