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rss  Vol. XVIII - Nº 318         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 31 de Março de 2020
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A Saúde cancerosa

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

De repente a Saúde transformou-se no patinho feio da «via açoriana».

Se há setor em que os açorianos ganharam qualidade e dimensão social, com o advento da Autonomia, foi o da Saúde.

Não se percebe a incapacidade para se manter este setor ao nível do que ficou consagrado nos programas dos governos do PS nos últimos anos, deixando degradar, a olhos vistos, um dos maiores benefícios alcançados pelos cidadãos, sobretudo os mais fragilizados e que vivem fora dos grandes centros urbanos.

Se o Secretário Regional anterior aplicou uma injeção letal ao setor, o atual vem esquartejando o que resta do romantismo poético republicano.

Esta trapalhada do encerramento dos Centros de Saúde, esvaziando-os de pessoal e de valências, aliada à nova política do regime de re-embolsos, constitui uma afronta aos cidadãos mais desprotegidos, sobretudo os idosos, que vivem nas freguesias rurais.

Pergunta-se a qualquer um desses cidadãos se os cuidados médicos são mais acessíveis hoje ou no passado recente, e a resposta é óbvia.

Já não bastava encerrarem postos de saúde nas localidades, diminuírem as deslocações de especialistas a outras ilhas, reduzirem as subvenções e os pagamentos para deslocação de doentes, para agora fechar-se o círculo no corte de re-embolsos para marcadores tumorais e no apoio à aquisição de instrumentos de ajuda aos doentes sem mobilidade.

Há dois anos apenas, prometiam-nos o paraíso com o anúncio, em Ponta Delgada, de mais seis salas de cirurgia, mais três blocos operatórios e ainda mais três salas de cirurgia na Terceira.

Um investimento, dizia então o secretário Miguel Correia, que «iria acabar com a lista de espera cirúrgica nos três hospitais, como ainda diminuir o tempo de espera em várias especialidades».

Como se viu, tudo piorou.

Depois prometeu-se o equilíbrio financeiro do setor, em 2012, «sem fechar serviços» e «sem diminuir a acessibilidade aos cuidados de saúde».

Estamos em 2014 e está tudo ao contrário do prometido.

Desde 2006 que se estamparam mais de 6 milhões de euros na informatização do Serviço Regional de Saúde.

Resultado: um colapso do tamanho de um forte AVC.

Em quinze anos a dívida da Saúde aumentou trinta vezes, e mesmo assim mais de 60 mil açorianos continuam sem médico de família e com pior acessibilidade aos cuidados de saúde, sobretudo nas ilhas mais pequenas.

A 1 de junho de 2011, Carlos César garantia que as taxas moderadoras, a vigorar a partir do mês seguinte, seriam aplicadas no tratamento do cancro na região.

«O resultado dessas taxas será afeto ao financiamento de um serviço que espero que abra dentro de um ano e se destina ao tratamento das doenças oncológicas da região», referindo-se ao futuro Centro de Radioterapia dos Açores.

Estamos no final de 2014 e os doentes continuam a deslocar-se ao Continente em condições miseráveis, como testemunhou, nos últimos dias, a doente Paula Margarida Tavares, numa carta aberta que deveria envergonhar todos os governantes e políticos desta terra.

Desde 1998 que os Açores apresentam as taxas mais elevadas de mortalidade em todos os tipos de cancro a nível nacional. E, mesmo assim, deixaram-se enrolar em tantas trapalhadas com o projetado Centro de Radioterapia dos Açores.

E não nos venham dizer que «agora é que é» e que «está tudo bem», como ouvi há dias da boca de alguns parlamentares, sem nenhum pudor.

A populaça já está farta desta espécie de escola à Nuno Crato, o tal que também dizia que estava tudo bem com a colocação dos professores.

Quase tudo foi mal gerido na Saúde nestes últimos anos, apesar dos milhões, com inúmeras promessas de que «em 2011 é para arrumar a casa».

Estamos a terminar 2014 e a casa não só está desarrumada, como até já se abateu o telhado e vão-se degradando as fundações...

Pobres doentes e pobres Açores, sem empreiteiros à altura.

Crónica
De repente a Saúde transformou-se no patinho feio da «via açoriana».
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