logo
rss  Vol. XVIII - Nº 318         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 06 de Agosto de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Ana Isabel Ferreira

Mais uma estrela brilha em de S. Miguel, Açores

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

Quis Deus que Ponta Delgada desse brilho e luz ao olhar sereno e belo da pequena estrela que se fez mulher ao aprender a crescer e a viver com os sons das gaivotas, com o assobiar do vento; com o segredo do basalto e da lava do vulcão… ah! com o ruído das ondas: o eco dos cantos que o mar inventa. Logo, acredita que apesar de viver num arquipélago, a terra é o lugar, sem mistérios, nem segredos, a ilha ideal para todos os homens! Amar a Ilha que lhe deu o Ser e a dotou de múltiplos talentos e valores é o seu lema. Ana Isabel Ferreira é casada com António Ferreira, de Trancoso, Beira Alta. Têm 3 filhos muito bem formados. João Pedro é farmacêutico e termina agora o mestrado em Ambiente, Saúde e Segurança no Trabalho. Rodrigo é o homem do leme, esta a formar-se em Biologia Marinha e já faz acompanhamento de mergulho científico e desportivo. O Francisco é o engenheiro da família, foi para Lisboa formar-se em Engenharia eletrotécnica e de computadores. Ora aqui está a esposa, a mãe, a professora, formadora, escritora e uma excelente artista que merece os nossos aplausos pelo brilhante desempenho do seu dia-a-dia. Confia em si própria e nos que a rodeiam. Busca a felicidade, o entendimento e nunca a dor. Os desafios aos quais Ana Isabel se propõe nunca lhe meteram medo, ao contrário, ajudam-na a ganhar mais atitude, e para que na amizade ou no trabalho possa comprometer-se vai reagindo pelo lado positivo e simples da vida com sinceridade. Assim é a nossa querida Ana Isabel Ferreira, uma mulher completa.

Ana Isabel ferreira.jpg
“A Viagem do Pai Natal aos Açores” voou até ao mural que a autora pintou na escola onde leciona.

Caros leitores, hoje tenho entre mãos a responsabilidade, a radiante tarefa de levar até às vossas casas a história desta bela mulher, afável e calorosa, que constrói, conquista os sabores e os saberes do seu dia-a-dia mostrando-se confiante, porque quer dar, com certeza, um pontapé na desconfiança, a mostrar-nos que tem alma artística, com estigma de pessoa certa. É desta forma que deseja conquistar o seu público, realizar sonhos e projetos. Ela sabe que é com esforço e dinamismo, lutando a cada dia, que se constrói o mérito e se desfazem os mitos e os ditos de algum dia: «Esta pessoa tem sorte». Digamos que por mais talentosa que seja a criatura se não puser mão à obra o sonho até pode gerar sofrimento por falta de criatividade de ideias ou ideais. No caso da nossa professora talvez careça de tempo livre para resolver tudo o que a fada interior que vive nela lhe ordena. Sinto-me privilegiada por ter conseguido por a nossa Ana Isabel em silêncio. Pusemo-la a pensar nas respostas para o Jornal LusoPresse. «Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico», Pedro Strecht. A Ana Isabel acaba de publicar dois livros, um deles em parceria com a Doutora Graça Castanho. Digamos que me considero privilegiada por descobrir mais uma mulher interessante e altamente qualificada. A Doutora Graça Castanho foi Diretora Regional das Comunidades, do Governo dos Açores. Mulher inteligente, dona de um currículo coroado de sucesso, é docente da Universidade dos Açores. Voltaremos noutra ocasião e contaremos tudo e com toda a Graça, tempo e atenção.

Hoje «A Viagem do Pai Natal aos Açores» deixou-nos rendidos ao brilho das imagens, da poesia, da história e da música que a autora e a cantora nos apresentam. Esta é uma obra que encanta e parece não ter magia mas tem… quanta? Esta é uma obra que canta pois faz-se acompanhar de um CD por cada história. Folheamos o livro virtual e ficamos à espera, que o carteiro nos bata à porta com o exemplar prometido e assinado pela bela autora.

O lançamento do livro «A Viagem do Pai Natal aos Açores» realizou-se em Ponta Delgada, Açores, no dia 25 de outubro, na Biblioteca da Cidade. Segundo nos foi dado saber, o anfiteatro esteve lotado e os livros já esgotaram, mas logo receberemos outra remessa. Ficamos felizes com a notícia! E o importante é sentirmos que as palavras não são ocas, pois o sucesso da autora já atravessou o mar. Em breve irá, através do Sr. Roberto Medeiros, fazer a apresentação das suas obras aos Estados Unidos. Esperamos poder convidá-la também a Montreal.

