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Dez figuras de 2014

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Numa sociedade dominada pelo discurso político e pela permanente intervenção dos poderes públicos – retirando dinamismo e pensamento crítico aos cidadãos –, é difícil escolher um conjunto de personalidades que tenham marcado o ano que agora terminou.

Aceito, no entanto, o desafio que me lançaram e deixo aqui a minha lista, refletindo, obviamente, uma escolha muito pessoal e com critérios assumidamente subjetivos.

JORGE RITA – É, provavelmente, o dirigente associativo mais influente dos Açores. Os políticos, de todos os quadrantes, de cá e de lá, fazem romaria ao seu gabinete. Pouco exuberante, muito terra-a-terra, «low-profile», fez um trabalho de bastidores mais ou menos silencioso e com algum sucesso. Pegou na Associação Agrícola de S. Miguel numa situação atribulada, pacificou-a, uniu-a, enriqueceu-a e transformou-a num setor influentíssimo em todos os quadrantes. Sem grandes alaridos, conseguiu quase tudo o que a lavoura reivindicou e fez tremer alguns responsáveis políticos quando levantou mais a voz. É um caso raro de gente com poder, sem que o poder lhe suba à cabeça. Vai ser uma voz central este ano, com o fim das quotas leiteiras.

EDUARDO FERREIRA – Outra força da mesma natureza. Sem se colocar nos bicos dos pés, sem grandes assomos de mediatismo, abdicando da exposição pública exagerada que muitos empresários adoram, está a construir um autêntico império de produtos açorianos a partir de uma marca de Maracujá que se julgava quase extinta. No meio do silêncio nortenho, este empresário ribeiragrandense e a sua família apostaram tudo na iniciativa e brio profissional, investindo em contraciclo, criando postos de trabalho, alargando a variedade de produção e levando o nome dos Açores para o exterior. Está em força no continente, na diáspora e, em breve, em Cabo Verde.

FAMÍLIA BARCELOS – Outro símbolo da qualidade de empreendedorismo familiar, ao criar o conceito da Quinta dos Açores na ilha Terceira e, recentemente, em S. Miguel. A família terceirense pretende expandir o conceito para outras paragens, o que é de louvar numa região pouco ousada em termos empresariais. Vai ser mais um nome a fixar este ano.

SÉRGIO MONTEIRO – O Secretário de Estado dos Transportes descobriu o caminho aéreo para os Açores. Pôs no lixo as propostas de Obrigações de Serviço Público do Transporte Aéreo do Governo Regional e da Oposição e apresentou uma outra que é um ovo de Colombo. É o exemplo, infelizmente, de que é preciso outros de fora virem mostrar aos políticos de cá como é que se faz.

JOEL NETO – Com um futuro promissor no exigente mercado continental, preferiu regressar à Terceira e, a partir dos Quatro Cantos da Terra Chã, tem projetado os Açores, nos média nacionais, com intervenções de grande lucidez e muita classe na escrita. Simboliza aquilo que muitos sonham: que é possível regressar e, a partir daqui, projetar as nossas ilhas para outra dimensão. Como se não bastasse, prepara o lançamento, para este ano, do seu grande investimento: um romance inspirado nos nossos ares. O que se pode pedir mais?

VAMBERTO FREITAS – Na mesma linha, outro que já se tornou um clássico açoriano. «Exportou» para o mercado nacional e internacional tudo o que se relaciona com a divulgação da produção literária açoriana. Certeiro na crítica, conhecedor profundo da literatura de cá e da lusa-diáspora, fez um trabalho voluntarioso em 2014 que mais nenhuma editora faria. Espalhou por tudo o que é publicação nacional e internacional, ligadas à literatura, o que de melhor se faz na escrita açoriana. Ele é, numa definição básica, o elemento elevado à mais alta potência do que muitas Direções Regionais da Cultura juntas.

LUIS GIL BETTENCOURT – Outro que faria carreira promissora lá fora, tal como o irmão. Mas optou por encalhar nestes rochedos e espalhou por todas as ilhas a sua mestria e paixão pela música. Sem editoras e lobbies do meio, vai exercendo o seu perfume de executante genial, agora ao lado da sua filha Maria. Fez um «remake» dos Beatles com a Filarmónica Praiense, nas Sanjoaninas, simplesmente memorável. Merecia levá-la a todas as ilhas.

PAULA TAVARES – Uma doente com cancro que não se deixou afetar pelas consequências sociais da doença. Expôs-se publicamente, sem medo, e bastou um grito de revolta, em forma de carta, que se tornou viral, contra a injustiça do Serviço Regional de Saúde, no que se refere aos apoios a doentes deslocados, para por todos os políticos em sentido e alterarem a lei no parlamento. Encara o espírito guerreiro de muitas mulheres açorianas que não se deixam silenciar perante as adversidades, numa sociedade cada vez mais egoísta e pouco solidária. Os Açores precisam de muitas vozes com este espírito.

LIZUARTE MACHADO – O parlamento regional é fraco. É um facto. Entre todos os deputados – em que metade poderia ser dispensada – não é fácil escolher uma voz que se tenha destacado em 2014. Há, pelo menos, um que mostrou ter pensamento próprio, sem se subjugar ao partido: Lizuarte Machado. Na esteira de outros com espírito crítico e sem bajulices, como foram os históricos Jorge do Nascimento Cabral e José Decq Mota.

POLÍTICO ZERO – Olha-se para a classe política em 2014 e o destaque é um deserto. A oposição arrastou-se e o governo de Vasco Cordeiro desiludiu. Encontrar um político de excelência é tarefa difícil, muito à imagem da líder máxima da soberania política açoriana, a Presidente do parlamento. É o que temos...

Crónica
Numa sociedade dominada pelo discurso político e pela permanente intervenção dos poderes públicos – retirando dinamismo e pensamento crítico aos cidadãos –, é difícil escolher um conjunto de personalidades que tenham marcado o ano que agora terminou.
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