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rss  Vol. XVIII - Nº 319         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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As recentes eleições nos EUA:

Obama e o poder Republicano

Por António da Silva Cordeiro

Escrevo no rescaldo das eleições intercalares, a menos de vinte e quatro horas do fecho das urnas. Grande derrota para os Democratas – e podemos incluir aqui Barack Obama. Grande vitória para os Republicanos.

O The New York Times de hoje abriu o seu editorial com o título «Negatividade Ganha Senado».

Os Republicanos não concorreram apresentando as suas ideias e ideais políticos, sociais, económicos, etc.  Não tentaram vencer os adversários, mas apenas tentaram destruir Barack Obama. Foi a continuação da estratégia republicana de 2008 promovendo uma obstrução contínua e total a tudo o que fosse proposto e sugerido pelo Presidente. Por exemplo, apelidaram de Obamacare o Affordable Care Act. Juntaram Obama e Care dando-lhe um sentido pejorativo. E no entanto esta lei federal foi baseada na lei de saúde introduzida por Mitt Romney quando era governador de Massachusetts. Os técnicos que a prepararam para Mitt Romney foram os mesmos que a delinearam para Obama, chamados para a Casa Branca de Harvard e MIT. A maior parte da ideologia desta lei é totalmente republicana. Interessante notar que o próprio Mitt Romney, quando candidato republicano à Presidência, em 2012,  lutou contra a sua própria lei (a quanto obriga a política!).

Todos os temas dos candidatos republicanos foram negativos: anular a lei da reforma da saúde (Obamacare); eliminar a nova regulamentação imposta por Obama aos bancos e Wall Street a fim de resolver os problemas da crise de 2008; anular a regulamentação de modo a limitar as emissões do carvão e outros problemas do ambiente e não tocar na reforma da Emigração.

Mitch McConnell, que será o novo líder do Senado, prometeu em 2009 (quando Obama tomou posse pela primeira vez) criar uma lista de derrotas para conseguir o resultado final atingido ontem. Obama, infelizmente, ajudou McConnell com os seus falhanços do segundo mandato: o fiasco do lançamento do Obamacare, no outono passado; indecisão na política externa (Iraque, Irão, Rússia, etc.); a revelação sobre a espionagem doméstica; os problemas no tratamento médico dos Veteranos; a chegada, no verão que findou, de alguns milhares de crianças da América Central que se vieram juntar aos pais, ilegais nos EUA, e os problemas com o tratamento do primeiro caso de Ebola. Para estes republicanos Obama é responsável por tudo que de mal acontece na América e não só.

Parece-me que, para se entender a seriedade desta derrota Democrata, se deve notar a falta de espinha dorsal dos Democratas que, nas suas campanhas eleitorais, procuraram afastar-se de Obama e do muito de positivo ocorrido desde o princípio do primeiro mandato: aumento constante na criação de trabalhos; crescimento da economia na ordem dos 3% em 2014; redução do deficit nacional para menos de metade; desemprego inferior a 6 por cento. A esta Administração se deve a solução da grande crise de 2008, que poderia ter levado este país a uma depressão fortíssima e que afetaria o mundo inteiro. Ter-se-ia perdido a indústria automobilística americana, vários bancos teriam entrado em bancarrota e o cenário não seria nada bonito.

Curiosidades:

1 – O Presidente e os Democratas têm tentado aumentar o salário mínimo para cerca de 10.00 dólares por hora. A proposta tem sido sempre bloqueada pelos Republicanos no Senado e na Câmara dos Representantes.

Por lei, quando o Governador de um estado tenta passar uma lei e ela é rejeitada pelo Senado e Câmara estaduais, o povo (há um processo de assinaturas para isso) pode requerer um voto nas próximas eleições. Em cinco estados republicanos foi pedido esse voto (aumentar o salário mínimo) e foi aprovado nos cinco estados por larga maioria. Agora os governos estaduais têm de impor essa lei. É interessante que os políticos afirmem sempre que representam, em Washington, a opinião e a vontade do povo. Nestes cinco estados, os senadores republicanos que se opõem ao aumento do salário mínimo, pelos vistos não representam a voz do povo (talvez não tenham ouvido).

2 – Há no meio de tudo isto o famoso elefante branco no meio do salão que todos veem mas ninguém diz nada – o RACISMO. Se Barack Obama fosse Bill Smith e fosse branco, não sofreria um quarto do que tem sofrido.

3 – Há um dito neste país, segundo o qual toda a política é local. Estas eleições intercalares são locais, o número dos que votam é muito mais baixo do que numa eleição nacional. Este ano votaram apenas cerca de 30 % dos eleitores. Os Republicanos foram bem-sucedidos na sua tentativa de «nacionalizar» o perfil de Obama e até nisto conseguiram bater os Democratas. Na última eleição nacional, em 2012, os Democratas tiveram uma presença nas urnas muitíssimo maior do que os Republicanos.

Nesta eleição houve, percentualmente, menos mulheres jovens, mais velhos e mais brancos do que nessas eleições.

4 – Hoje, Mitch McConnell e Barack Obama fizeram duas conferências de imprensa. Prometeram e comprometeram-se a colaborar. Não esqueço que o termo «compromisso» tem sido, nos últimos seis anos de Administração de Obama, uma palavra feia para os Republicanos. Agora compromisso significa: trabalhem connosco, façam o que nós dizemos e isso será o nosso modo de colaboração. Do meu ponto de vista pessoal, palpito que, com Obama cansado como está de convidar e incitar os Republicanos a colaborarem, duvido que funcione.

New Jersey, EUA

Crónica
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