 

Citando Fernando Pessoa: «Ditosa Pátria que tais filhos tem». Neste caso, seja: ditosa ilha que tão célebres filhas fez nascer! Pensar, ler, escrever, recitar poesia é manter vivos os valores lusíadas de ontem, de hoje e os de amanhã.

E se fossemos até Açores no trenó do Pai Natal? A partir de agora Ana Isabel dará a cara ao Jornal LusoPresse, mas aqui em Montreal, a sua presença é imprescindível. Vamos ver o que ela tem para nos contar nesta caminhada da sua vida profissional.

 

Na conversa havia letras, de S. Miguel a Montreal:

LP: Que escritores te influenciam ou te influenciaram para começares a escrever?

Ana Isabel: Não tive influências, particularmente falando. Há escritores de que gosto mais, tais como: Luísa Ducla Soares, Sophia Mello Breyner, Ana Maria Magalhães, Oscar Wilde, Mia Couto, Miguel Sousa Tavares e António Torrado.

LP: Serias capaz de inventar ou de construir uma temática que mudasse a sociedade para melhor?

Ana Isabel: Não, não seria capaz. Por mais que o desejasse. O mundo económico sobrepõe-se às políticas públicas de educação e à justiça, que são os alicerces da humanidade. Seria um desafio inglório. Acho que nem o Papa Francisco o conseguirá e é uma das pessoas mais harmoniosas que existe. Era preciso existir vontade de mudar e amar o próximo. Mas acredito que o Homem atual procura um caminho e que este caminho o levará não à transcendência e ao crescimento, mas sim à desgraça total.

Mudar a sociedade para melhor é o sonho de qualquer pessoa, de qualquer líder ou de qualquer sonhador. No entanto, na realidade é pouco provável que o consiga.

LP: Vejo uma tendência marcada nos teus poemas, dedicados à criança, e à tua ilha berço, há alguma razão específica?

Ana Isabel: A influência da minha ilha é forte. É a terra onde os meus pés criaram raízes e o mar é aquele que me abraça. É o verde que me limita e o azul que me faz voar e sonhar. As crianças porque são puras e não nos enganam. Gosto de trabalhar com adultos mas prefiro as crianças. São mais exigentes e desafiadoras e isso faz-nos crescer como pessoas.

Adoro a minha ilha, o meu paraíso. O meu limite é o horizonte que vejo no mar e o que para lá dele existe. Se é o sonho que faz crescer o mundo então, é o sonho que me faz crescer como mulher, mesmo que viva numa ilha.

LP: Fala-me das obras que acabas de editar incluindo o livro em parceria com a Graça Castanho.

Ana Isabel: As obras editadas este ano e em simultâneo representam dois anos de trabalho. O primeiro e do qual sou coautora com a Doutora Graça Castanho, intitula-se «A Expressão Dramática ao Serviço do Ensino da Língua Portuguesa: Do Texto à Representação». É uma edição do Portuguese World Language Institute – Cambridge, MA USA. É o resultado de um projeto por nós realizado em 2013, no âmbito da disciplina de Didática da Língua Portuguesa, do curso de Educação Básica da Universidade dos Açores. O projeto visou apetrechar os estudantes com ferramentas e aprendizagens que, de alguma forma, pudessem abrir horizontes, perspetivar o futuro de uma forma mais global e apresentar um leque maior de oportunidades de emprego.

Fui convidada a colaborar, na organização deste espetáculo como diretora artística e como Presidente da Associação Açoriana da Educação pela Arte Boneca de Trapos, a qual tem um protocolo de cooperação com a Universidade. Comecei por preparar os alunos como atores, ao nível da expressividade, postura e voz e preparei-os para a representação. Mais tarde fui convidada a participar no livro com um texto meu e posteriormente como formadora de Expressão Dramática/teatro.

Com esta partilha, pretendeu-se motivar os professores e os alunos a investirem em projetos que coloquem os estudantes na centralidade das práticas letivas e, ao mesmo tempo, disponibilizar à roda de uma dezena de textos dramáticos, passíveis de serem levados a cena, em Portugal ou no estrangeiro, em contextos de ensino em língua portuguesa.

O livro «A Viagem do Pai Natal aos Açores» é um livro de literatura infantil que contempla não só uma peça de teatro mas também uma história musicada e ilustrada, de forma a motivar as crianças para a leitura e para o teatro.

Trata-se de um texto dramático, assente numa trama narrativa, que propõe uma constante interação entre as personagens e o público e expressa desejos e emoções, Dentro da história há lugar para várias tipologias textuais. Para além do texto dramático há algum texto narrativo, epistolar e, ainda, poesia, traduzida em pequenas histórias cantadas, como é o exemplo da canção «Era noite de Natal» que humaniza o Pai Natal com humor.

