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rss  Vol. XVIII - Nº 312         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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Mundial do Brasil 2014

O Campeonato das belas surpresas!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Este Campeonato do Mundo de Futebol, disputado no país que mais ama este desporto, o Brasil, arrisca-se a ser considerado o melhor torneio mundial de todos quantos já foram realizados. Primeiro, pela beleza de estádios cheios, quer sejam no Norte, no Centro, no Sul ou até na Amazónia! Segundo, pela grande surpresa que são as surpresas de haver equipas pequenas que estão a bater o pé aos grandes glutões!

Grupo A

Se começarmos pelo Grupo A, onde a equipa anfitrião marcou presença, logo vimos que os favoritos tiveram de suar as estopinhas para poderem passar à segunda fase. Foi assim que o Brasil, grande candidato ao título por jogar em casa e pelo naipe de atletas que possui, se viu em palpos de aranha para bater a Croácia, seleção de um pequeno país europeu de pouco mais de 5 milhões de pessoas e que só existe há uma vintena de anos. Apesar disso, registe-se, a Croácia já conseguiu um terceiro lugar num Mundial – França 1998!

No desafio em questão, se bem que se notasse algum ascendente brasileiro, foi um penálti «inventado» pelo árbitro japonês que levou o Brasil à vitória (3-1).

Esta mesma Croácia, depois, ver-se-ia batida pelo México pelo mesmo resultado.

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Muitos criticaram Pepe, mas nenhum como Mourinho, que teve o desplante de dizer que Pepe não era português! O mais bonito é que não vimos ninguém vir em defesa do lusobrasileiro... Nem mesmo da parte do governo. Ai se isso acontecesse no Canadá alguém teria de responder, na justiça, por racismo!

O grande jogo deste grupo foi o embate Brasil x México (0-0). De resto, foram estes dois conjuntos que avançaram na prova.

Os Camarões, que chegaram cheios de ambições só não foram goleados pelo México porque o trio de arbitragem esteve desastroso. Pelo menos dois golos limpos foram anulados.

Grupo B

A Espanha acabou por ser a grande desilusão ao ganhar (3-0) apenas um jogo diante da Austrália. Nos outros dois embates não teve hipóteses mesmo se vinha aureolada de campeã do Mundo (2010) e bicampeã europeia. Foi assim que «enfiou» cinco golos da Holanda e mais dois do Chile, só apontando um único golo contra os holandeses... Não admirou por isso que fosse das primeiras equipas a regressar a casa.

Como já adivinharam, passaram à frente a Holanda e o Chile, por esta ordem. Já a Austrália, que até apresentou bom futebol e deu boa réplica, ficou no último lugar deste grupo onde as grandes surpresas foram a derrocada espanhola que deu, como está bem de ver, lugar à passagem do Chile, uma máquina de jogar bom futebol.

Grupo C

Já havia rumores de que a Colômbia podia fazer mossa neste Campeonato. E a verdade é que a Colômbia, mesmo sem o seu jogador mais credenciado (Falcão) acabou por vencer o seu grupo sem grandes dificuldades, até porque, como se dizia e também se verificou estava englobada num dos grupos mais fáceis.

De lado o apuramento colombiano, ficaram três equipas para disputar um lugar... Pensou-se que podiam passar, primeiro a Costa de Marfim, considerada uma das melhores equipas de África, depois o Japão, campeão da Ásia e de quem se está sempre à espera que seja o seu ano, em ano de Mundial. Afinal passou a Grécia, não sem algum dramatismo.

Esta Grécia, porém, foi em termos de futebol helvético a melhor equipa que vimos desde há anos. Está por isso de parabéns o nosso compatriota treinador Fernando Santos que conseguiu montar uma equipa competitiva depois de ter tido algumas dificuldades no apuramento, onde teve de disputar uma eliminatória extra depois de ter ficado atrás da surpreendente Bósnia no seu grupo europeu.

Grupo D

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Não se demitindo, Paulo Bento demonstra que não percebeu que fez muito mau trabalho à frente da Seleção de Portugal...

