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rss  Vol. XVIII - Nº 311         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 26 de Maio de 2020
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Língua Portuguesa...

Porquê uma língua supercentral?

Vitália Rodrigues

Por Vitália Rodrigues

Porquê língua supercentral? Luís Aguilar explica dando o exemplo da realidade linguística de Angola, onde o português é língua materna de apenas metade da população concentrada nos centros urbanos, distribuindo-se o resto da população por mais de quarenta línguas, sendo o umbundu (36 %), o quimbundo (27 %), o quicongo (10 %) e o quinoco (5%) as mais importantes. Não havendo uma língua central, uma das formas de comunicação e de entendimento entre os vários grupos é feita por meio do português, língua supercentral. A impossibilidade de impor nos territórios das ex-colónias portuguesas uma língua como língua nacional, unificadora, fez com que se tenha favorecido a expansão do português que, cada vez mais, é utilizado, o que representa uma situação ímpar no contexto de África, que só tem paralelo com o contexto gabonês, em relação ao francês. É assim que os angolanos se sentem lusófonos, através do português e ovimbundus, quimbundus e quicongos através das suas respetivas línguas, sem que alguma assegure uma identidade angolana. E cita o escritor angolano José Eduardo Agualusa: Um quarto de século após a independência, o número de falantes de português cresceu de forma impressionante, devendo o português ser hoje a segunda língua materna mais falada em Angola, logo depois do umbundo. Tal fenómeno parece-me verdadeiramente espantoso. Pela primeira vez uma língua de origem europeia conseguiu enraizar-se em África, tornando-se numa língua africana num espaço de tempo muitíssimo curto e por ação dos próprios filhos do país.

Não possuindo dados relativos aos emigrantes de outros países lusófonos, Luís Aguilar considera a Diáspora Portuguesa como o quinto país lusófono (disperso) mais populoso da Lusofonia com cerca de cinco milhões de portugueses e ou luso-descendentes, a quem cabe, igualmente, cuidar da permanência e continuidade da sua língua e integrar o movimento nacional e internacional para a promoção de um dos mais belos idiomas do mundo, fazendo de cada verso uma outra geografia e transformando, enfim, a língua em algo mais que o falar por falar, como o deseja Manuel Alegre e assim o quis Jorge de Sena.

Relativamente às figuras expostas nos painéis 7, 8 e 9 da exposição e dos mais vistos, que expõem as caras da língua portuguesa, Luís Aguilar optou por referir algumas personalidades esquecidas nos quadros e, ironicamente, as que justamente puseram o português na ribalta do universo linguístico, fazendo com que seja falado, hoje, por mais de 250 milhões de pessoas: Marquês de Pombal, Gonçalves Viana, José Apparecido de Oliveira, Eduardo Lourenço e Agostinho da Silva, para já não falar de Chico Buarque ou de Sophia de Melo Breyner Andresen.

Finalmente, refere Luís Aguilar que cabe aos cerca de 250 milhões de pessoas que têm para lá da pátria de origem uma pátria comum, que é a da língua portuguesa, desenvolver os seus potenciais e que se cimente um projeto que faça jus à Época de Ouro Cultural de que nos fala Eduardo Lourenço. É neste contexto que sabe bem recordar as palavras de Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro de um dos mais jovens países do mundo, Timor Lorosae: – Neste mundo global deve haver um esforço em definir novas fronteiras globais, fronteiras da língua e da cultura. Como meia ilha que é, Timor-Leste ganha com a língua portuguesa essa fronteira global e ampla, que atravessa oceanos e um continente. Com a língua portuguesa deixamos de nos sentir apenas como esta ilha para nos sentirmos parte deste mundo global.

Preveem-se várias visitas guiadas de estudantes do ensino secundário e superior, assim como visitas guiadas que os Estudos Lusófonos da Universidade de Montreal efetuam regularmente em parceria com a empresa Amarrages sans frontières.

A exposição bilingue «Potencial Económico da Língua Portuguesa/Potentiel Économique de la langue portugaise» estará exposta na Grande Biblioteca da Universidade de Montreal, a partir de setembro próximo.

Língua Portuguesa
Porquê língua supercentral? Luís Aguilar explica dando o exemplo da realidade linguística de Angola, onde o português é língua materna de apenas metade da população concentrada nos centros urbanos, distribuindo-se o resto da população por mais de quarenta línguas, sendo o umbundu (36 %), o quimbundo (27 %), o quicongo (10 %) e o quinoco (5%) as mais importantes. Não havendo uma língua central, uma das formas de comunicação e de entendimento entre os vários grupos é feita por meio do português, língua supercentral. A impossibilidade de impor nos territórios das ex-colónias portuguesas uma língua como língua nacional, unificadora, fez com que se tenha favorecido a expansão do português que, cada vez mais, é utilizado, o que representa uma situação ímpar no contexto de África, que só tem paralelo com o contexto gabonês, em relação ao francês. É assim que os angolanos se sentem lusófonos, através do português e ovimbundus, quimbundus e quicongos através das suas respetivas línguas, sem que alguma assegure uma identidade angolana. E cita o escritor angolano José Eduardo Agualusa: Um quarto de século após a independência, o número de falantes de português cresceu de forma impressionante, devendo o português ser hoje a segunda língua materna mais falada em Angola, logo depois do umbundo. Tal fenómeno parece-me verdadeiramente espantoso. Pela primeira vez uma língua de origem europeia conseguiu enraizar-se em África, tornando-se numa língua africana num espaço de tempo muitíssimo curto e por ação dos próprios filhos do país.
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