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rss  Vol. XVIII - Nº 318         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
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A Autonomia mausoléu!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A Autonomia está a transformar-se num mausoléu.

Assistimos, na semana que se passou, ao anúncio da «continuada continuação» das obras do Museu Carlos Machado.

Dois dias depois foi a vez de anunciarem a construção de mais um museu, o da construção naval no Pico.

Depois, ficamos a saber que o próximo orçamento regional vai dar 2,5 milhões de euros para a Casa (museu) da Autonomia, enquanto o Museu de Arte Contemporânea, o tal «monstro» de betão construído na Ribeira Grande, se mantém ali à espera do recheio e do rancho melhorado para o «califado».

Ao mesmo tempo, serão construídos e ampliados mais Centros de Interpretação, desde o da Vinha até ao do Ananás.

Eis os grandes problemas em que se tornou a governação açoriana.

Depois da descoberta daqueles pedregulhos e pias na Terceira, o melhor mesmo é guardar a velharia toda das nossas ilhas, como resquício de uma Autonomia altamente virada para o futuro, para a modernidade e para a riqueza competitiva.

A nossa economia museológica agradece.

Eu acrescentaria, como mera sugestão, mais uns museus à lista: Museu da Sinaga, Museu do Casino, Museu da Biblioteca de Angra, Museu da SATA, Museu da Atlanticoline, Museu dos Centros de Saúde, Museu das Casas de Souto Moura nas Sete Cidades, Museu das Lagoas Eutrofizadas, Museu da RTP-A, sendo que, em cada um deles, seja obrigatória a dança do ventre...

Quando a nossa economia está a definhar, o que se espera de um governo é que anuncie medidas de reanimação e de forte investimento no tecido económico reprodutivo, que gere riqueza e emprego.

Na visita ao Pico, deviam ter sido inauguradas novas empresas, incentivos às indústrias, nichos de empreendedorismo, novas tecnologias, apoios ao dinamismo privado, ideias tecnológicas, criação de postos de trabalho.

Mas o balanço é este: uma gare na Madalena, de 9 milhões de euros, e de imediato o anúncio de mais uma em S. Roque (arranjar-se-á mais qualquer coisa para calar a impiedosa Lajes); ampliar um Centro Interpretativo da Vinha (porque a ilha é grande e a interpretação é pequena); uma zona de acesso à montanha (com estacionamento para os popós); ampliação da Adega; uma carreira de tiro; e um garrote para os Centros de Saúde (outra vez pobre Lajes!).

Caramba, ninguém sobe ao cimo da montanha e grita de lá de cima a epifania de Clinton?

– É a economia, estúpido!

                                               ****

PREGUIÇA I – Caro Sr. Primeiro-Ministro: eu sou um dos tais jornalistas e comentadores que tem criticado as trapalhadas da sua governação e a evidente incompetência de alguns dos seus ministros.

A História reza que um político em desespero de fim de ciclo, se atira sempre aos mensageiros.

Devolvo-lhe, com prazer, os epítetos, até porque um Primeiro-Ministro que só se lembra dos Açores já no final do mandato, deve ser um Primeiro-Ministro muito preguiçoso...

                                             ****

PREGUIÇA II – O Ministro-Adjunto Poiares Maduro veio aos Açores, já há alguns meses, apresentar uma proposta sobre o futuro da RTP-A.

Tudo numa folhinha e meia tão pobre, tão pobre, que nem recebeu o apoio do PSD local.

Envergonhado, limpou as mãos e chutou o problema para o recém Conselho Geral de Independentes, um organismo composto por gente que não percebe de televisão, nem de serviço público.

Aqui tem, Sr. Primeiro-Ministro, mais uma preguiça... e um bom enterro.

Crónica
A Autonomia está a transformar-se num mausoléu.
A Autonomia mausoleu.doc
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