Para nós o segundo grupo mais difícil do Campeonato com o Uruguai, terceiro colocado em 2010, Inglaterra, um país onde o futebol é rei e senhor, Itália, que esteja como estiver é sempre uma equipa com ares de favorita e a Costa Rica, que antes da prova muitos não davam crédito.

Afinal foi a Costa Rica a melhor das quatro equipas. Venceu sucessivamente o Uruguai e a Itália e empatou com a Inglaterra num jogo que nada para si era decisivo.

Para quem não conhece o futebol da CONCACAF é normal não dar importância à Seleção da Costa Rica. Aliás, como ao México, embora seja mais conhecido, e aos Estados Unidos. Afinal, como se viu, três seleções de alto calibre, com futebol para defrontar quem quer que seja, como ficou amplamente demonstrado neste Mundial brasileiro.

Mas voltando a este Grupo D para dizer que quem acompanhou a Costa Rica na ida aos oitavos-de-final foi o Uruguai. Mais uma vez foram precocemente para casa a Inglaterra e, sobretudo, a grande Itália – quatro vezes campeã.

Grupo E

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Outro grupo que não era tido muito em conta. Afinal, como se viu, tratou-se de um grupo interessante, onde somente as Honduras, logo condicionada no primeiro desafio com a França pela expulsão de um seu jogador mal tinha começado a contenda, agravada com a lesão do seu melhor defesa... não teve presença de jeito. Dos três outros, e se excetuarmos a goleada (5-2) da França à Suíça, coisa que de vez em quando acontece mesmo se as forças em presença em nada o justificam, tiveram que se bater ferozmente para seguirem em frente.

Se a França se apurou com alguma ligeireza, já a Suíça se classificou dramaticamente, isto em detrimento da Seleção do Equador...

Grupo F

Quando a grande Argentina, com Messi, Aguero, Mascherano, etc. precisa de 90 minutos para marcar um golo à simpática equipa do Irão, está tudo dito. Este Campeonato é dos mais equilibrados de sempre, o que só temos de aplaudir. Porque o nosso primeiro amor é o futebol! Mesmo à frente de qualquer equipa!

Para os que só gostam do seu clube, neste caso seleção, o importante é ganhar seja como for. Afinal o fair play é uma banana... Mas para todos aqueles que têm o futebol como uma arte, e das mais apaixonantes, estes resultados equilibrados só os podem regozijar, atendendo à dimensão que o futebol está a ter globalmente, onde as cabazadas já praticamente desapareceram. Os 6 a 1 ou os 5 a zero se não estão banidos desta prova para lá caminham. Mas este é um assunto a merecer reflexão com mais tempo e mais espaço.

Finalmente passaram neste Grupo F a Argentina e a Nigéria, não sem grandes dificuldades. Só para termos uma ideia, o Irão caso tivesse vencido o último jogo a esta hora estaria nos oitavos-de-final...

Grupo G

Chamado Grupo da Morte, em nossa opinião, por duas razões: Por ser o grupo mais equilibrado tecnicamente falando e por ser aquele que tinha que despender maior esforço físico, mercê das grandes distâncias a percorrer entre as cidades dos respetivos jogos. Neste aspeto foi mesmo os Estados Unidos a seleção que percorreu a maior quantidade de quilómetros.

Já à distância, vejamos como se desenrolaram as contendas.

Portugal, que sem dar muito a saber tinha ambições de chegar a campeão, ou pelo menos de chegar lá perto, começou por ser goleado (4-0) pela favorita Alemanha. E logo se protestou muito. Contra os árbitros, contra o quartel-general de Campinas, contra o calor, contra as longas viagens e até contra os deuses que não protegeram a equipa dos maus olhares... E se se vissem ao espelho e dessem mérito aos seus adversários não seria a decisão mais correta!?

