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rss  Vol. XVIII - Nº 311         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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ATÉ OUTRO DIA, POETA

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

Joviano Vaz, caro amigo de Jesus estou agora mais rica e feliz por ter falado consigo nos dias que antecederam a sua viagem para a Casa do Pai.

Aprendi, ou voltei a recordar-me (com uma simples chamada de atenção), que ninguém é perfeito, que ninguém é totalmente feliz. As pessoas têm momentos de felicidade, umas têm mais outras menos, umas expressam-se de uma forma, outras de outra. Uns são podres de ricos, outros jazem pelas ruas da amargura, sem um teto de abrigo, sem um pão para a boca. E Deus criou o mundo para que todos fossem iguais. Porém, há uma faceta na vida que muitos desconhecem: no nascer e no morrer não há diferenças…!

Joviano, durante a sua passagem na terra, onde quer que se encontrasse, com mais ou menos felicidade, foi ousadamente fiel com todas as suas ideias ou convicções; foi um bom português sobre todas as coisas! E por isso, o Dr. Luís Aguilar, numa homenagem feita ao amigo, escreveu e falou assim: «Joviano é, por um lado, o nome de um planeta e, por outro, o nome de um imperador romano. O planeta Joviano é, no sistema solar, sinónimo do planeta Júpiter que representa, como sabemos, a jovialidade e a felicidade». Que pena… perdemos o nosso imperador Joviano, açoriano e lusitano por excelência.

JOVIANO VAZ Foto do Saturnia.jpg

Joviano era natural da ilha de S. Miguel. Vivia em Montreal desde o ano 1965. Emigrou para cá com a esposa Maria Amélia e o filho do casal, António Vaz. Foi um dos fundadores da Casa dos Açores do Quebeque. Como grande comunicador que se prezava ser, colaborou com quase todos os órgãos de comunicação social e implicou-se em diversas atividades da Comunidade. Confessou-nos alguns dias antes da sua morte, que de todos esses lugares havia saído para não mais regressar. Como é sabido, Joviano Vaz deveria assistir, no dia 31 de maio, ao DIA DE RECORDAÇÃO E POESIA, organizado no quadro do Festival Português, para homenagear os poetas que partiram incluindo a poetisa Maria Amélia. Falo com conhecimento de causa, pois o Dia da referida homenagem esteve sob a minha alçada, em termos de organização e de animação. Joviano estava mais feliz que nunca. Tinha encontrado um momento para regressar, em grande – à comunidade que ele tanto amava – pronto a esquecer as mágoas do passado. O próprio António, o filho, sentia-se feliz ao ver o pai tão animado. No início de junho, Joviano iria participar no Programa Portugalíssimo, através de uma rubrica de atualidade para a comunidade.

O Diácono Joviano Vaz foi ordenado pela Igreja Católica em Montreal e participou nas manifestações religiosas da Comunidade lusa. Ao morrer, levou com ele toda a vontade de querer ser mais vezes discípulo de Jesus na sua própria igreja. Joviano Vaz amava, de alma e coração, a língua e a cultura portuguesas. Era um homem culto, sábio e esperto. Foi uma riqueza que por nós passou e que o Senhor nos arrebatou para junto da sua Amélia, porque os dias de Joviano chegaram simplesmente ao fim.

Joviano, o poeta: Joviano foi escrevendo enquanto fazia uma recolha de poemas, ao longo dos anos. Entretanto, ou porque quis dar oportunidade à sua amada Amélia, ou por outra razão por nós desconhecida, ficou a vontade e o sonho por cumprir, a edição de um livro. Espero que alguma entidade se proponha, seja a Casa dos Açores ou alguém que possa render homenagem a Joviano Vaz editando os seus poemas a título póstumo. Afinal, ele foi um homem que multiplicou carinho com esforços, vontades com generosidade, para bem servir a sua Comunidade Portuguesa de Montreal, quase meio século de vida.

Podem contar comigo no derradeiro adeus de homenagem a Joviano Vaz.

Até outro dia Poeta!

MEU PENSAMENTO

De Joviano Vaz

Meu pensamento

Voga sem fim

Nesta noite interminável.

Oiço bater as horas.

Elas passam e eu fico.

Fico esperando

Fico pensando,

Fico sonhando.

Mas o meu sonho é irrealizável

Num presente que me foge.

Gostaria de apanhar o tempo presente

E mudá-lo à minha maneira

Sem preconceitos,

Sem dificuldades,

Só mudá-lo.

Nada mais.

Por que razão o destino

Me é mais uma vez adverso?

E afinal tudo podia ser simples.

Bastava apenas um sim

Que não pode chegar,

Porque a vida é assim.

No momento de atingir a meta

Esta foge, indecisa,

E deixa-me sozinho

Nesta noite interminável.

Oiço bater as horas

Nada mais.

Cronologia
Joviano Vaz, caro amigo de Jesus estou agora mais rica e feliz por ter falado consigo nos dias que antecederam a sua viagem para a Casa do Pai.
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