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rss  Vol. XVIII - Nº 310         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Paula de Vasconcelos

Dans les forêts de Sibérie

Inês Faro

Por Inês Faro

São 10h da manhã no estúdio da companhia de dança-teatro Pigeons International. A luz do início de dia forma bonitos quadrados no chão. Uma parede ao fundo forrada a troncos de árvore recria o espírito de uma floresta. No caso, a da Sibéria, isolada de tudo e de todos. Esta é uma floresta urbana, num estúdio na avenida do Parc, no centro de Montreal, mas do que ali se vai falar é universal. Adaptado do livro «Dans les forêts de Sibérie» de Sylvain Tesson, a mais recente criação de Paula de Vasconcelos é um convite à reflexão e ao retorno às coisas simples da vida. Sylvain Tesson, escritor e viajante francês, passou seis meses numa cabana na floresta da Sibéria, isolado e a três dias de caminho de vestígios da civilização e foi relatando a sua experiência. «Esta é uma adaptação muito íntima deste livro lindíssimo, num contexto underground. Aproveitando a luz do dia fala-se sobre a solidão e a

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contemplação do mundo», diz a coreógrafa. Os 22 bancos, perdão, troncos de madeira, são para quem quiser partilhar esta experiência. Aqui, ninguém veio para o pequeno-almoço, mas ninguém sai de barriga vazia. Num pequeno ecrã lê-se a poesia de Sylvain Tesson. Palavras sensuais, relato de uma experiência de fusão com a natureza que o rodeia. Palavras loucas, primárias, resultado de uma vida a chá, alguma vodka, silêncio e escrita. Palavras que resultam de uma experiência interna intensa, longe, muito longe, dos ruídos da sociedade contemporânea. Enquanto as palavras se escrevem, o performer Éric Robidoux interpreta-as, convidando o espetador a entrar naquela volúpia de sentidos. Sabe bem começar assim o dia.

Intimidade e grandes salas

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«Este é um trabalho muito especial. Normalmente apresentamos em grandes teatros. Foi um trabalho de pesquisa profunda e é a prova de como se pode criar espetáculos com muito pouco», diz. «O livro fala disso também, dessa necessidade de pararmos, de viver com mais simplicidade, de avaliar o que é necessário na vida», acrescenta Paula de Vasconcelos.

«Eu queria trabalhar sem a grande máquina de produção, queria liberdade para trabalhar no meu próprio espaço, com o meu próprio horário. Quando estamos em grandes teatros temos de combinar muitas coisas: a disponibilidade do teatro, o marketing, a venda dos bilhetes. Desta vez queria trabalhar sem pensar nessas coisas, queria trabalhar na essência, voltar ao centro do meu trabalho de artista. Trabalhar só como artista e não como produtora», diz. «Além disso acontecem coisas fantásticas: hoje por exemplo, apareceu uma jornalista da Sibéria que gostou muito da peça e quer levá-la à Sibéria», diz.

Paula de Vasconcelos aproveitou ainda para falar da sua viagem a Portugal. «Vamos apresentar o último espetáculo «L'architecture de la paix» que é uma coprodução com o Teatro São Luiz e que conta com a participação de dois artistas portugueses – Carlos Mil-Homens e Ana Brandão. Depois de Montreal, vamos estar em Lisboa de 10 a 13 julho», diz.

«Eu adoro Lisboa, vou todos os anos a Portugal, é bom ir de férias, mas gosto muito de criar ligações profissionais e de conhecer melhor o mundo das artes lá. Além disso o Teatro São Luiz é magnífico, antigo e bem no centro de Lisboa. Estou muito feliz», diz a coreógrafa.

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Teatro
São 10h da manhã no estúdio da companhia de dança-teatro Pigeons International. A luz do início de dia forma bonitos quadrados no chão. Uma parede ao fundo forrada a troncos de árvore recria o espírito de uma floresta. No caso, a da Sibéria, isolada de tudo e de todos. Esta é uma floresta urbana, num estúdio na avenida do Parc, no centro de Montreal, mas do que ali se vai falar é universal.
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