Depois veio o jogo com os Estados Unidos, que ninguém admitia outro resultado que não uma vitória e, se possível, por números significativos, pois a derrota na Coreia, no Mundial de 2002, estava atravessada na garganta e por isso havia que a vingar... E o que foi que aconteceu? Foram os Estados Unidos que perderam um ponto depois de terem oferecido um golo de entrada, sem que Portugal ainda tivesse feito o que quer que fosse para o merecer... Mais. Os Estados Unidos, através do seu melhor jogador, o guarda-redes Howard, ainda ofereceram uma segunda oportunidade, que não deu golo, é verdade, mas apenas pela sua felinidade, ao repor o lance no seu devido lugar... mas dizia, os Estados Unidos ainda foram a tempo de dar a volta ao resultado, fazendo uma grande exibição, que só não os levou à vitória por muita falta de sorte. Foi assim que cederam o empate (2-2) a um segundo do fim...

No terceiro jogo, contra um Gana já dizimado pela indisciplina, Portugal acabou, com alguma felicidade, por ganhar o jogo (2-1). Os opinadores mais fanáticos, sem ter em consideração que o Gana teve tantas ou mais hipóteses de golo que Portugal, foram ao ponto de afirmar que Portugal esteve, ainda assim, perto de se classificar. E se, ao invés, fosse o Gana que beneficiasse das duas fífias que conduziram aos golos nacionais, o que se diria? Coitados...

Pelo meio nada ficou de mérito para os adversários de Portugal. Nem para a Alemanha, um clássico do futebol mundial. Nem para os Estados Unidos, campeão da CONCACAF – já estou a ouvir alguns a dizer o que é isso da CONCACAF... – e seleção que em seis jogos com Portugal tem duas derrotas, duas vitórias e dois empates, num total de sete golos marcados com outros tantos sofridos. Resta dizer que as vitórias americanas foram as últimas (1-0, em Chicago, junho de 1992 e 3-2, na Coreia, junho 2002) antes deste empate de agora, enquanto as vitórias de Portugal remontam aos anos de 1978 (em Setúbal, 1-0) e 1990 (na Maia, 1-0). O outro empate (1-1) aconteceu em Lisboa, em Outubro de 1980. Escusado será dizer que os Estados Unidos só têm futebol organizado profissionalmente a partir de 1996 – dois anos após o seu Mundial – quando formaram a Major League of Soccer com oito equipas – neste momento têm 19 e em 2015 entram mais duas!

Oxalá que depois deste jogo com os Estados Unidos, os fazedores de opinião portugueses comecem a se informar do que é que se passa deste lado do Atlântico em termos de futebol. Seria pedagógico!

O Gana, considerada a melhor equipa de África – em 2010 viu-se fora das meias-finais a um minuto do fim quando o seu avançado Gyan falhou a grande penalidade que logo ali lhe dava a vitória diante do Uruguai – depois de dois excelentes jogos contra os Estados Unidos e Alemanha entrou numa de disciplina, com agressões entre jogadores e técnicos... Uma vergonha! Com comportamentos assim, as equipas nunca mais têm forças anímicas para fazer frente às adversidades. Uma pena.

Depois disto, só acrescentar que passaram adiante a Alemanha e os Estados Unidos, com aquela a ficar em primeiro lugar devido a ter vencido os americanos pela marca de 1-0.

Grupo H

Outro grupo que era considerado fraco. De resto, nas leituras portuguesas que fizemos antes do início desta grande competição, os jornalistas portugueses já apontavam uns oitavos-de-final favoráveis a Portugal devido ao poderio, ou melhor dizendo, à falta dele nas equipas do Grupo H. Tudo parecia já destinado. Afinal foi o que se viu...

Parecendo equilibrado, este grupo fez sobressair a Bélgica, talvez a melhor equipa do torneio até agora. Ganhou os três jogos e foi naturalmente superior aos seus adversários.

O outro apurado, talvez com surpresa, foi o conjunto argelino, que depois de um primeiro jogo difícil subiu de rendimento e pumba!, cá estamos nós nos oitavos de final.

Esperava-se mais tanto da Rússia como da Coreia do Sul. Fica para a próxima.

Nota: Ver todos os resultados do Mundial até agora, incluindo os referentes aos oitavos-de-final na página 13 desta edição do LusoPresse. Esses encontros serão comentados no nosso jornal do dia 17 de julho.

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