logo
rss  Vol. XVIII - Nº 320         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 02 de Junho de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Como afundar a política

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Do turbilhão político dos últimos dias, apenas uma notícia positiva para os Açores: a eleição de Carlos César para Presidente do PS.

Ter açorianos influentes na mais alta esfera do poder político nacional, seja de que partido for, é um orgulho e uma mais valia para os Açores e para os açorianos.

Já aqui tinha escrito, aquando da passagem de testemunho para Vasco Cordeiro, que era um erro os Açores não aproveitarem a experiência e a influência dos seus ex-Presidentes do Governo, nomeando-os para cargos de alta representação da região em negociações nacionais e internacionais, ou torná-los numa espécie de guarda avançada da diplomacia açoriana pelo mundo.

Temos gente influente, temos alguns políticos exemplares, temos muita gente inteligente, mas eu continuo sem perceber como é possível surgirem, todos os dias, entre a classe política, tanta notícia perturbadora.

Ninguém pode ficar indiferente a esta obsessão, que é gastar 3 milhões de euros numa «Casa da Autonomia», quando os doentes que se deslocam a Lisboa recebem uma ajuda de miséria.

Não se percebe como se gastam 10 milhões de euros num museu monstruoso na Ribeira Grande, quando ali ao lado, no Centro de Saúde, fecham-se as urgências noturnas, engrossam-se as listas de espera e deixam-se quase 20 mil pessoas sem médico de família.

Custa a crer, tantos anos e tantos milhões depois, que a Biblioteca de Angra ainda se mantenha em obras, num processo que devia ser enviado ao Ministério Público.

Ninguém pode aceitar que, depois de várias centenas de milhões de euros em tantas intervenções no porto de Rabo de Peixe, ali ao lado, as escolas continuem a apresentar, à semelhança de todo o arquipélago, as piores médias dos exames nacionais.

É triste ver que temos tantos milhões, mas o nosso «ranking», em todos os setores, constitui uma vergonha nacional.

Só há uma explicação para isso: prioridades erradas e má gestão.

O vírus expande-se por tudo o que é público.

Não dá para perceber que a SATA, sabendo que a liberalização do espaço aéreo era uma inevitabilidade, se tenha fechado numa redoma, esturricando milhões em rotas impensáveis e só agora, a três meses da chegada das «low-cost», se tenha lembrado dos açorianos para injetar no mercado mais 20 mil passagens a 88 euros.

Para além de já ser tarde, é revelador do desespero de uma gestão toda errada e sem conserto.

Angola, que não serve de exemplo a ninguém, até percebeu que a sua TAAG estava metida num grande buraco e não teve pejo em chamar os peritos da Emirates para gerirem a companhia.

É tudo uma questão de competências.

Na política é igual.

Quando as coisas dão para o torto, o único conserto é chamar gente competente e com provas dadas.

Depois há outro problema na paróquia da política açoriana: quando se tem uma ideia boa, estragam-na logo com protagonismos inexplicáveis.

Ajudar famílias fragilizadas a recuperarem as suas habitações degradadas é uma ação louvável e deve ser incentivada.

Há uns dias vi governantes a entregarem 300 mil euros – o que é isso comparado com as obras monstruosas no orçamento – para 22 famílias açorianas, numa cerimónia pública.

Submeter essas famílias às fotos e às imagens de televisão, em que se viam pessoas a irem receber o envelope com uma mão estendida e outra a segurar o chapéu, faz lembrar uns tempos passados a que ninguém certamente quer voltar.

Qual é a necessidade de submeter essas pessoas a tamanha falta de privacidade?

Porque é que não nos poupam a este triste espetáculo?

A política tem destes defeitos nada edificantes e gosta muito de se afundar.

                                                   ****

DINHEIROS – Não há dinheiro para repor os cortes salariais, mas havia para repor as pensões vitalícias dos políticos...

Não há dinheiro para tirar a RTP-Açores do calvário, mas há 18 milhões para comprar jogos de futebol...

Eis como, também, se afunda a política.

                                                        ****

RIP – Noutro plano, muito mais alto, uma palavra apenas, raríssima na política: José de Almeida era um homem íntegro.

Crónica
Do turbilhão político dos últimos dias, apenas uma notícia positiva para os Açores: a eleição de Carlos César para Presidente do PS.
Como afundar a politica.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020