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rss  Vol. XVIII - Nº 319         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Os fascistas de esquerda

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Na semana passada, Yves Boisvert, um dos melhores jornalistas do jornal La Presse, intitulou uma das suas crónicas com o título «Facho de gauche» para denunciar aquela franja protestatória, sobretudo universitária, panfletária e facebookista que não se coíbe em arrastar para a lama pública quem não lhe cai nas boas graças, como aconteceu aos três professores da UQAM (Université du Québec à Montréal) acusados nebulosamente de serem machistas ou, potencialmente, abusadores de alunas. Um deles teria organizado um colóquio só com oradores masculinos…

Este apelativo «fascista» é raríssimo nestas paragens, e pela pena, sempre comedida e ponderada do Yves Boisvert, vem impregnado de acusações graves que nos devem por em guarda contra uma certa mentalidade do «quem não é por mim é contra mim» que grassa nos meios estudantis, sindicais e ecologistas, os quais encontram sempre ouvidos acolhedores e microfones condescendentes para lhes dar eco às palavras de ordem e trazer multidões para a rua.

Este artigo faz-nos lembrar o que já dizia Guy Fournier, cineasta, escritor, polemista e antigo presidente da CBC-Radio-Canada, numa entrevista ao programa Les Francs-tireurs da Télé-Québec (zonevideo.telequebec.tv avançar até aos 15 minutos), na qual confessava que embora fosse nacionalista não era independentista por recear a mentalidade fascista patente na era de Duplessis e ainda bem presente nalguns setores da população, como foi o caso das manifestações irracionais dos «carrés rouges» durante a primavera da contestação dos estudantes e as ações violentas dos sindicatos contra a revisão dos planos de pensão.

O debate histérico sobre o nome a dar à nova ponte que vai substituir a ponte Champlain é da mesma água. Não que se justifique tal mudança de nome (a não ser que fosse para se lhe dar o verdadeiro nome do fundador da Nova França, Samuel de Champlain) mas o facto de se ter gasto tanta tinta e tanto tempo de antena, cada um tentando sobrepor a sua voz à do outro, como se a gritaria fosse penhor de legitimidade, deve-nos também por de sobreaviso sobre as intenções dos zeladores armados em historiadores, mas na verdade deitando mão de todo o pau para alimentarem a sua fogueira.

Este debate é tanto mais estranho que não conseguiu levantar nenhuma celeuma quando o nome de Maurice Richard foi proposto pela primeira vez em 2011 pelo ministro federal dos Transportes, Denis Lebel (tvanouvelles.ca

O mesmo se poderá dizer do facto de ninguém ter protestado quando o nome de Champlain foi retirado de inúmeras designações toponímicas do Quebeque, como a RMC de Champlain que agora se chama Longueuil e tantas outras como se pode verificar na página da Commission de toponymie du Québec (www.toponymie.gouv.qc.ca todos os nomes que começam por «Remplacé par»).

Porque é que só agora é que rebenta a polémica? Por quê tanta discussão inflamada, tanto arrazoado de indignação patriótica quando os mais tonitruantes ficaram quedos e mudos no momento do seu anúncio inicial? Porque por detrás da indignação das massas que saem para a rua há quem lhes manipule os cordelinhos. Há quem tenha agendas escondidas, quem procure acicatar o sentimento nacionalista da plebe contra o estrangeiro, seja ele o imigrante ou o governo de Otava. E que dizer do que foi o debate sobre a Carta dos valores quebequenses, que muitos ainda consideram pertinente?

Sim, nunca é demais estarmos de sobreaviso e pé alerta quando a indignação desce à rua.

Editorial
Na semana passada, Yves Boisvert, um dos melhores jornalistas do jornal La Presse, intitulou uma das suas crónicas com o título «Facho de gauche» para denunciar aquela franja protestatória, sobretudo universitária, panfletária e facebookista que não se coíbe em arrastar para a lama pública quem não lhe cai nas boas graças, como aconteceu aos três professores da UQAM (Université du Québec à Montréal) acusados nebulosamente de serem machistas ou, potencialmente, abusadores de alunas. Um deles teria organizado um colóquio só com oradores masculinos…
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