logo
rss  Vol. XVIII - Nº 310         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Editorial

Imigração e salários

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Se há um assunto que vem à tona de vez em quando é o problema salarial dos imigrantes, com uma grande diferença percentual – para baixo como se adivinha – em relação aos nativos canadianos.

Dois estudos sobre o assunto vieram a público na semana passada. Um publicado pelo instituto federal das estatísticas e outro do seu congénere quebequense. Ambos corroboram este facto, mas ao mesmo tempo, sublinham também que a diferença salarial negativa se tem vindo a acentuar desde há vários anos. Segundo o estudo federal, o salário médio dos imigrantes com um primeiro ciclo universitário, era de 57 400 $ em 1988 e é hoje de 38 000$, uma baixa de 34%.

Se esta constatação é valida para todo o Canadá, a diferença percentual é ainda mais significativa no Quebeque, provavelmente devido à importante imigração escolarizada do Magrebe. Com efeito, quanto mais escolarizados são os imigrantes maiores são as diferenças salariais. Quer isto dizer que não é raro ver-se médicos, engenheiros, contabilistas e outras profissões liberais, incapazes de obterem empregos no seu ramo e se verem condenados a conduzir um táxi, lavar pratos num restaurante ou fazer trabalhos de jardinagem.

Poderia pensar-se que a discriminação é o pão negro dos imigrantes. Foi o que aconteceu com os irlandeses que acostaram nestas bandas nos meados do século XIX. Foi o que aconteceu mais tarde com os judeus, que nem direito tinham de entrar na universidade. Aconteceu com os italianos que nem por serem católicos tiveram direito a entrar nas escolas dos canadianos franceses. Idem idem, aspas aspas para os gregos, chineses e tutti-quanti.

Já do lado português, considerando que a baixa escolaridade generalizada os condenava aos empregos subalternos que os nativos olham por cima do ombro, não se pode dizer que tivessem encontrado, regra geral, grandes discriminações. A baixa instrução aliada a uma enorme capacidade de adaptação fez dos portugueses uma das comunidades mais bem integradas no país, a tal ponto que hoje tem dois ministros das finanças de origem portuguesa: um no Ontário e o outro no Quebeque.

O mesmo já não se pode dizer dos novos imigrantes, sobretudo de origem muçulmana. O 11 de setembro de 2011 e toda a guerrilha dos movimentos islamitas pelo mundo fora, mas particularmente em África nos últimos tempos, tem vindo a repercutir-se sobre a reputação dos novos imigrantes oriundos do norte de África, não obstante serem dos mais escolarizados e de falarem, regra geral, um excelente francês. Tanto o mercado do trabalho como a própria sociedade estão a mostrar-se hostis aos imigrantes de religião muçulmana.

Esperemos que este estado de espírito se vá atenuando com o tempo, mas sobretudo com o comportamento destes novos imigrantes que um dia poderão provar, se assim o desejarem, que podem ser tão canadianos e quebequenses como os Ryans, os Burns, os Johnsons ou até os Da’Sylva.

 

Editorial
Se há um assunto que vem à tona de vez em quando é o problema salarial dos imigrantes, com uma grande diferença percentual – para baixo como se adivinha – em relação aos nativos canadianos.
Editorial.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020