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rss  Vol. XVIII - Nº 316         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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Editorial

Confraria Bédard

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Éric Bédard é o advogado principal da firma de consultores Fasken Martineau. Filho do antigo ministro da justiça do governo pequista, Marc-André Bédard, em 1994, jovem advogado, já fazia parte do gabinete de Jacques Parizeau, então primeiro-ministro do Quebeque. Quando Lucien Bouchard substitui Parizeau, Éric Bédard continua nas boas graças do governo pequista, tanto mais que o seu pai era amigo íntimo de Bouchard.

Foi graças a este jogo de influências que o advogado Bédard, amigo pessoal de André Boisclair, conseguiu fazer afastar a candidata à liderança do P.Q., Pauline Marois, a favor do seu amigo. E conseguiu.

Com a derrota política de Boisclair na boca das urnas, Pauline Marois consegue finalmente obter a liderança do P.Q. e em 2007 Eric Bédard foi capaz de se imiscuir entre os seus conselheiros legais e vir mesmo a ser o seu representante na negociação para o debate político da campanha eleitoral de 2008.

Amigo pessoal de Julie Snyder, (ex? atual?) companheira de Pierre Karl Péladeau (PKP), Éric Bédard tornou-se também amigo íntimo deste, a tal ponto que chegou a contactar jornalistas das empresas concorrentes para entrarem na equipa dos jornais da Québecor.

André Bédard tem também um irmão advogado, Maxime Bédard, e graças às suas relações com o clã PKP conseguiu para este o lugar de vice-presidente dos assuntos jurídicos de TVA, a estação de televisão de PKP.

Foi por intermédio destes dois irmãos que o jornalista da Radio-Canada, Pierre Duchesne, se deixou aliciar para se juntar aos candidatos do Parti Québécois nas eleições de 2012 e que veio a ser ministro do Ensino Superior com a vitória do P.Q. naquelas eleições.

É preciso dizer-se que a confraria Bédard conta ainda com um outro advogado, Stéphane, que desde as eleições de 1998 tem feito parte da «garde rapprochée» do Parti Québécois. Dizem as más-línguas que foi o seu irmão Éric que o incitou a assumir a direção temporária do P.Q., depois da derrota de Mme Marois nas últimas eleições. Este lugar de líder temporário não lhe permite concorrer para a direção do partido nas próximas eleições daquela formação política mas permite-lhe manejar os cordelinhos para a escolha do futuro chefe.

Pode-se dizer que ele tem alguma experiência neste papel de eminência parda. Foi ele que, instigado pelo seu irmão Éric, quem puxou pelos cordéis nos bastidores para a escolha de Boisclair como chefe do partido. Da mesma forma que o seu antigo diretor de gabinete, Simon Lajoie, tem andado a recrutar membros para o clã do futuro dirigente do partido… a saber Pierre Karl Péladeau (PKP)!

Uma outra «éminence grise» do P.Q. é Martin Tremblay, atual vice-presidente da Québecor. Antigo empregado do escritório da circunscrição de Stéphane Bédard foi subindo na hierarquia do partido, por sugestão do irmão Éric e com o apoio de Stéphane, até chegar ao círculo íntimo da direção do P.Q. e dali dar o salto para o girão da Québecor.

Está assim posta a mesa para a eleição de PKP como futuro líder do Parti Québécois! A tal ponto que, não obstante todos os fracassos económicos que o patrão da Québecor tem tido na sua carreira – os quais nos têm custado milhões como contribuintes, graças aos investimentos negativos da Caisse de Dépôt du Québec – ele continua a ser considerado, na opinião pública, como o grande financeiro que jamais o P.Q. tinha sonhado ter!

Não será que a feitura desta imagem de PKP deva muito ao empório da Québecor? Não nos esqueçamos que 40% da imprensa escrita e falada do Quebeque está nas mãos do senhor Péladeau.

Mas a força da persuasão do dinheiro e das influências de bastidores não podem tudo, porque a verdade é como o azeite que vem sempre ao de cima da água por mais que os agitadores nos tentem camuflá-la. E um dia destes, sobretudo se o PKP foi nomeado líder do P.Q., todos os fiascos financeiros de que ele tem sido responsável virão à tona.

Foi o caso ainda esta semana ao vir a público que ele acabou de vender os seus jornais no Canadá inglês – que ele tinha comprado por 1,5 mil milhões de dólares – pela soma insignificante de 316 milhões de dólares!

« Il y a une limite à tout!»

 

Editorial
Éric Bédard é o advogado principal da firma de consultores Fasken Martineau. Filho do antigo ministro da justiça do governo pequista, Marc-André Bédard, em 1994, jovem advogado, já fazia parte do gabinete de Jacques Parizeau, então primeiro-ministro do Quebeque. Quando Lucien Bouchard substitui Parizeau, Éric Bédard continua nas boas graças do governo pequista, tanto mais que o seu pai era amigo íntimo de Bouchard.
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