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rss  Vol. XVIII - Nº 311         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 26 de Maio de 2020
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Carta aberta a Vasco Cordeiro

Caro Sr. Presidente,

O que se está a passar na SATA não é normal.

Como não é normal a empresa e o seu governo não darem qualquer explicação sobre o descalabro que tem sido nas últimas semanas as operações de Bóston, Toronto e algumas de Lisboa.

Eu sei que é difícil, para si, dar um murro na mesa, como fez noutra ocasião com a anterior administração da SATA, porque os constrangimentos financeiros da empresa não permitem grandes voos e, também, porque o seu governo – e o anterior – têm culpas no cartório quanto às orientações e aprovações que deram a rotas falidas e outras operações que se revelaram um desastre.

Escondeu-se tudo isso ao longo do ano passado, mas a fatura chegou agora com o relatório e contas, que ninguém ainda teve a coragem de dar a cara para explicá-lo a nós, acionistas e contribuintes destas ilhas.

É nas adversidades que se veem os grandes políticos e os grandes gestores, pelo que é estranho este silêncio de todas as partes, como se nada se passasse, à semelhança da desconsideração da SATA para com os milhares de passageiros que têm sido afetados com as dezenas de cancelamentos e atrasos permanentes.

Não quero crer que o Sr. Presidente vai deixar que a situação da SATA se arraste como a da Universidade e a da RTP-Açores.

Curiosamente, são os três pilares da identidade da nossa Autonomia, que tanto têm contribuído para o desenvolvimento, conhecimento e coesão das nossas ilhas, ao mesmo tempo que projetam a imagem dos Açores no exterior.

E a imagem que as três têm projetado, nos últimos tempos, não é muita famosa para a nossa reputação.

Enquanto as duas últimas vão levar muitos anos a recuperar a credibilidade que perderam, por causa das lutas políticas, temo que o mesmo venha a acontecer à SATA se o Sr. Presidente não puser mão nela o mais rápido possível.

Não é compreensível que uma companhia leve mais de um ano a perceber que tem falta de pilotos, que tem uma frota que precisa de ser renovada e métodos que necessitam de ser revistos.

A única decisão de fundo que vimos com a recente remodelação foi, incompreensivelmente, o aumento de mais um administrador!

Eu já nem falo das tarifas que pagamos, nem da degradação do serviço oferecido nos últimos tempos.

Basta referir os últimos cancelamentos e trocas de voos nas operações de Lisboa, Bóston e Toronto, que já vão em mais de uma dezena em menos de um mês, para constatarmos as consequências que tudo isto irá trazer ao turismo (já há sinais preocupantes), para além do enorme transtorno aos açorianos residentes nos EUA e Canadá, que já nem podem ouvir falar na nossa companhia aérea.

Todos sabemos, como o Sr. Presidente também sabe, que o problema da SATA, nos últimos anos, não foi uma questão financeira.

Foi mais do que isso.

Foi uma gestão de grande trapalhada, de muita irresponsabilidade e porque se premiou, em demasia, gente sem qualificações para a função, até vindos de fora, como se fossem D. Sebastião...

E nisto, caro Sr. Presidente, o seu governo e o anterior tiveram grandes responsabilidades.

Por isso, não vale a pena enfiar a cabeça na areia, fingir que está tudo bem, que se vão injetar mais uns milhões no respetivo capital e fica tudo resolvido.

Não é só uma questão de dinheiro, à semelhança da Universidade e da televisão.

É muito mais do que isso, como muito bem sabe o Sr. Presidente.

Portanto, não tenha receio em intervir, com todo o fulgor, na reorganização da empresa, mesmo que seja necessário (e é) apear gente bem instalada (e protegida).

O Sr. soube fazê-lo em relação à televisão, apresentando um projeto forte e encorajador, fê-lo também com a Universidade, intervindo a tempo e em defesa da tripolaridade.

Esperamos todos que faça o mesmo com a SATA, porque ela é demasiado importante para nós, açorianos de cá e do lado de lá, não deixando que a situação se arraste por mais tempo e passe do descalabro ao caos.

Sabemos que o fará, em nome dos Açores e dos açorianos.

Com os melhores cumprimentos,

Pico da Pedra, junho de 2014

Osvaldo Cabral

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