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rss  Vol. XVIII - Nº 310         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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O explorador Marco Polo convida-vos a Pointe-à-Callière

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

Mais uma vez, o complexo museal de Pointe-à-Callière conseguiu algo de excecional com a sua exposição sobre o fabuloso Marco Polo. Se Vasco da Gama sulcou intrepidamente os mares ente Portugal e o continente indiano, Marco Polo brilhou por uma façanha igualmente espetacular. Desapareceram, respetivamente, em 1524 e 1324. Muito sensíveis aos sonhos dos exploradores, os visitantes portugueses ficarão satisfeitos ao percorrer esta exposição aberta ao público até 26 de outubro.

Para começar, queremos exprimir o desejo de que a comunidade portuguesa possa fazer vir de Portugal uma exposição do mesmo calibre, sobre um acontecimento ou um personagem histórico. Talvez não seja preciso arranjar todos os artefactos a partir do nada. Algumas das exposições vistas recentemente foram transplantadas de outro lado para Montreal e com sucesso. Naturalmente que vai ser preciso uma nova embalagem e algumas adaptações. Mas deixemos aos especialistas o cuidado de discutirem do assunto. De qualquer forma, uma missão possível! Imaginem o impacto cultural sobre um público de centenas de milhares de adultos e de crianças, durante alguns meses!

(Em dezembro próximo, será a vez dos nossos amigos helénicos nos deslumbrarem com 500 artefactos provenientes de 22 museus sobre a Grécia antiga.)

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A célebre narração de Marco Polo, o Livre des merveilles, mostra o imperador mongol Kubilaï Khan partindo à caça com um leopardo domesticado em cima do cavalo. Foto da Biblioteca Nacional de França.

É graças à colaboração de instituições, de coleções e de especialistas franceses que nós abordamos o bravo Veneziano. Um percurso descrevendo em pormenor as principais etapas do seu projeto fenomenal: Arménia, Terra Santa, Pérsia, Afeganistão, Mongólia, etc. «Um périplo realizado há 700 anos e de que ainda hoje se fala.» Christophe Colomb tinha uma cópia do seu volumoso Livre des merveilles quando se lançou à descoberta da América. Foi mesmo uma leitura obrigatória para muitos outros exploradores.

Com a idade de 17 anos à partida da Europa, voltou aos 41. Em plena Idade Média, uma exploração longa de um quarto de século. Nada menos de 20 000 km, donde uma grande parte da viagem de regresso por via marítima, o que se esquece com frequência. Cerca de 200 artefactos ajudam-nos a compreender a geografia da grande viagem. As iluminuras do Livre des merveilles marcam a cronologia. Objetos do Museu Cernuschi evocam a Rota da Seda. Jade chinês branco e um queimador de incenso finamente trabalhado. Tecidos e especiarias. Pode mesmo examinar-se uma verdadeira iurta com telhado de feltro.

A reputada sinóloga Frances Wood do British Museum pôs em dúvida o facto que o Veneziano tenha chegado à China, por causa das muitas omissões no relato da sua viagem. Com efeito é surpreendente! Assim, ele nunca falou da Grande Muralha, dos pés atados, do chá, nem dos caracteres chineses. Além disso, os cronistas mongóis da dinastia Yuan não registaram nada sobre a vinda dum visitante caucasiano. Contudo, outros sinólogos e especialistas chineses insurgiram-se contra a tese (1995) da Britânica. É a si de julgar: é verdade ou mentira?

Entre as cinco últimas exposições que visitei em Pointe-à-Callière, a Costa Rica, a Ilha da Páscoa, os Samurais de Richard Béliveau, as Rotas do Chá e Marco Polo, teria dificuldade em dizer qual foi a que mais me seduziu. Todas de qualidade superior. A melhor maneira para entrar na matéria para os grandes monumentos da história da humanidade.

Para mais pormenores, as tarifas e as horas de abertura: www.pacmusee.qc.ca

Museu
Mais uma vez, o complexo museal de Pointe-à-Callière conseguiu algo de excecional com a sua exposição sobre o fabuloso Marco Polo. Se Vasco da Gama sulcou intrepidamente os mares ente Portugal e o continente indiano, Marco Polo brilhou por uma façanha igualmente espetacular. Desapareceram, respetivamente, em 1524 e 1324. Muito sensíveis aos sonhos dos exploradores, os visitantes portugueses ficarão satisfeitos ao percorrer esta exposição aberta ao público até 26 de outubro.
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