logo
rss  Vol. XVIII - Nº 316         Montreal, QC, Canadá - domingo, 16 de Fevereiro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Como se destrói um país

Aleluia! Cavaco Silva ressuscitou!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O Presidente da República levou oito longos anos a perceber o que todos os cidadãos se vêm queixando há longo tempo.

A coisa é tão mais grave se olharmos ainda mais aquém dos dois mandatos. É que Cavaco Silva está no poder desde 1985, altura em que conquistou a sua primeira maioria absoluta como líder do PSD.

Agora, quase a terminar o mandato – e a carreira – é que se lembrou de fazer o ato de contrição. Sim, porque o político de Boliqueime é tão pecador como a restante classe, neste sistema político podre, que ele resolveu criticar na oração litúrgica republicana do 5 de outubro.

Ao tempo que tanta gente vem alertando para a incompetência da nossa classe política e para o perigo deste sistema, que apenas protege os partidos e desdenha a cidadania.

Nunca uma classe política foi tão incompetente como esta que nos governou na última década.

Deram cabo de tudo e nunca vimos ninguém ser responsabilizado por isso.

Em 40 anos, como muito bem lembrou Nicolau Santos, tivemos ganhos históricos em termos económicos, sociais e culturais.

É inegável o avanço que a nossa sociedade alcançou com o início do regime democrático.

Construímos um país novo de norte a sul e nas regiões autónomas, tivemos o melhor sistema de saúde alguma vez alcançado, empresas inovadoras, revolucionamos as telecomunicações, tivemos grandes investigadores, até prémios Nobel, multinacionais portuguesas, proteção social segura, grandes bancos, imensos cérebros, natalidade equilibrada, uma forte transportadora aérea, um bom serviço público de televisão, grande riqueza na agricultura, pescas e outros setores.

Hoje o que somos?

Completamente irrelevantes.

Um punhado de terra queimada pelos mercados, um país de gente contorcida pelas contas domésticas vigiadas por gente de fora. Um país que não é para velhos nem para novos. Uma soberania perdida para a voragem dos investidores abutres. Uma sociedade onde apenas perdura uma classe que enriquece, a política, ao mesmo tempo que se envolve nas maiores trapalhadas de abusos de dinheiros, lugares para os familiares e amigos, o carreirismo e tantas outras imoralidades.

Temos uma saúde cada vez mais cara e à base de listas de espera, um ensino troglodita, uma justiça tão vergonhosa quão caótica, uma banca falida e com gestores corruptos, uma empresa de telecomunicações completamente destruída e desgraçada pela ambição pessoal de dois homens (Zeinal e Granadeiro) que nem são chamados à responsabilidade, empresas públicas vendidas ao desbarato, interior do país e ilhas mais pequenas desertificadas, mais horas de trabalho e menos dinheiro, mais velhos com menos pensões e mais novos com a emigração no horizonte, um parlamento inconsequente, um PR moribundo, um governo trapalhão, partidos incapazes, reguladores que não regulam (a começar pelo Banco de Portugal), PME's a falir como dominós, desempregados ao magote, famílias destroçadas, gestores de empresas públicas incompetentes, uma classe dirigente cujo mérito é de ordem geneológica-política, gestores e administradores sem moral...

A nível partidário não vamos melhor.

Os partidos estão todos em crise: os políticos do mesmo partido apunhalam-se pelas costas uns aos outros, a velharada não arreda pé e a tralha mais recente que nos levou ao buraco espreita a oportunidade para mais um assalto, o sistema eleitoral definha-se, a cidadania não se revê no regime, a oligarquia não permite que elegemos diretamente os nossos representantes, não permite que cidadãos independentes ocupem cargos de eleição e não se valoriza o mérito profissional e o caráter de cada um, mas sim o cartão de filiação e o grau de bajulamento político.

É um balanço triste.

No meio disto tudo, os únicos otimistas são os políticos.

São os únicos que não emigram, que não empobrecem e não se reduzem (nem nos governos, nem nos parlamentos).

Pelo contrário, aumentam a despesa pública e os lugares políticos para a família, e ainda vão ao nosso bolso para cobrir o défice crónico.

São 4 milhões a trabalhar e apenas metade paga IRS.

São 2 milhões a pagar quase 13 milhões de euros de impostos de rendimento, quando em 2000 pagavam apenas metade.

Dois milhões a sustentarem o aumento permanente da despesa do «monstro».

Dois milhões de oprimidos em impostos, leis absurdas e abusos de austeridade.

Podem vir novos governos, novos líderes, novos deputados, novos consultores, novos assessores, nova troika.

Mantendo-se o sistema, a receita será sempre a mesma.

Crónica
O Presidente da República levou oito longos anos a perceber o que todos os cidadãos se vêm queixando há longo tempo.
Como se destroi um pais.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020