Foram criadas e musicadas sete musicais, adequadas metodologicamente não só às crianças e ao espírito de Natal, mas também a todas as pessoas e a todas as idades. Por seu turno, as ilustrações de Michael Hudec, são fantásticas e complementa a compreensão do texto dramático e a própria narrativa contida na história da menina ou na carta que dá corpo a este livro.

De forma pensada, este livro é também um exercício de promoção das artes junto de públicos mais jovens, muitas vezes arredados de ofertas culturais.

Desenvolver a imaginação dos mais novos, assim como incentivar o hábito de ir ao teatro. Defendem os pedagogos e estudiosos que o teatro tem a função de preparar para a vida, uma vez que espelha o comportamento social e moral e permite a aprendizagem de valores e de competências inter-relacionais de forma divertida e lúdica.

O processo de escrita, de ilustração, de gravação e interpretação das músicas foram desafios constantes. Todos estes fatores tinham de estar articulados de forma a oferecer às crianças não só um livro bonito, com afetividade, que as faça felizes, mas também que as eduque e que promova a cultura e a literacia

LP: Há mais projetos na forja?

Ana Isabel: Há sempre projetos. Há sempre um desejo ou um sonho. O próximo livro será de poesia. Nos últimos meses tenho escrito muita poesia. Quando amamos alguém, quando amamos a nossa terra, a natureza e a vida temos os melhores motivos para escrever. São sentimentos e afetos que fazem parte de nós e que fazem o que somos.

LP: Fala-me de igual modo sobre a Associação a «A Boneca de Trapos», como a fundaste, porquê, e quem são os utentes que atualmente se regalam nesse vaivém de amor, carinho e aconchego humano?

Ana Isabel: A Associação Açoriana da Educação pela Arte Boneca de Trapos ou Boneca de Trapos como é conhecida pelas crianças é uma IPPS ou uma Instituição Particular de Solidariedade Social desde 2002. Sou a sócia fundadora número um e Presidente há quase 9 anos. A Boneca de Trapos dedica parte do seu horário a sessões de animação e educação com atividades culturais e pedagógicas no âmbito das expressões: musical, dramática e plástica. Estas direcionam-se a crianças institucionalizadas e outras e têm por objetivo tornar as crianças mais felizes, no âmbito da educação pela arte. Trabalhamos os problemas emocionais e culturais com arte. Com jogos, teatro de fantoches, dança, música, pintura, desenho entre outras atividades.

Possuímos uma carrinha considerada um CATL itinerante, ou seja, uma equipa de duas animadoras percorre a ilha e leva às escolas e a outras instituições atividades devidamente agendadas, planeadas e preparadas antes de serem implementadas e depois, são ainda, sujeitas a avaliação. E porque precisamos de materiais para trabalhar com as crianças, a nossa equipa também faz animação de festas de aniversários, aos fins de semana e peças de teatro de forma a angariar fundos.

LP: Quando começas o programa de Televisão e de que se trata.

Ana Isabel: O programa de televisão é outro desafio na minha vida. Foi um convite da televisão privada São Miguel TV para fazer um programa para crianças. Este chama-se «Em Pouco Tempo» e o desafio é este mesmo. Fazer muito em pouco tempo. Os primeiros programas tratarão temas como: O Mundo dos afetos e os sentimentos; Poesia para crianças, yoga; Teatro de fantoches, com lendas açorianas e outras histórias a nível nacional e mundial como «Meninos de Todas as Cores» que foca a diversidade cultural e social; Alimentação saudável, por exemplo.

Sei que os programas estarão disponíveis na internet e que serão apresentados por várias cadeias de televisão. As primeiras gravações foram feitas no dia 18 de outubro.

A equipa do Jornal LusoPresse deseja muitas felicidades à Professora Ana Isabel Ferreira. Que realize muitos sonhos e que publique muitos mais livros, na sua ilha azul, são os nossos votos sinceros.

E para concluir nada melhor que valorizar a riqueza deste pensamento de Ganddhy: «A força não provem da capacidade física mas sim de uma vontade indomável».

Entrevista
Quis Deus que Ponta Delgada desse brilho e luz ao olhar sereno e belo da pequena estrela que se fez mulher ao aprender a crescer e a viver com os sons das gaivotas, com o assobiar do vento; com o segredo do basalto e da lava do vulcão… ah! com o ruído das ondas: o eco dos cantos que o mar inventa. Logo, acredita que apesar de viver num arquipélago, a terra é o lugar, sem mistérios, nem segredos, a ilha ideal para todos os homens! Amar a Ilha que lhe deu o Ser e a dotou de múltiplos talentos e valores é o seu lema.
Ana Isabel Ferreira.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020