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rss  Vol. XVIII - Nº 311         Montreal, QC, Canadá - domingo, 05 de Julho de 2020
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Mosaico dos sentidos

Marlene Monteiro Freitas – Enfant Terrible do mundo da dança em Montreal

 

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Considerada como a atual revelação no mundo da coreografia de cena, Marlene Monteiro Freitas esteve em Montreal para apresentar o seu mais recente trabalho: Paraíso – Coleção Privada, em exibição nos dias 6, 7 e 8 de junho na sala Agora, ao abrigo da 8ª edição do Festival Transamériques (FTA).

Com o título de enfant terrible da dança, Marlene Freitas quer as suas coreografias irreverentes e presas aos sentidos, característica que faz furor a nível internacional. É já a terceira vez que passa por Montreal, mas desta vez tivemos o prazer de nos sentarmos à conversa com a simpática dançarina. Fica aqui o resumo.

Ao badalo do mar e da dança

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Marlene Freitas, encontra nas suas origens a razão por ter-se encontrado na dança: «Nasci em Cabo Verde onde a dança e a música estão sempre presentes, como forma de comunicação e troca de afetos. Fazem parte da nossa linguagem. Como nasceu este desejo pela dança? Não sei. Lembro-me da primeira vez que assisti a um espetáculo de dança contemporânea, de uma companhia portuguesa que atuou em Cabo Verde, devia ter à volta de 14 anos, e aí já sabia que era o que queria».

Depois de terminar o liceu, inscreveu-se num programa de bolsas de estudo, para em Lisboa aprofundar essa sua paixão pela dança. E por lá ficou, adotando a cidade que agora chama de sua. Viveu ainda na Bélgica mas prontamente regressou ao país que considera irmão, no qual identifica essa forma estranha de nostalgia e de fascínio partilhado pelo mar: «Em Lisboa sinto-me em casa. Partilhamos (cabo-verdianos e portugueses) um certo gozo na nostalgia de ir ver o que está para além dos limites da terra, perdido nesse imenso mar».

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O seu percurso de bailarina esteve sempre preso ao de coreógrafa e considera os dois inseparáveis já que fez desde sempre pequenos formatos. «Eu sempre pensei nas coisas, conceituei e construí pequenas danças». Por isso esses dois mundos não se sobrepõem e se mostram inseparáveis, atuando nas suas peças e nas de outros artistas, como bailarina e coreógrafa. Tudo na sua vida artística segue o ritmo da dança e portanto foi dessa forma, natural e fluida, que optou por em 2008 se juntar ao grupo Bomba Suicida, do qual ainda hoje faz parte.

O sentimento cru

Quanto ao título de enfant terrible, não sabe bem como o ganhou, mas percebe, dado o cariz dos seus espetáculos: «Trabalho muito sobre a metamorfose e o hibridismo, o que por si só é já uma grande transgressão. Uma transgressão quase obrigatória, resultado da mistura de juntar coisas que não estão normalmente associadas umas às outras».

Tem como público-alvo quem aceite a experiência por si só, que não procure sentido, mas que sinta com os sentidos, que não use qualquer forma obscura de intelectualização, porque as realidades são diversas e os sentidos fazem-se dentro de cada um. «O meu público são as pessoas que estejam dispostas a ver a peça sem lhes procurar um sentido, mas a sentir no momento. Que visualizem a peça com os sentidos, que apreendam a peça como ela é, que a vivam. Isso é que é importante para mim, que as pessoas abandonem a ideia de um sentido para as coisas uma vez que o sentido é sempre algo limitador».

Paraíso não quer ter sentido

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Neste sentido, «Paraíso – Uma Coleção Privada» não quer ter sentido, tem antes vários sentidos possíveis. «A peça vai mudando constantemente, quase como um mosaico, e o meu objetivo é que as pessoas consigam projetar nela o desejo».

«Acha por isso que a dança, aquela que eu faço, tem um espaço de ficção dentro desta sociedade. Esta ficção inclui liberdade uma vez que não é limitada pela realidade. Neste sentido é como que uma partilha de uma certa liberdade».

Um espetáculo que viu a sala cheia nos três dias e que aplaude a libertação de constrangimentos morais, palco do exótico e do fantástico, dessa tal liberdade «mosaico de ficção».

 

Teatro
Considerada como a atual revelação no mundo da coreografia de cena, Marlene Monteiro Freitas esteve em Montreal para apresentar o seu mais recente trabalho: Paraíso – Coleção Privada, em exibição nos dias 6, 7 e 8 de junho na sala Agora, ao abrigo da 8ª edição do Festival Transamériques (FTA).
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