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rss  Vol. XVIII - Nº 316         Montreal, QC, Canadá - domingo, 16 de Fevereiro de 2020
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Jacinta Amâncio

300 mil para Casa de Portugal

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Em entrevista à emissão «Personalidades da nossa comunidade» da LusaQ.TV, a Diretora-Geral da Caixa Desjardins Portuguesa, Jacinta Amâncio, disse-nos que a Caixa podia dar 300 mil dólares por ano a uma possível Casa de Portugal.

«Os portugueses não sabem o poder que têm. O retorno (ristourne) individual podia transformar-se num retorno coletivo para (caso houvesse) a chamada Casa de Portugal de que tanto se fala e que nunca mais aparece porque as pessoas não se conseguem entender» – segundo as suas próprias palavras.

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A entrevistada daquele programa, provavelmente uma das portuguesas mais conhecidas de toda a comunidade, visto o papel que ocupa há várias décadas na Caixa Portuguesa, deu-nos a conhecer um pouco do seu percurso pessoal, desde a sua vida em Angola até à sua chegada ao Canadá, passando pelas vicissitudes dos retornados em Portugal.

Em Angola viveu no Lobito. Seu pai era lá funcionário público. Em 1975, após o início da descolonização, quando se começou a ouvir que havia tropas da África do Sul a avançar, resolveram fugir para Luanda só com a roupa que traziam no corpo.

Claro que ficou marcada com os gritos que os negros lhe lançavam no cais de embarque: «Colono vai para a tua terra!» – «Isso marca uma pessoa, mas é assim que a gente se forja a sua vida».

Em Portugal, onde esteve de 1975 a 1979, com o seu diploma de bacharelato em História a Jacinta, embora nativa das Beiras, foi dar aulas para o Liceu de Guimarães, já que o seu marido é natural dali perto, de Braga.

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Jacinta Amâncio com Carlos de Jesus e Daniel Pereira antes de entrar nos estúdios da LusaQ TV.

Felizmente nunca lhe faltou trabalho. Desde que o seu filho nasceu, doze dias depois voltou às lides de professora e nunca teve um dia de desemprego. Diz-se uma pessoa com sorte, de tal modo que cada vez que pedia uma transferência, havia sempre alguém no ministério para lha conceder e foi assim, que nos últimos tempos lecionava no Algarve, onde se sentiu muito bem.

O marido, porém, achava que Portugal não tinha futuro. Sentia-se muito magoado com a forma como tinha sido feita descolonização, muito embora estivesse de acordo que ela tinha de se fazer. E foi assim que ambos pensaram emigrar. A dúvida era se seria para o Brasil ou para o Canadá.

Finalmente optaram por este último, já que várias pessoas lhes tinham dito que o Brasil era pouco seguro. Quis também o acaso que um colega, ao saber da sua intenção de emigrar para o Canadá lhe disse que tinha um irmão em Montreal, que era o Padre Fatela.

E foi assim, que a Jacinta, com o marido e o filho arribaram a estas terras.

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Jacinta Amâncio, diretora-geral da Caixa Desjardins Portuguesa quando nos estúdios da LusaQ TV era entrevistada por Carlos de Jesus, diretor do LusoPresse.

Com a carta de recomendação para o Padre Fatela que lhe tinha dado o seu colega, foi à Igreja de Santa Cruz para ver o que se podia arranjar como trabalho. E embora o Pe. Fatela já não fosse o pároco, mas sim o Pe. José Manuel de Freitas o qual, depois das apresentações, logo ali a contratou para começar a dar aulas no sábado seguinte na Escola de Santa Cruz.

Entretanto surgiu também a oportunidade de vir a substituir a secretária da paróquia que tinha entrado de licença por maternidade e, ao fim de um ano, ei-la a enviar um pedido de emprego para a Caixa de Economia dos Portugueses de Montreal.

Apesar dos administradores que a entrevistaram se tivessem mostrado reticentes devido ao facto de ela se candidatar para um lugar de caixa, portanto com habilitações literárias muito superiores ao que o posto exigia, ela lá conseguiu convencê-los, visto que tudo o que ela queria era trabalhar e tanto mais que adorava lidar com o público. Para lá entrou e lá está!

Está lá ainda, mas nunca deixou de subir de posto até chegar ao lugar máximo que hoje ocupa, o de Diretora-Geral.

Para isso, teve a humildade necessária de reconhecer que os seus diplomas em História não eram suficientes para analisar em pormenor um relatório de contas ou um pedido de financiamento arriscado e vai daí não hesitou em fazer uma formação intensiva em economia.

Esta formação era tanto mais necessária quanto as atividades da Caixa, integradas no amplo movimento cooperativo da Desjardins – o maior grupo cooperativo de todo o Canadá e, em termos de segurança financeira, o quarto grupo na América do Norte – exigiam um profissionalismo que o das antigas estruturas diretivas deixava a desejar.

Foi nesta qualidade de Diretora-Geral da Caixa que a senhora Jacinta Amâncio se pronunciou durante aquela entrevista para a LusaQ.TV sobre o papel social daquela instituição financeira, da política dos retornos individuais, que podem andar à volta de 200 ou 300 dólares anuais mas que, está convencida, podiam, com um voto dos membros, reverter para a tal tão almejada Casa de Portugal que ainda não temos.

Tal como ela, o LusoPresse lamenta este impasse travado pela mesquinhez dum pequeno grupo que, incapaz de levar a cabo uma tal obra, resolveu sabotar a iniciativa que este jornal tinha posto em marcha nesse sentido, à vista e com a participação de todos.

Daí a história dos caranguejos (1) portugueses que contei no meu «Ponto de Vista» da semana passada.

(1) Um pescador de caranguejos nunca tapa o balde em que vai colocando os caranguejos que apanha. Isto admira toda a gente à sua volta. Alguém lhe pergunta um dia: – Porque não tapas o balde em que tens os caranguejos??? Não tens medo que fujam??? Ao que o pescador calmamente responde: – Não é preciso... são caranguejos portugueses: quando um tenta subir, os outros logo o puxam para baixo!!!...

Destaque
Em entrevista à emissão «Personalidades da nossa comunidade» da LusaQ.TV, a Diretora-Geral da Caixa Desjardins Portuguesa, Jacinta Amâncio, disse-nos que a Caixa podia dar 300 mil dólares por ano a uma possível Casa de Portugal.
Jacinta Amancio.doc
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