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rss  Vol. XVIII - Nº 310         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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O regabofe regional

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Vamos ter um verão quente.

As empresas públicas do perímetro regional estão a guardar a chegada do verão e do Mundial do futebol para divulgarem as contas do seu descalabro.

A populaça estará em modo estival e preocupada com a seleção portuguesa, passando em claro os resultados da má gestão que grassa nas nossas empresas públicas regionais.

Já nem falo das tricas entre administradores, ou entre governantes, numa luta de poleiros e de reforço de poderes pessoais nalgumas administrações – como sucedeu agora na EDA, com a limpeza de um, ou na SATA, com a introdução de mais um – e noutras que se seguirão.

O mais grave é o descontrolo que parece ter assentado arraiais em quase todas elas.

O da SATA é de louvar a Deus.

Justificar mais de 15 milhões de prejuízos com uma série de tretas, como reparações em aviões, quebra de vendas, perdas de contratos e até – vejam lá! – com as decisões do Tribunal Constitucional, é assumir que ninguém naquela gestão teve capacidade para prever estes contratempos, o que representa desde logo um desleixo e, também, uma falta de apreensão do mundo em que vivemos.

Não há uma única referência ao falhanço estratégico dos seus gestores na escolha de rotas e operações que deram para o torto, na péssima gestão dos recursos em época de crise e num autismo crescente sobre as tarifas incomportáveis que pratica.

A Atlânticoline vai pelo mesmo caminho.

A faturação do ano passado nem deu para pagar o combustível, como bem observou o deputado do PS, Lizuarte Machado.

Temos, portanto, uma empresa onde o custo passageiro/milha «será, muito provavelmente, o mais caro do mundo», de acordo com o mesmo parlamentar.

Não obstante, a empresa encomendou dois navios para 650 passageiros e 150 viaturas por 85 milhões de euros.

No final já sabemos o que vai acontecer. Teria mais valido a empresa pagar aos passageiros para viajarem de avião e ainda ganhava dinheiro...

Daqui a dias vamos saber as contas de outra, a «Azorina».

Dizem que em apenas três anos de existência já vai nos 13 milhões de prejuízos. É obra!

Daí mais uma injeção de capital que ultrapassa 1 milhão de euros.

A seguir virá a SINAGA – outro bico-de-obra – que já celebrou contratos com 3 empresas (exatamente, três!) – a SIDUL, a Greif e a KWS – para um plano de pagamentos a fornecedores.

A engenharia financeira a que se tem recorrido nos últimos tempos para varrer todos estes prejuízos do orçamento regional é uma obra de arte que deixa a cabeça dos técnicos da Vice-Presidência como uma caldeira das Furnas...

Mas a maior dor de cabeça continua a ser os três hospitais e a famosa Saudaçor.

Se somarmos os mais de 800 milhões de dívidas delas, mais os 331 milhões da parceria público-privada do Hospital de Angra e ainda as dívidas bancárias da Saudaçor, o rol dos fiados é do tamanho da distância de Santa Maria ao Corvo, ida e volta.

São dívidas que crescem na ordem dos 80 milhões por ano, contando já com os 6 milhões em atraso a fornecedores no Hospital de Angra.

Quanto à Saudaçor, mete dó vê-los a mendigar, junto da banca, para baixar as taxas Euribor sobre as dívidas.

O Banif aceitou uma delas, com um aval para caucionar um financiamento de 20 milhões e 400 mil euros, num prazo de 10 anos (coisa para as gerações futuras irem pagando até 2022).

O Santander Totta foi pelo mesmo caminho para outro empréstimo de quase 5 milhões, acrescentando-se a tudo isso contratos de «factoring» para os três hospitais, que há quem diga sem controlo.

Tudo isto é apenas aquilo que se vai sabendo no «parlatório» de conversas de amigos.

Imagine-se o que vai por aí em todas as outras empresas públicas, institutos, organismos e outras intervencionadas.

Depois vêm-nos dizer que não é nada de grave, porque o «total da dívida bruta da Administração Regional dos Açores é de 723 milhões de euros»!

E ainda querem que a gente acredite neles.

Crónica
As empresas públicas do perímetro regional estão a guardar a chegada do verão e do Mundial do futebol para divulgarem as contas do seu descalabro.
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