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rss  Vol. XVIII - Nº 310         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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A hecatombe

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Se eu estampasse aqui a crónica que escrevi na semana passada ("O falhanço europeu»), seria mais do que suficiente para comentar os resultados das europeias. Acertei em tudo o que tinha previsto e provou-se, no domingo, que «esta» Europa é um grande falhanço. Não tem nada a ver com o projeto em si, que era claro, genuíno e ambicioso quando pensado por Robert Schumann. O problema são os seus executores. A classe política que emergiu nesta última década por toda a Europa, incluindo Portugal e Açores, é de uma mediocridade aterradora, egoísta, insensata, sem mérito, muitas vezes ignorante, rapazolas sem currículo, olhos nos cifrões, interesseiros, politicamente impreparados e sem maturidade para mobilizar seja quem for. O resultado foi este a que assistimos no domingo: uma hecatombe. Nenhum europeu acredita nesta gente. É escusado virem desculpar-se com a renovação do projeto. É mentira. Tem que se repensar é na classe política. Há anos que venho dizendo isto: são os políticos que fazem a política; são eles que definem as estratégias e nos encaminham para o curral lamacento em que nos encontramos. O processo de «ajustamento» aplicado aos países periféricos foi um perfeito exemplo – quiçá, um golpe de misericórdia – da ignorância das instituições europeias face à realidade de cada país e de cada povo. Os mangas-de-alpaca de Bruxelas continuam a pensar que a catrefada de subsídios que põem à nossa disposição é suficiente para comprar a consciência dos povos. Pois aí têm a resposta. Que não é mais do que uma rejeição clara desta política inócua e pervertida dos senhores engravatados de Bruxelas e Estrasburgo. Foi duro castigo, é verdade. Mas é um sinal sério de que tudo está em perigo: a Europa, a democracia, o sistema representativo, o pensamento livre e a autonomia de cada povo. "Se mais de 70% deles (eleitores) ficar em casa, é sinal aterrador para a democracia representativa e um drama para a verdade política», escrevi na semana passada. Pois bem: confirmou-se a todos os níveis e ultrapassou mesmo as expectativas nos Açores. O que se passou na nossa região é simplesmente aterrador. Já ninguém quer saber da política e dos políticos. Vê-los, na noite das eleições, reagir aos resultados ignorando toda esta realidade, uns dizendo que era uma vitória dos Açores e dos açorianos e outros a sobrevalolizarem o seu papel, é a prova de que não vivem neste mundo. Os políticos da nossa região estão enclausurados nos gabinetes, no seu mundo da rapaziada dependente do partido, de um parlamento mecanizado para sustentar uma casta de gente sem qualidade (há algumas exceções, raras), muita arrogância e insensibilidade face à realidade do dia-a-dia das populações. Não surpreende que não aprendam a lição de domingo passado, que os devia envergonhar a todos. Nota final para um bispo trapalhão. Quando a Igreja se mete em política, é asneira na certa. Custou muito ouvir o Bispo de Angra, em plena homilia da missa campal, dizer que o Senhor Santo Cristo não queria que fossem na procissão aqueles que não votassem. Tal como à maioria dos nossos políticos, a resposta esteve nas urnas. O homem devia resignar, mas já.

Crónica
Se eu estampasse aqui a crónica que escrevi na semana passada ("O falhanço europeu»), seria mais do que suficiente para comentar os resultados das europeias. Acertei em tudo o que tinha previsto e provou-se, no domingo, que «esta» Europa é um grande falhanço.
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