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rss  Vol. XVIII - Nº 316         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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O filme «Hope»:

A dura realidade dos migrantes africanos do Saara

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

A soirée de abertura do Festival do Filme Black com tapete vermelho foi a oportunidade para um encontro animado com vários representantes da comunidade negra e de simpatizantes de todos os meios, na outra semana, no Cinema Imperial. Alguns representantes do LusoPresse e da LusaQ TV juntaram-se com prazer aos convidados de honra. Foi também a ocasião de ver o filme coup-de-poing do realizador Boris Lojkine, descrevendo as aventuras dolorosas de numerosos migrantes africanos tentando entrar na Europa transitando por Marrocos e a Espanha.

«É esta a realidade», exclamou a minha vizinha (ela mesma ex-residente de Angola) no fim da projeção. O outro vizinho acrescentou: «Muito duro!» De facto, estas duas afirmações resumem bem a miséria, o sofrimento e o calvário que conhecem os que procuram uma vida melhor ao preço da sua própria vida. (Drama comparável ao dos migrantes que transitam pela Líbia a caminho da ilha italiana de Lampedusa.)

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A alma dirigente e inspiradora do FIFBM, Fabienne Colas, na companhia do realizador do filme «Hope», Boris Lojkine, que veio especialmente de França para assistir à soirée de estreia «Tapete Vermelho» do Festival.

A história desta longa-metragem premiada em Cannes é simples. Um camaronês chamado Leonard condói-se de uma jovem nigeriana, Hope, durante uma longa marcha através do Saara. A caminho de Melilla, o enclave espanhol em território marroquino, ela aceita prostituir-se para arranjar rapidamente um pouco de dinheiro ao casal – unido apesar de tudo na sua procura de felicidade. Em cada escala, nos guetos da rede de passadores, são brutalizados e enganados pelos seus próprios semelhantes. Contudo, os dois caminhantes enamoram-se e partilham o mesmo sonho. Dezenas de milhares de Africanos tentam todos os anos escalar o muro fronteira de seis metros de altura.

Um pedido a Donald Jean

Boris Lojkine pronunciou umas palavras de boas-vindas antes do filme. (Os nossos leitores podem ver a entrevista que ele deu ao nosso programa LusaQ TV.)

O realizador conseguiu vencer um grande desafio em se atacando a um tal assunto, sem nunca cair na choraminguice nem no miserabilismo. Também não há arrastamento de situações. Muito bem estruturado. Um filme como se vêm poucos na produção americana ou europeia para um vasto público. Para o autor de 45 anos, ex-professor de filosofia, trata-se de uma primeira obra de ficção sobre um tema africano. O filme é apresentado com legendas para melhor compreensão da mistura de francês e de inglês dos atores.

Os organizadores deste festival estão de parabéns por terem feito um excelente trabalho com a projeção de tantos filmes que dificilmente teríamos ocasião de ver nas grandes salas comerciais. A alma deste evento cultural, Fabienne Colas, deu uma entrevista que foi difundida no boletim de notícias de France 2 na TV5. Foi por ocasião da visita a Montreal do cineasta Spike Lee. Excelente sucesso mediático do Festival.

Ao comunicar as minhas impressões a Fabienne Colas e a Joyce Fuerza (que não tinham visto a sua passagem na TV5), perguntei-lhes se o nosso amigo Donald Jean se ocupava com energia de fazer a promoção deste festival, ele que prega tão bem o evangelho da «diversidade». Segundo a opinião de Fabienne, exceto talvez para um ou dois artigos, ele deveria fazer muito mais e estar presente com mais frequência pois trata-se do mesmo combate. «Você devia escrever isto, em sua intenção» para o persuadir de fazer mais, disse ao LusoPresse a promotora de origem haitiana falando do PDG de Média Mosaïque, também da mesma origem. É um facto! A união faz a força!

Cinema
A soirée de abertura do Festival do Filme Black com tapete vermelho foi a oportunidade para um encontro animado com vários representantes da comunidade negra e de simpatizantes de todos os meios, na outra semana, no Cinema Imperial. Alguns representantes do LusoPresse e da LusaQ TV juntaram-se com prazer aos convidados de honra. Foi também a ocasião de ver o filme coup-de-poing do realizador Boris Lojkine, descrevendo as aventuras dolorosas de numerosos migrantes africanos tentando entrar na Europa transitando por Marrocos e a Espanha.
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