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rss  Vol. XVIII - Nº 319         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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Para se cantar o fado

Não basta ter reportório...

Por Marta Raposo

Comeu-se o caldo verde e depois o bacalhau. Como não podia deixar de ser, o «Sr. Vinho» sentou-se à mesa e passeou-se pela sala, ao som das guitarras e das vozes amantes do fado de Carlos Rodrigues, Cristina Rodrigues, eu própria, e o jovem Jason Coroa, a quem eu chamo, carinhosamente, o Tenor do Fado, e também Filomena Costa. Foi assim que se viveu mais um São Martinho, no Clube Sport Montreal e Benfica, no passado dia 15 de novembro. À luz da vela, ouviu-se o fado, bateram-se palmas, degustaram-se castanhas assadas na brasa e, fosse como fosse, houve ali mais um fim de noite a recordar Portugal. Muito pouco para além disto haverá a dizer sobre esta noite. Por isso, quero falar um pouco mais do que é hábito dos músicos e da novidade da noite, que foi sem dúvida o Jason.

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O elenco fadista que subiu ao palco no clube Sport Montreal e Benfica. Da esquerda para a direita, Carlos Rodrigues, Marta Raposo, Jason Coroa e Cristina Rodrigues.

Enquanto amante do fado e da arte de cantar, é para mim um orgulho ver que há jovens a querer prosseguir com a tradição e que os músicos são polivalentes e procuram desafiar os curiosos. O Jason estudou canto de ópera e foi com um tema deste repertório que pisou o palco pela primeira vez. No entanto, foi com um fado (longe de ser o mais fácil para um principiante), «Povo que lavas no rio», que ganhou o Talent Show da nossa comunidade, o ano passado. Desde então, o jovem tenor vai conquistando corações e ganhando fibra no fado, porque paixão, ele já tem. Foi esta paixão, para além da voz, que me fez viajar aos meus 18 anos, quando eu começava a cantar, e que me cativou nele. Convidei-o para dois duetos e ele aceitou. A medir pelas palmas, parece-me que nos saímos mais que bem. Paulo Gomes era um dos violas da noite, que tem vindo a acompanhar vários músicos, com paixão e dedicação, para bater o fado e ganhar calo. À guitarra portuguesa tínhamos o Liberto Medeiros, um músico na alma e no coração, que cresceu no blues, rock and roll, new wave, punk rock, estilos completamente diferentes do fado, e que, no entanto, também se deixou seduzir pelo trinar das guitarras, que o convenceram a voltar aos bancos da escola, ainda recentemente, para aperfeiçoar o ouvido e a metodologia musical. Francisco Valadas, por sua vez, dá muito do seu tempo a jovens curiosos do fado, ensinando-lhes os rudimentos do fado, à viola ou à guitarra e, claro, gosta de cantar o seu fadinho. A meu ver, no fado, em Montreal, não há profissionais, mas há uma mão-cheia de gente que ama e vive o fado no seu íntimo. É bom ver que estas pessoas não desistem, contra tudo e contra todos, mas sobretudo que tentam sempre fazer melhor. Ninguém nasce ensinado, mas todos temos a capacidade de nos tornarmos melhores, enquanto profissionais, enquanto artistas, e enquanto pessoas. Cabe-nos a nós, que já andamos no fado há mais de uma dezena de anos, dar o exemplo e estender a mão aos que querem aprender e serem aplaudidos, principalmente quando o povo elege o artista. Confesso, pensei durante muito tempo que para ser artista bastava ter um repertório, cantar, gravar um disco e ser aceite pelo público. Mas, como qualquer outra coisa, onde não há trabalho e dedicação, não pode haver evolução e onde não há evolução, não pode haver realização. Depois de me terem sido chamadas à atenção algumas atitudes pouco construtivas em relação ao meio artístico que conheço, parei e refleti. O mesmo espero conseguir provocar no leitor, pois esta realidade aplica-se a qualquer coisa: de nada vale apontar o que está mal, de facto, mas vale tudo reivindicar e procurar fazer melhor; trabalhando em conjunto, jovens e graúdos, novatos e experientes, pois é na partilha do saber que está o crescer. Carpe diem. Até breve...

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Comeu-se o caldo verde e depois o bacalhau. Como não podia deixar de ser, o «Sr. Vinho» sentou-se à mesa e passeou-se pela sala, ao som das guitarras e das vozes amantes do fado de Carlos Rodrigues, Cristina Rodrigues, eu própria, e o jovem Jason Coroa, a quem eu chamo, carinhosamente, o Tenor do Fado, e também Filomena Costa. Foi assim que se viveu mais um São Martinho, no Clube Sport Montreal e Benfica, no passado dia 15 de novembro. À luz da vela, ouviu-se o fado, bateram-se palmas, degustaram-se castanhas assadas na brasa e, fosse como fosse, houve ali mais um fim de noite a recordar Portugal. Muito pouco para além disto haverá a dizer sobre esta noite. Por isso, quero falar um pouco mais do que é hábito dos músicos e da novidade da noite, que foi sem dúvida o Jason.
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